O Mistério da Caveira de Cristal

Chris Morton e Ceri Louise Thomas · Capítulo 24 de 112

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O Mistério da Caveira de Cristal

Capítulo 20

9 DE DEZEMBRO DE 2012

No dia seguinte, a manhã estava fria e seca. Era domingo e o sol brilhava, mas Michael estava apreensivo. Sabia que era isso o que Laura queria fazer antes de ela sequer sugerir. Não iam lá fazia algum tempo, desde o aniversário de Alice, quatro meses antes. Ele odiava ir lá, detestava lembrar, mas era o que Laura queria. Talvez a fizesse se sentir melhor, e Michael era sábio o suficiente para saber que ajudar Laura a sentir melhor também o ajudaria.

O contorno da cidade estava visível no horizonte quando ambos desciam a ala de túmulos, fileira por fileira, até chegarem ao cedro no final do caminho. Seus galhos estavam pesados por causa da neve. Embaixo da árvore estava o túmulo de Alice — assustadoramente pequeno, como são as sepulturas de crianças. Ainda o chocava vê-lo. Era uma afronta ao que ele achava como a ordem natural das coisas deveria ser; os pais morrem antes, não os filhos. Era assim que deveria ser. Sentiu uma onda de raiva diante da injustiça de tudo isso.

Laura removeu a neve de cima da lápide. Um anjinho estava encravado em sua superfície.

Dizia:

“Alice Greenstone Shepherd

21 de julho de 2005 - 27 de maio de 2010

Para sempre em nossos corações”.

Laura sentia que parte dela morrera quando Alice partira. Algo havia morrido dentro dela. Nunca mais seria a mesma. Ela sempre sentiria a dor de algo faltando, como se tivesse um membro removido do próprio corpo. Nunca conhecera tamanha dor em toda sua vida, tampouco sabia como superá-la nos dias, meses e anos que se seguiram à morte de Alice.

Ajoelhou na neve, ao lado do túmulo, e cuidadosamente desembrulhou o pequeno e delicado buquê de flores que havia trazido para ela. Enquanto colocava suavemente os macios botões cor-de-rosa no vasinho de vidro ao pé da sepultura, sua respiração era perceptível no cruel clima de inverno. Suspirou de maneira melancólica:

— Nunca tive a chance de me despedir.

Michael estava ao seu lado, esfregando as mãos uma à outra, por causa do frio. Enquanto observava, silencioso e inexpressivo, o túmulo, percebeu algo se destacando perfeitamente em meio à brancura da neve. Lá, segurando as flores cor-de-rosa opacas em um buquê delicadamente feito, o rastro vermelho-sangue da fita de Wilson.