O Mistério da Caveira de Cristal
Capítulo 73
Houve um momento de silêncio atordoante, como se todos tentassem compreender o que havia acabado de acontecer.
— Deve apenas fazer parte de sua psicose — Dr. Bacher começou, mas Michael imediatamente se pôs em pé, correndo para a porta da sala de observação. No entanto, ela havia sido trancada para impedir a entrada de quaisquer pacientes que perambulassem. Bateu nela, amedrontado.
— Deixe-me sair daqui! — gritava enquanto olhava fixamente para o corpo jogado de sua esposa. — Faça alguma coisa. Ajude-a! Ajude-a! — gritou.
— Sinto muito — Dr. Bacher começou.
— Apenas deixe a porta aberta! — Michael gritou. Bacher atrapalhava-se com as chaves no que pareceu levar uma hora até que ele abrisse a porta. Voando para fora da sala de observação e pelo corredor, um atendente havia acabado de destrancar a sala de diagnósticos. Michael irrompeu pela porta e correu até Laura para ajudá-la. Tirando os guardas estúpidos do caminho, ele pegou o peso morto de Laura nos braços e a balançou para tentar trazê-la de volta.
— Acorda! Laura! Acorda! — gritou alto, porém ela não respondeu.
Verificou seu pulso, mas não conseguiu sentir nada.
Quando Bacher e Caleb chegaram à porta, ele bradou:
— Chamem uma ambulância! Alguém, por favor! Chame uma ambulância!
Suas palavras pareceram ecoar por toda a Warnburton, quando ele começou desesperadamente a tentar ressuscitá-la. Assim que começou a administrar desajeitadamente o beijo da vida, sentiu-se mal. Sua mente tornou-se um borrão de imagens giratórias, como se estivesse assistindo a tudo em um filme, passado em velocidade acelerada, acontecendo com outra pessoa.
A próxima coisa que soube era que estava no fundo de uma ambulância, sirene barulhenta. Ele estava inclinado sobre Laura. Seu rosto parecia de um pálido mortal.
Ele implorou:
— Fale comigo, Laura! Por favor, fale comigo! Mas não houve qualquer resposta.
Um paramédico apareceu ao lado de Michael e colocou uma bolsa e uma máscara sobre o nariz e a boca da mulher, a fim de tentar administrar oxigênio. Ele começou a bombear o respirador de modo vigoroso, antes de virar para o colega com um tom preocupado:
— Estou encontrando resistência. Rápido! Dê a sucção para mim!
O paramédico removeu a bolsa e a máscara, e, assim que seu colega lhe passou o equipamento de sucção, a mente de Michael retornou para dois anos antes, debruçado sobre Alice, quando ela também era levada às pressas inconsciente para o hospital, no fundo de uma ambulância.
Mas, naquela época, Laura estava ao seu lado. Ele observava Alice, com quatro anos de idade, a cor deixando suas bochechas, enquanto os paramédicos forçavam um tubo de sucção em sua pequenina traqueia, para tentar remover o bloqueio. Michael estava segurando a mão de Alice, na tentativa de tranquilizá-la.
— Está bem, Alice, você ficará boa.
Porém ela não ficaria boa. Momentos depois, o paramédico virou-se para seu colega e sussurrou:
— Não está nada bom. Não consigo remover. Ela precisa de cirurgia.
Ele não conseguia suportar pensar a respeito. Ele havia perdido sua linda e pequena Alice, mas não perderia Laura, ela ficaria boa, precisava ficar. Ele queria pegá-la, abraçá-la, dizer que ela conseguiria, mas os paramédicos ainda estavam rodeando, controlando, monitorando, certificando-se de que o oxigênio era sendo bombeado para seu sistema.
Minutos depois, a ambulância chegou, luzes lampejando no escuro, na entrada de emergência e acidentes do hospital.
Uma equipe de médicos correu para encontrá-la, e o paramédico gritou:
— Rápido! Leve-a para a ressuscitação.
O carrinho de Laura voou pelas portas duplas da entrada de emergência e acidentes, enquanto a equipe deslocava a maca para dentro do hospital, com o paramédico ainda tentando bombear oxigênio para o tubo de ventilação inserido garganta abaixo de Laura. Michael correu atrás do octópode que era a equipe médica, e, naquele momento, equipamentos lotavam a região em torno da maca de Laura, e seu rosto parecia uma máscara congelada de incompreensão e medo.
O carrinho finalmente parou na sala de ressuscitação. O médico que comandava rasgou o avental branco e limpo da Warnburton que ela vestia, abrindo-o, enquanto os enfermeiros afixavam eletrodos de eletrocardiograma freneticamente em seu peito, e o tubo de oxigênio em sua garganta fora substituído por outro ligado a um ventilador automático, enquanto ela rapidamente era ligada a uma máquina completa de suporte à vida.
Uma enfermeira mais velha tentou levar Michael para fora da área reservada.
— Sinto muito, senhor, não nos ajuda a fazer nosso trabalho se você ficar em pé aqui. Por favor, aguarde no lado de fora.
Michael se recusou a sair.
— Ela é minha esposa, pelo amor de Deus — ele respondeu furiosamente.
— Por favor, só por alguns momentos — ela solicitou.
Michael conseguia apenas ter um vislumbre de Laura através do mar de pessoas ocupadas ao redor dela.
— Terei que chamar a segurança — a enfermeira mais velha disse com firmeza, tentando puxar a cortina de plástico azul ao seu redor.
Mas Michael não a ouviu, não deu a ela nenhuma importância. Ele estava em estado de choque enquanto olhava fixamente para sua esposa.
— Senhor! — a enfermeira mais velha levantou a voz. — Eu terei que chamar a segurança.
Naquele momento, um som de bipe terrível e muito alto começou a emanar do osciloscópio, e todos se viraram para observar o monitor cardíaco. Agora até Michael conseguia ver que os batimentos cardíacos de Laura começavam a ficar irregulares de um lado a outro da tela.
Um dos médicos gritou alto:
— Estamos perdendo-a! — e outro imediatamente começou a executar manualmente ressuscitação cardiopulmonar, pressionando todo o peso de seu corpo sobre o peito dela, com os braços esticados, as palmas das mãos cruzadas e os cotovelos travados, tentando administrar compressões no peito. Outro médico começou a injetar uma dose de adrenalina na veia do dorso da mão de Laura, e o monitor cardíaco começou a fazer, mais uma vez, som de bipe com alguma normalidade aparente.
Um dos médicos exclamou:
— Graças a Deus, ela está estabilizando!
Michael nunca tinha se sentido tão aliviado em sua vida.
Ele sentou-se perto da esposa, segurando sua mão enquanto ela permanecia imóvel na maca em que havia chegado. Apenas uma fina cortina a separava de todos os outros que haviam dado entrada na ala de emergência e acidentes e também aguardavam tratamento. Ele se sentou lá entorpecido de choque, incapaz de acreditar que as coisas pudessem ter dado tão terrivelmente errado. Ali estava Laura, sua bela mulher, repousando no hospital, meio morta, inconsciente.
Continuou esperando que um médico chegasse, para soltar todos os fios ligados a ele e dizer: “É isso. Tudo está bem, ela pode ir agora”, e Laura sorriria e se levantaria, dizendo: “Vamos para casa, Michael”, como se tudo tivesse sido um sonho ruim, um pesadelo terrível do qual eles logo acordariam em segurança. Porém, aquele pesadelo era real.