O Mistério da Caveira de Cristal

Chris Morton e Ceri Louise Thomas · Capítulo 47 de 112

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O Mistério da Caveira de Cristal

Capítulo 44

Pareceu que Michael tinha levado uma eternidade para passar pela segurança e entrar na área de embarque. Implorando que abrissem caminho para ir à frente da fila, quase foi preso por agir de maneira suspeita, até finalmente prestar esclarecimentos, quando o atendente do equipamento de raio-X e o revistador não conseguiram encontrar quaisquer motivos técnicos para detê-lo.

Assim que foi liberado, correu pelo saguão de embarque, esquivando-se das multidões de pessoas, a grande maioria indo passar o Natal com a família e amigos. Correu o mais rápido que conseguia. Correu como se. sua própria vida dependesse disso. Ele precisava alcançar Laura antes que ela embarcasse no avião. Tudo o que importava era que ele chegasse ao portão doze antes que este fosse fechado, de as portas da aeronave à espera se fechassem e fosse tarde demais.

Ele deslizou em volta da mala que caiu do alto do carrinho de um jovem bem à sua frente, antes de acessar a primeira de uma série de esteiras rolantes que levavam ao portão de embarque. Pulou sobre uma pilha de sacolas de compras que pertenciam a duas mulheres indianas que tentavam consolar uma criança que chorava, enquanto corria em direção à esteira seguinte.

Laura finalmente chegou ao portão doze. Era isso. Ela pisava rumo ao desconhecido. Assim que embarcasse naquele voo poderia não haver volta. Não conseguiria retornar ao chefe, Professor Lamb, e pedir “desculpas”, dizer que havia sofrido uma perda temporária de sanidade, que em virtude de sua aflição perdera a razão e havia se comportado de uma maneira que, pensando bem, chocava até a si mesma.

Ela hesitou. Se retornasse agora, poderia ainda haver uma chance, porém remota, de poder se redimir. Ela havia sido um membro leal e dedicado da equipe do museu, confiável e trabalhadora. Se ela voltasse agora, poderia ficar tudo bem. Ela ainda poderia conseguir desfazer alguns dos danos que causara. Ela poderia alegar que tudo tinha sido um desvio passageiro, uma mancha isolada em uma carreira outrora bem-sucedida.

Se ela pudesse ver dessa maneira, então não seria tarde demais. Talvez devesse ligar para ele agora mesmo e explicar tudo, sem mais delongas. Sua mão tocou o celular. Olhou ao redor do portão do saguão de embarque. Estava quase vazio agora, já que os últimos passageiros se colocavam em fila e embarcavam na aeronave.

O que ela queria era algum sinal, algum sentimento de que ir à América Central não era a coisa certa a fazer. Lembrando-se de quando estava em seu escritório, havia tido tanta certeza. Não havia dúvida em sua mente de que a informação que recebera se tratava de uma mensagem de Alice. Tinha ficado tão claro para ela. Mas agora há pouco, assim que havia encarado o portão de embarque do aeroporto, não teve tanta certeza. Como poderia dizer se era ou não uma mensagem de sua menininha?

Pelo sistema de alto-falantes ela ouviu o anúncio: “Última chamada para todos os passageiros do vôo CO101

para Guatemala”. Observou os dígitos no relógio do saguão tiquetaqueando os últimos minutos para o horário de embarque. De qualquer modo, em breve seria tarde demais para mudar de idéia.

Assim que o portão doze finalmente foi avistado, Michael conseguiu ver que a mulher andando para lá e para cá, a distância, era Laura. Ele conseguia reconhecer com clareza, em qualquer lugar, o movimento de seu rabo de cavalo. Conseguia distinguir os contornos de seu viçoso terno de trabalho feito de linho e o formato da mala com a caveira de cristal em sua mão. Ele estava certo em relação à atitude dela. Agora tinha a caveira, estava a caminho da América Central para tentar provar sua t bizarra teoria sobre a pedra profética maia.

Ele reprimiu o impulso de gritar seu nome, de chamar sua atenção. Ele tinha de chegar a ela antes que embarcasse naquele avião. Se Laura o visse chegando, haveria uma chance de seguir adiante, e ele não queria que isso acontecesse.

Isso então o deixou perplexo. Ela estava em pé, sozinha no portão de embarque, fitando o relógio acima da porta. Estava intrigado com o motivo de que ainda estivesse lá. Por que ainda não havia embarcado no avião?

