O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 45
Quando Laura desceu a passarela em direção à aeronave, pensou ter ouvido Michael chamar por seu nome, mas não olhou para trás, muito embora quisesse fazê-lo. Seu coração estava sendo rasgado em dois. Parte dela queria voltar correndo e abraçá-lo, pedir desculpas por tomar posse da caveira e explicar a ele por que estava partindo. Frente a frente poderia ter conseguido tranquilizá-lo de que ficaria bem e estaria de volta em alguns dias. Ela queria se despedir apropriadamente.
— Laura Shepherd! — ela o ouviu gritar de novo. Foi necessária toda a sua força de vontade para prosseguir. Foi tão horrível escapar de seu marido como se fosse algum tipo de fugitiva, porém não podia se permitir olhar para trás. Ver Michael destruiria a frágil decisão que tomara, a de fazer o seu melhor para encontrar o restante daquela pedra profética.
Mas como conseguiria começar a explicar a Michael que se não tentasse encontrar a pedra, não honraria o fato de agora estar convencida do que sua filha queria? Ela simplesmente não podia ignorar que o seu coração dissera tratar-se de uma mensagem de sua menininha. Michael, porém, não compreenderia.
Ela sentou-se e olhou para fora da janela. Em meio a neve que caía ela pôde notar uma figura olhando para o avião através da janela do saguão de embarque. Era um homem batendo os pulsos contra o vidro, gritando. Pela silhueta não tinha certeza absoluta, mas se parecia com Michael. O que ela havia feito a ele?
Não tinha certeza sequer se ele conseguiria perdoá-la por isso. Abandoná-lo dessa forma, sem mencionar o estrago que indubitavelmente causara à sua carreira. Lágrimas faziam seus olhos arderem, e ela sentia muito remorso. Poderia bem ser o final de seu casamento.
Seus dedos instintivamente voaram para o medalhão em formato de coração que usava ao redor do pescoço. Conteve as lágrimas. Não poderia se dar ao luxo de pensar daquela forma. Levaria apenas alguns dias. Isso era tudo. “Voltarei em breve”, ela sussurrou para a figura que observava o avião. Quando retornasse, Michael e Caleb poderiam ter a caveira novamente. Eles ficariam tão agitados com as possibilidades que a posse da caveira ofereceria que Michael poderia encontrar uma maneira de superarem o incidente. Pelo menos foi assim que Laura se tranqüilizou, enquanto o avião taxiava em direção à pista.
Não suportava mais olhar para Michael. Desviou o olhar, apertou o cinto, e, ao fazê-lo, os detalhes de sua missão a atingiram com uma clareza alarmante até então desconhecida por ela. Estava partindo para uma região remota de uma floresta da América Central em busca do restante da pedra profética, mas não tinha idéia se conseguiria ou não encontrá-la. Não havia nenhuma garantia de que ela ainda estivesse lá.
Afinal de contas, parte dela já havia encontrado seu caminho até o escritório de Laura, por meio de um navio pirata moderno e do Escritório da Alfândega. Agora contava com o fato de o distanciamento de Luvantum, sua posição isolada no fundo da floresta tropical, afastada de todas as vias principais, significar que o restante da pedra havia escapado dos saqueadores. Ela depositava todas as suas esperanças nessa hipótese possivelmente cega e fantasiosa de que o resto da pedra ainda estivesse no lugar.
Assim que o avião decolou na pista com destino à Guatemala, a possibilidade de que o restante da pedra, não mais estar intacto começou a perturbar Laura. Afinal de contas, como ela poderia ter tanta certeza de que o que decifrara estava realmente lá, que era de fato uma mensagem de Alice, e não apenas algum perigoso fantasma de sua imaginação? Só o tempo diria. Até lá, teria de suportar o peso esmagador da decisão irreversível que acabara de tomar. Ela fechou os olhos e, exausta caiu no sono.