O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 87
Eles dirigiram até o moderno e forte prédio de escritórios da Nanon Systems nos limites da cidade, o mais rápido que o Audi lustroso e prateado de Michael os levaria, e pararam na rua de serviços no lado externo do estacionamento.
Lá, eles tentaram permanecer invisíveis, apesar do fato de que alguns trabalhadores com aparência exausta haviam sido incumbidos de trabalhar durante a noite, erigindo alguns trilhos novos ao redor do outrora aberto parque de ciências, como uma precaução extra de segurança, uma linha extra de defesa ao redor do local. Michael suspirou. Poderia não haver limites para as tentativas cada vez mais elaboradas de Caleb para proteger a caveira de cristal.
Embora estivessem tecnicamente no lado de fora do lugar, encontram um ponto em que conseguiam ter uma boa visão do saguão, apesar do fato de haver uma pequena colina entre eles e o bloco de escritórios — um monte que felizmente proporcionava alguma proteção da visão móvel das câmeras de segurança dos prédios.
Michael sentou-se furtivamente no banco do motorista, espiando o saguão. Ele permaneceu abaixado, completamente incapaz de tirar os olhos do prédio e meio que esperando ser pego a qualquer momento. Ele estava, afinal de contas, perigosamente próximo de transgredir a “cena do crime” na qual a polícia já o havia proibido de retornar.
Enquanto isso, o xamã estava sentado no banco do passageiro ao lado dele, repreendendo-o:
— Você deve dar a isso sua total atenção.
Michael fez careta para o ramalhete de plumérias murchas em sua mão. Ele passava por dificuldades, esforçando-se para lidar com tudo o que o xamã tentava dizer a ele.
— Tente de novo! — o xamã insistiu.
— Eu não acredito que tenhamos tempo para isso — Michael ficava impaciente. Ele ainda não conseguia entender por que o outro solicitava que sentisse uma conexão com um ramalhete de flores.
— Se você não dominar isso, também entrará em coma e morrerá! Agora, feche os olhos, respire profundamente e lembre-se de sua ligação com todos e tudo ao seu redor — o xamã continuou.
— OK — Michael falou e fechou os olhos.
— As flores ajudarão a lembrá-lo de sua ligação, seu amor pelas outras coisas neste mundo. Agora, tente colocar todo o amor que você sente dentro de você nestas flores.
Mas um dos olhos de Michael não conseguia deixar de se abrir furtivamente quando ele tentava espiar o saguão da Nanon Systems. Ele parecia agir hipocritamente com seu mentor.
O xamã era insistente:
— Por favor, você deve aprender a fazer isso adequadamente antes de projetar sua consciência dentro da caveira.
— Eu apenas não entendo como é possível que eu projete minha consciência, toda a minha experiência de mundo, todo o meu senso em relação a mim mesmo, em uma… bolota de pedra!
O xamã levantou as sobrancelhas.
— Escute, sem ofensa, mas eu sou uma pessoa racional e apenas gosto de coisas que fazem sentido — continuou Michael.
— Faz sentido e é possível. Mas antes que possa acontecer, você precisa acreditar que é possível — o xamã explicou.
— Mas eu não tenho certeza se realmente acredito.
— Então é melhor que você se convença, persuada você mesmo de que é verdade, que isso é possível. Agora tente novamente! — o xamã ordenou.
Michael tentou ficar mais confortável.
— Eu não tenho certeza se consigo fazer isso.
Laura havia sido uma aluna tão disposta, pensou o xamã, mas tentar fazer Michael dominar a arte de realizar sua conexão com todas as outras coisas antes de projetar sua consciência dentro da caveira estava provando ser um pouco mais desafiador.
— Mas você tem que conseguir, se você quiser salvar sua esposa, você mesmo e todas as demais pessoas neste planeta.
Michael ficou em silêncio. Era um pensamento decepcionante.
— Está apenas em sua mente — disse Hunab Ku — é fazer como se estivesse tentando rolar uma pedra muito grande… Como vocês dizem?… Um seixo, no alto de uma colina muito íngreme, mas não tem que ser dessa maneira. É apenas a resistência de sua própria mente a novas idéias, novas maneiras de enxergar as coisas.
Era verdade. Michael passava por uma resistência incrível a tudo o que o xamã dizia. Era tudo tão esquisito para ele.
— Aqui, isso pode ajudá-lo a se manter concentrado, a se lembrar do objetivo de sua missão — Hunab Ku falou enquanto colocava a mão no bolso. Ele abriu a palma da mão de Michael e delicadamente colocou nela um pequeno medalhão prateado em formato de coração.
— Isso é de Laura! —Michael exclamou com tristeza.
Era o medalhão que Laura havia dado para Hunab Ku em sua caverna, exatamente antes de sua primeira tentativa em acessar a caveira de cristal.
— Ela me disse que queria que você ficasse com ele, caso não conseguisse retornar.
Houve uma pausa antes de acrescentar amavelmente:
— Parece que ela não conseguiu, então é seu.
Michael embalou em suas mãos o pequeno medalhão prateado em formato de coração e suspirou profundamente. Finalmente, fechou os olhos de modo adequado e começou a respirar fundo.
No entanto, exatamente nesse momento, o xamã avistou algo pelo canto de seu olho.
— Meu Deus! — ele disse, e os olhos de Michael se abriram, bem a tempo de ver uma van de alta segurança escoltada por duas viaturas policiais parando ao lado da entrada de escritórios da Nanon Systems.
— Merda! — Michael exclamou. Esse era o momento que ele esperava que nunca acontecesse.