O Mistério da Caveira de Cristal

Chris Morton e Ceri Louise Thomas · Capítulo 61 de 112

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O Mistério da Caveira de Cristal

Capítulo 58

De volta ao interior da pirâmide, a questão para Laura era se a câmara que acabara de descobrir continha ou não o que ela tinha vindo de tão longe para encontrar.

Suas mãos tremiam enquanto virava sua lanterna para a outra extremidade da tumba. Era para isso que ela havia viajado para tão longe, pelo que havia se arriscado tanto. Ela mal conseguia suportar olhar, com receio de que tivesse sido removida ou de alguma maneira destruída. Mas assim que levantou o feixe de luz do solo, lá estava. O imenso pedaço circular de calcário iluminou-se em toda sua glória intricadamente esculpida. A magnífica entrada de pedra profética que lá se encontrava há milênios estava com suas dobradiças gigantes abertas, exatamente como aparecia na fotografia de Anna Crockett-Burrows.

Laura estava atônita. Ela simplesmente não conseguia acreditar em sua sorte. Finalmente encontrara o que estava procurando. Além do pedaço de pedra que ela já sabia faltar e a rigorosa erosão hídrica pela qual esperava, a pedra pareceu, por outro lado, ter sobrevivido intacta. Laura estava encantada.

Enquanto isso, no entanto, no lado externo da pirâmide, o grupo de soldados chegou ao topo dos degraus. Assim que a escuridão caiu e a lua ergueu-se no céu, eles entraram no pequeno templo no ponto mais alto. Aquele seria seu posto para a noite.

O templo pouco tinha visto de restauração desde que Frederick Crockett-Burrows e seu grupo descobriram o sítio arqueológico, cerca de cem anos antes. As trepadeiras originais, agora mortas em virtude dos golpes de facão, ainda estavam presas às paredes escondendo muitas inscrições que outrora decoravam este lugar sagrado.

Enquanto olhavam ao redor do templo, com os faroletes iluminando o que sobrava dos antigos escritos, um dos soldados mais velhos confirmou o que todos os demais estavam pensando:

— Ella no esta (Ela não está aqui).

Fatigado da subida de degraus, ele deixou escapar um suspiro e sentou-se na pedra em formato de jaguar que surpreendentemente servia bem como um banco confortável. E acendeu um cigarro. Seus colegas sentaram-se próximos a ele e se uniram na pausa improvisada para fumar.

Mas um soldado jovem particularmente interessado levantou-se e, com o farolete à mão, vagou para a parte de trás do templo. Ele não conseguia compreender por que seus colegas se contentavam em simplesmente ficar à toa quando tinham uma tarefa a eles atribuída. Esta era sua grande chance. Ele queria ser aquele que encontraria a joia roubada. Ele estava na pista de pouso quando o homem chegara de helicóptero e tomou conhecimento de que os legítimos proprietários da caveira estavam dispostos a pagar generosamente por seu retorno.

Ele reluziu a luz de sua lanterna nas escadarias de madeira que conduziam através do grande buraco no chão do templo até a câmara exposta abaixo. Esta era a câmara na qual a jovem Anna Crockett-Burrows havia caído no dia fatídico em que foi encontrada a caveira de cristal.

— Me voy abajo a ver (Descerei para dar uma olhada) — ele disse enquanto descia a íngreme escada e respirava profundamente antes de entrar na outrora passagem secreta que conduzia às profundezas do coração da pirâmide.

De volta ao interior da câmara, Laura virou-se para reaver a caveira de cristal que ainda pendia em sua mochila embaixo de si. Quando puxou a corda, sentiu certa resistência, então puxou com mais força. Ao fazê-lo, ouviu um som parecido com algo que estivesse sendo cortado. Ela espiou abaixo, para dentro da abertura, para ver que a mochila barata havia rasgado ao longo de uma costura, a qual havia se prendido em uma estalactite, e a caveira agora estava visivelmente se projetando para fora da bolsa, balançando na borda do tecido rasgado e quase caindo. Um movimento em falso ou manobra descuidada enviariam a caveira derrubada ao centro do cenote que se encontrava embaixo. Ela provavelmente nunca a veria novamente.

Isso era tudo o que ela precisava. Sem a caveira sua missão terminaria. Ela não conseguiria traduzir os hieróglifos que faltavam. Não se daria ao luxo de perdê-la agora.

Assim que começou a puxar a bolsa lentamente em sua direção, a caveira balançou para frente e para trás sobre a água escura, como um pêndulo gigante marcando a passagem de tempo. Ela esperou até a bolsa parar de balançar, e então puxou a corda cautelosamente, avançando lentamente a mochila rasgada para cima através da abertura, em sua direção.

Laura finalmente conseguiu agarrar a bolsa e apanhar a caveira quando ela já estava quase caindo.

Extremamente aliviada, desenganchou a corda e libertou a caveira dos restos da mochila. Ao fazê-lo, pensou ter ouvido um barulho vindo de algum lugar acima. Pausando por um momento com a caveira nas mãos, ela ouviu de modo atento. Não conseguiu ouvir nada. Pensando que tivesse sido imaginação, partiu com a caveira em direção à extremidade oposta da câmara.

Ao fazê-lo, vislumbrou o altar esculpido em pedra próximo ao final da câmara através do prisma transparente da caveira. Ela estava quase tentada a pegar o objeto e colocá-lo exatamente no altar de onde tinha vindo originalmente, esperando pela gloriosa luz da manhã para adentrar na coluna dos espíritos atrás dele e tocá-lo, preencher a câmara de luz, exatamente como Anna Crockett-Burrows havia descrito em seu diário. Mas não havia tempo para tais luxos. Tinha alguns hieróglifos para traduzir.

Então ela se virou e carregou a caveira cuidadosamente para baixo, à outra extremidade, em direção ao antigo portal de pedra profética, com suas dobradiças gigantes abertas, guardando a entrada para a tumba vindo da passagem e da “escadaria secreta” do outro lado.

O portal de pedra tinha aparência magnífica, mesmo com a luz de seu singelo farolete. Quando Laura ficou diante dele admirando sua beleza, foi preenchida com uma sensação de respeito. Foi por isso que a pedra a havia trazido até lá, o motivo pelo qual tinha vindo de tão longe, por que ela havia se arriscado tanto. E agora lá estava, bem à sua frente, claro como o dia.

Ela esticou o braço até o portal, como se estivesse hipnotizada, incapaz de acreditar em sua boa sorte. Era como se ela se sentisse forçada a verificar se não estava apenas imaginando, que não se tratava simplesmente de um fruto de sua imaginação, uma ilusão desesperada, alguma alucinação fantasiosa.

Seus dedos tocaram um dos hieróglifos belamente esculpidos que decoravam o rosto de uma placa de pedra imensa e circular. O velho calcário estava surpreendentemente frio ao toque e mais áspero do que ela esperava, mas à medida que seus dedos traçavam com suavidade os contornos do glifo, ela se viu tranqüila.

Ela reconheceu o estilo distinto dos glifos e conseguiu claramente distinguir o contorno agora familiar de seu naco de pedra faltante pelo pedaço que ainda se encontrava em sua mesa no museu Geográfico Smithton. Era definitivamente isso. Tinha vindo ao lugar certo. Havia finalmente encontrado a pedra que tão desesperadamente procurava.

A pergunta era, sem dúvida, o que dizer?

Havia chegado o momento de Laura descobrir.