O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 108
Eles conseguiram ouvir o som do fogo enquanto devastava tudo, reunindo força e rasgando seu caminho através do complexo subterrâneo. A única coisa que os impedia de subir para o poço do elevador eram duas portas de metal fino no fundo que agora se obrigavam a derreter. Mas estavam tão próximos do topo, que a luz do dia era visível através da fresta no alto das portas de suas cabines. A metade superior do elevador devia pelo menos estar acima do nível do solo. Michael pressionou as portas para abri-las, mas nada aconteceu. As portas do elevador estavam bloqueadas.
Houve queixas de medo com a perspectiva de que todos ficariam presos ali para torrar até a morte nas chamas. Fumaça começava a preencher a cabine. Asmáticos já estavam tossindo e respirando com dificuldade. Michael então notou um martelo de incêndio no chão, próximo a seu pé. Ainda estava onde Laura havia jogado anteriormente. O elevador era preenchido com uma densa fumaça negra e todos tossiam. Michael apertou-se e apanhou o martelo de incêndio, então o calçou entre as portas de aço. Em seguida, tantas pessoas quanto conseguiram alcançar puxaram o martelo, lançando sua força contra as portas, a qual se abriu lentamente em um lado.
Pessoas escalaram e se jogaram para fora do elevador, tropeçando umas sobre as outras enquanto corriam para fora do saguão. Segurando as portas abertas, Michael e Laura foram os últimos a sair. O elevador começou a balançar violentamente quando foi tocado poço acima por uma bola gigante de chamas que subia do inferno abaixo.
Quando finalmente soltaram o martelo e voaram pelo saguão, a cabine do elevador foi engolida por chamas, e todo o prédio que o abrigava começou a pegar fogo.
No lado externo do complexo, o fogo tomava todos os lugares. Pareceu até se espalhar em direção ao depósito para armazenamento de óleo. Precisavam sair de lá rapidamente. Enquanto disparavam pelo complexo, pareceu que tudo ao redor havia inflamado, pois o grande e furioso incêndio a seguir buscou todas as rotas que podia até a superfície.
O coração de Michael esmurrava seu peito, sua respiração vindo em arfadas enquanto avançava, e Laura estava temporariamente esquecida da dor em sua perna, enquanto ele ajudava a puxá-la para frente ao seu lado. Tudo o que sabiam era que deviam sair daquele lugar antes que o depósito de armazenamento de óleo pegasse fogo.
Correram a toda velocidade, passando pelo carro-tanque com a cabine queimada na qual Laura havia começado um incêndio mais cedo, e correram passando por um bloco de escritórios agora envolto em chamas. Passando por Jeeps e Humvees queimados, eles foram, desesperados, obter segurança antes que fosse tarde demais.
Eles conseguiram ver a cerca do perímetro a distância, com suas extintas câmeras de circuito interno de segurança, arcos de luzes e arame-farpado, e o posto de controle abandonado à frente. Essa era a única maneira de escapar do inferno vindouro, e agora estava dentro da visão. Se eles conseguissem chegar lá.
Estavam quase dentro do alcance dos portões quando houve um rugido ensurdecedor e o depósito de armazenamento de óleo explodiu em uma pesada bola de fogo de explosões. A imensidão aterrorizante da explosão os lançou para a lateral, e tiveram que afastar as mãos e os rostos para que o calor escaldante não chamuscasse sua pele.
No entanto, a adrenalina em seu sistema levou Michael a ficar em pé novamente, e puxou Laura para frente, pelos portões de entrada, para fora e além do complexo.
Eles finalmente vacilaram até fazer uma pausa, exaustos. Caindo na estrada deserta além da cerca do perímetro, voltaram-se e observaram atrás todo o complexo, agora tragado por chamas, contra o céu escuro. Recuperando o fôlego, Laura falou melancolicamente:
— A caveira de cristal. Acabou. Eu nunca mais verei Alice de novo.
Michael a segurou em seus braços. Ele esticou a mão em seu bolso e puxou o pequeno medalhão de prata em formato de coração. Ele o abriu para revelar uma foto dos três membros da família: ele, Laura e Alice sorrindo feliz em suas últimas férias na praia juntos, no verão anterior à morte de Alice. Era a mesma foto que Laura mantinha em sua escrivaninha em casa.
Fechando-o novamente, Michael colocou o medalhão suavemente em torno do pescoço da esposa, onde lampejou na luz dourada da noite, quando ambos se viraram do local para observar o pôr do sol.
O sol saíra detrás de uma nuvem, e seus raios iluminaram a paisagem.
— Lembre-se do que ela disse — Michael disse com delicadeza.
Quando Laura percebeu o efeito da luz do sol soprando suavemente na grama do deserto, podia ter jurado que ouvira a vozinha de Alice em sua cabeça.
-Você me verá novamente, mamãe. Você me verá na primeira gota de orvalho que cai na primavera. Você me verá na borboleta quando abre suas asas. Você me verá no vislumbre do raio solar que encrespa a grama e que em seguida se perde no crepúsculo.
Eles sussurraram ao mesmo tempo:
— Alice!
— É lindo — disse Michael, observando a grama.
— Sim, é — concordou Laura. Ela até conseguiu dar um meio sorriso antes de se virarem um ao outro e se beijarem. Michael posicionou seus afetuosos braços em volta dos ombros da esposa e ajudou-a a se levantar. Ela precisava de seu apoio agora, em razão de sua falta de firmeza.
Caleb encontrava-se na grama próxima e os observava em silêncio. Ele viu ambos dispostos em silhueta enquanto cambaleavam em direção ao poente, com os últimos raios do sol que se afundavam desaparecendo sob o horizonte atrás deles.