O Mistério da Caveira de Cristal

Chris Morton e Ceri Louise Thomas · Capítulo 84 de 112

Páginas do PDF

O Mistério da Caveira de Cristal

Capítulo 81

20 DE DEZEMBRO DE 2012

Enquanto isso, de volta ao exterior da caveira, Michael ainda permanecia sentado ao lado do leito da esposa na ala de tratamento intensivo, afundando constantemente nas profundezas do desespero. Ele olhou fixamente para o conjunto de maquinário eletrônico que a rodeava, do qual agora dependia para permanecer viva. O som do ar sendo periodicamente forçado para dentro de seus pulmões e em seguida desinflando, e o constante bipe do monitor cardíaco, tudo aquilo o desanimava. Ele estava tão aterrorizado pela possibilidade de algo acontecer a Laura, de perdê-la. Como ele queria que tudo ficasse bem, para que suas vidas fossem dignas de serem vividas novamente, e agora chegara a isso.

Ele embalou a cabeça nas mãos e disse aos soluços: — Minha querida! Por favor! Não me deixe! Volte! Ele esticou uma das mãos para afastar suavemente um fino tufo de cabelo que havia caído no rosto da esposa e, ao fazê-lo, notou o ramalhete de plumérias que havia trazido para ela anteriormente repousando no armário perto da cama, atrás dela. Doía nele vê-las

agora. Ele sempre havia sido tão ruim para se lembrar de comprar flores, mas essas eram suas favoritas, as delicadas pétalas cor-de-rosa ocultando seus centros belos, vigorosos e dourados.

Ele ficou perplexo com a percepção súbita e apavorante de que Laura poderia nunca mais vê-las. As extremidades das pontas das pétalas começavam a parecer feridas e sem brilho sob o calor do quarto de hospital. As flores começavam a murchar. E, mais afastado delas, na tela do monitor, o batimento cardíaco oscilava.

Aos prantos, Michael afundou uma das mãos no bolso de sua jaqueta e puxou a agenda telefônica da esposa. Ele fez uma última ligação para Dr. Brown em seu celular. Mais uma vez, acessou a secretária eletrônica. Incapaz de acreditar em seu azar, deixou outro recado, ainda mais desesperado.

— Dr. Brown! Por favor! Estou perdendo-a. Você tem que encontrar aquele curandeiro.

Quando Michael guardava a agenda telefônica novamente, um pedaço de papel caiu dela e pousou na lateral da cama, bem ao lado da mão da esposa. Notando algum tipo de fórmula criptografada rabiscada à mão, Michael o apanhou.

Era o pedaço de papel no qual ela escrevera anteriormente, na capela crematória onde Anna Crockett-Burrows havia “canalizado” a mensagem da caveira de cristal, exatamente após o funeral de Ron. Intrigado, Michael leu a fórmula para si:

— SK x MC2 = -1, não 0 — ele leu novamente: — SK vezes MC ao quadrado é igual a menos um, não zero. E em seguida ela dizia “Você morrerá, papai morrerá, todos morrerão”.

O olhar intrigado de Michael de repente se transformou em um de terror e pânico.

— Meu Deus! — disse em voz alta. Ele reconheceu a fórmula.

Apalpou o bolso para encontrar seu telefone e discou rapidamente.

— Eu preciso falar com Caleb! — ele quase gritou.

A secretária, no outro lado da linha, explicou a situação.

— Não me importa se ele está em uma reunião importante, isso é urgente! — Michael urrou.

Mas Haley, assistente pessoal de Caleb, não interromperia seu chefe. Ela explicou a situação com mais detalhes.

— Uma hora é tempo demais, preciso conversar com ele imediatamente! — Michael exigiu.

Mas a secretária no outro lado da linha obviamente ficou farta do seu “comportamento abusivo” e desligou o telefone.

— Maldição! — Michael fez careta. Ele bateu o celular com força e levantou-se depressa para sair.

Ele debruçou-se sobre sua esposa e sussurrou em seu ouvido.

— Laura, eu te amo, mas você deve esperar por mim. Por favor, eu tenho de fazer isso.

Ele a beijou delicadamente na testa e em seguida disparou porta afora.