Michael perguntou a si mesmo se talvez estivesse começando a enxergar a razão, afinal de contas. Talvez tivesse decidido não arriscar toda sua carreira, e a dele, com essa idéia maluca de que Alice estava de alguma maneira tentando se comunicar com ela. Talvez tivesse tomado a decisão de não se arriscar muito, baseada na idéia esquisita e atordoada de que conseguia ver algo através da caveira de cristal que Caleb, Professor Lamb e ele não conseguiam.

Talvez seu comportamento não fosse o resultado de nenhuma razão cuidadosamente pensada, mas simplesmente a manifestação exterior, o sintoma de um estado de espírito profundamente perturbado. Talvez estivesse fitando o relógio porque não sabia mais o que pretendia fazer originalmente. Quem sabe estivesse tão confusa que simplesmente não sabia mais o que fazia ou deveria fazer.

Uma comissária estava no balcão, na frente das portas de embarque, analisando os últimos documentos de vôo. O portão seria fechado em menos de um minuto.

Dentro de si, Michael descobriu uma energia renovada. Agora estava distante de Laura por alguns momentos. Ele chegaria até ela a tempo. Ele traria sua esposa de volta. Ele a manteria segura e, no devido tempo, aprenderiam a superar esse acontecimento tolo e maluco. Talvez fosse necessário algo mais do que ele sozinho conseguiria dar: aconselhamento, terapia, possivelmente até medicação. No entanto, tinha certeza de que provavelmente se tratava apenas de um episódio isolado de loucura, uma ruptura de todo o resto de sentimento que Laura ainda tinha por Alice, estourando e emanando dela. Ele esperava que fosse apenas um último derramamento de aflição em todo seu furor destrutivo, despropositado e doloroso, mas logo seria dissipado, disperso e chegaria ao fim.

Laura olhou para baixo, para o passaporte e o cartão de embarque em sua mão. Olhando para cima, avistou à distância algo de que não gostou. Era a visão perturbadora de Caleb e seu guarda, acompanhados de dois membros armados da segurança do aeroporto, surgindo de uma porta dupla no lado oposto do comprido saguão e marchando em direção a ela.

Ela tomou sua decisão.

Michael estava quase lá agora. Ele viu a esposa se aproximar da comissária atrás do balcão. Ah não, ela estava entregando o passaporte e cartão de embarque.

— Laura! — ele gritou, e depois mais alto. — Laura!… Laura Shepherd!

Porém era tarde demais. Se ela o ouvira, não se virou. Em seguida, exatamente antes de alcançar o portão, ela desapareceu por uma das portas.

Laura correu pela ponte telescópica, rumo à aeronave taxiada. A tripulação fechou as portas atrás dela, e a passarela começou a retrair em direção ao prédio do terminal.

Finalmente alcançando o portão, Michael pegou o passaporte e o cartão de embarque do bolso de sua jaqueta.

— Sinto muito, senhor, o vôo está encerrado agora — disse a atendente. — Esperamos o quanto pudemos.

— Chame o piloto! Não deixe a aeronave partir! — Michel falou bem firme, embora sua respiração estivesse ofegante

A atendente apenas olhou para ele de modo frio:

— Sinto muito, senhor, não estou autorizada a fazer isso — ela lançou o olhar para os papéis que estavam embaixo. — E este é o cartão errado, senhor! — ergueu a voz enquanto Michael tentava se desvencilhar dela, mas conseguiu ver que o lado oposto da ponte telescópica estava fechado.

Então ele correu para a parede de vidro do saguão, através do qual pôde ver a aeronave quando esta começou a se retirar do prédio do terminal. Laura era tudo o que lhe restara, e agora ela escapava entre os dedos como areia.

Enfurecido, ele bateu os pulsos contra o vidro.

— Maldição, Laura! — sussurrou em desespero, quando Caleb e seus soldados chegaram a seu lado.

— Graças a Deus vocês estão aqui — disse a atendente. — Este homem está causando distúrbio — e o segurança do aeroporto agarrou os braços de Michael e o segurou no chão.

— Seus idiotas! — Caleb gritou. — Vocês estão prendendo a pessoa errada — disse, enquanto observava através do vidro o avião de Laura agora taxiando em direção à pista de decolagem.