O Mistério da Caveira de Cristal

Chris Morton e Ceri Louise Thomas · Capítulo 57 de 112

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O Mistério da Caveira de Cristal

Capítulo 54

“Não entre em pânico! Não importa o que faça, não entre em pânico!” Laura tentou se acalmar. Ela fez um grande esforço para se lembrar de todo o treinamento de mergulho que havia tido tantos anos antes, quando ainda era uma jovem arqueóloga que cursava pós-graduação em Yale.

No início, decidira aprender a mergulhar precisamente porque os cenotes neste pedaço de mundo haviam historicamente revelado muitos segredos, diversos antigos tesouros maias, como a antiga urna funerária que ela mesma descobrira em uma caverna onde havia mergulhado, perto da antiga cidade maia de Coba, no Yucatã Central. Uma foto desse achado ainda enfeitava a parede de seu escritório no Museu Geográfico Smithton.

No entanto, todo o treinamento que tivera agora parecia ter acontecido muito tempo antes, como um sonho, quase irrelevante, como em outra existência totalmente distante. Ela mal conseguia se lembrar de algo agora que subitamente se encontrava nas águas gélidas e escuras do que ela temia que pudesse se tornar a própria tumba subterrânea.

Mas não conseguia deixar de notar que na água ao seu redor, clareada pelo estreito feixe de luz do dia que brilhava através do teto da caverna, havia uma bela cor turquesa. A luz penetrou profundamente nas diferentes águas escuras onde se via submersa naquele instante. Embora seu farolete estivesse ligado, ela sentiu-se, de alguma forma, guiada pela estreita coluna de água turquesa que se esparramava no abismo abaixo.

A água se tornou mais fria, e os ouvidos de Laura começaram a doer quando ela nadou para o fundo da bela piscina iluminada pelo feixe de luz do sol vindo da abertura. Ela desceu mais e mais até seu farolete iluminar as espinhas dorsais prateadas de peixes de cor pálida enquanto estes abriam caminho para ela.

No fundo da piscina, um peixe refugiou-se atrás de enormes estalactites e estalagmites que protegiam a entrada para uma passagem subterrânea comprida e escura que levava para outro lado, afastado da parte principal da piscina.

Laura sentiu como se tivesse entrado em outro mundo, um mundo bonito, mas de certas formações rochosas de calcário ameaçadoramente imensas. Muitas das estalactites e estalagmites tinham muitos metros de largura e dezenas de metros de altura. Algumas delas se estendiam desde aquele mesmo fundo da piscina até o alto da ampla caverna subterrânea semelhante a uma catedral na qual ela agora se via flutuando, como um astronauta flutuando sem gravidade olhando fixamente para alguns novos planetas encontrados que continham somente criaturas transparentes e diversos tons ondulantes de cinza.

Enquanto os peixes translúcidos se lançavam túnel abaixo e se escondiam atrás de dedos gigantes de rocha, Laura sentiu-se quase como se os peixes estivessem mostrando o caminho a ela, enquanto os seguia cada vez mais profundamente dentro da imensa passagem subterrânea incrustada com formações rochosas de calcário de todos os tipos de formatos e tamanhos.

Não percebia a suave corrente subterrânea que de fato carregava os peixes e a ela para mais longe dentro do enorme túnel inundado. Lançando o olhar para trás, tentou não entrar em pânico quando viu que o feixe de luz estreito no cenote submerso desaparecia suavemente de vista enquanto ela era carregada para um canto levemente encurvado da passagem.

Enquanto isso, acima do nível da água, na câmara do cenote, assim que a luz do farolete de Laura desapareceu de vista por baixo das águas que se encontravam em posição inferior, Carlos virou-se para ver três dos soldados aparecendo na entrada da caverna. Suas armas estavam levantadas e prontas para atirar. Eles o miraram quase imediatamente. Sem argumentar, Carlos colocou as mãos sobre a cabeça e se levantou.