Um Curso de Cálculo, Volume 4
3.2 Critérios de comparação e do limite
6. a) Supondo α > 0, calcule a soma da série onde
b) Utilizando o critério de Cauchy-Fermat, conclua (resultado que
você já conhece) que a série harmônica de ordem α, , é
convergente para α > 1 e divergente para α ≤ 1.
7. Utilizando o critério de Cauchy-Fermat, com E = e, estude as séries a
seguir com relação a convergência e divergência, onde α > 0 é um real dado.
3.2. CRITÉRIOS DE COMPARAÇÃO E DO LIMITE
Critério de comparação. Sejam as séries
Suponhamos que exista um natural p tal que, para todo k ≥ p, 0 ≤ a k ≤ b . Nestas condições, tem-se: k
Demonstração
(i)
Como, para todo k ≥ p, b ≥ 0, a sequência k
é crescente. Daí e pelo fato da série ser convergente resulta, para
todo n ≥ p,
Como, para todo k ≥ p, 0 ≤ a ≤ b , resulta que a sequência k k
é crescente e, para todo n ≥ p.
Segue que a sequência é convergente, ou seja, a série é
convergente. Logo, é também convergente.
(ii) Fica a cargo do leitor.
■
EXEMPLO 1. A série é convergente ou divergente?
Justifique.
Solução
Para todo k ≥ 1,
(Lembrete: para todo
Como é convergente, pois trata-se de uma série harmônica de
ordem 2, segue do critério de comparação que é convergente. Isto significa que existe um número s tal que
Já vimos que
Como segue que s é um número
compreendido entre sen 1 e 2.
■
EXEMPLO 2. A série é convergente ou divergente?
Justifique.
Solução
Para todo k ≥ 1,
e, portanto, para todo k ≥ 1,
Segue que, para todo k ≥ 1,
Como (série harmônica de ordem 1) resulta
e, portanto, a série é divergente.
■
Observação. significa, como já sabemos, que
daí
ou seja,
Do mesmo modo, prova-se que se
então,
onde α é um real dado.
EXEMPLO 3. A série é convergente ou divergente? Justifique.
Solução
Sendo a série é divergente. Como para todo k ≥
1,
EXEMPLO 4. A série é convergente ou divergente? Justifique. Solução
Para todo n ≥ 1,
Pelo critério de comparação, é convergente. Observe que a soma
desta série é um número s compreendido entre
■
EXEMPLO 5. A série é convergente ou divergente?
Justifique.
Solução
Temos:
Tomando-se existe um natural p tal que
para todo k ≥ p. Segue que, para todo k ≥ p,
Ou seja, para todo k ≥ p,
Como a série é convergente (série harmônica de ordem 3) segue
que
é convergente.
■
EXEMPLO 6. Suponha que Suponha, ainda, que Prove
Solução
a) Por hipótese, Tomando-se então, existe um
natural p tal que, para todo k ≥ p,
Multiplicando por vem
ou
para todo k ≥ p. A convergência de segue por comparação com a
série harmônica b) Se α ≥ 1, a série será divergente, pois, para todo k ≥ p,
e é divergente.
■
Observação. Seja a série O exemplo anterior conta-nos que se
se , real, então a série tem o mesmo
comportamento que a série harmônica
EXEMPLO 7. A série é convergente ou divergente?
Justifique.
Solução
Temos
Como a série é divergente. (Veja exemplo anterior.)
■
O critério que vimos no Exemplo 6 é um caso particular do critério do limite, que veremos a seguir.
Critério do Limite. Sejam duas séries, com a > k
0 e c > 0, para todo k ≥ q, onde q é um natural fixo. Suponhamos k
que
Então
Demonstração a) De e real, segue que tomando-se existe um
natural p, que podemos supor maior que q, tal que
ou seja
Segue do critério de comparação que ambas são convergentes ou ambas divergentes.
b) De segue que tomando-se = 1, existe um natural p,
que podemos supor maior que q, tal que
e, portanto,
Segue do critério de comparação que se for divergente, então
também será.
c) De segue que tomando-se = 1, existe um natural p, que
podemos supor maior que q, tal que
ou seja
Portanto, se for convergente, então também será.
■
EXEMPLO 8. A série é convergente ou divergente? Justifique.
Solução
A série é convergente, pois trata-se de uma série geométrica
de razão
Façamos
Termos
Pelo critério do limite, a série dada é convergente. Poderíamos, também,
ter utilizado a série harmônica como série de comparação. Neste
caso, teríamos
Pelo critério do limite, conclui-se que a série dada é convergente.
■
Observação. O sucesso na utilização do critério do limite está
exatamente na escolha adequada da série de comparação. Em muitos
casos, as séries harmônicas ou as séries geométricas desempenham muito bem este papel.
EXEMPLO 9. A série é convergente ou divergente? Justifique.
Solução
Vamos tomar como série de comparação a série harmônica
Temos
Então,
Pelo critério do limite a série dada é divergente. (Observe que se
tomássemos como série de comparação a harmônica convergente
teríamos, também,
Entretanto, neste caso, o critério do limite não nos forneceria informação alguma sobre a convergência ou divergência da série dada. Confira.)
■
EXEMPLO 10. A série é convergente ou divergente?
Justifique.
Solução
Como a série tem chance de ser convergente.
Vamos tomar como série de comparação a harmônica convergente
Temos
Então,
Pelo critério do limite, conclui-se a convergência da série dada. (Sugerimos ao leitor concluir a convergência da série pelo critério estabelecido no Exemplo 6.)
■
Exercícios 3.2
1. É convergente ou divergente? Justifique.
2. Considere a série como a ≥ 0, para todo k. Suponha k
Prove que se então será
convergente. (Sugestão: Utilize o critério do limite.)
3. Seja λ > 0 um real dado. A série é convergente ou
divergente? Justifique.
4. Considere a série com a ≥ 0 para todo k. Suponha que k
Prove que se então a série
será divergente. (Sugestão: Utilize o critério do limite.)
5. Seja γ > 0 um real dado. Prove
6. É convergente ou divergente? Justifique.
7. Verifique que as séries abaixo são convergentes. Justifique.
8. Mostre que as séries dadas são convergentes.
(Sugestão: Para mostrar a convergência de b utilize a desigualdade ln x < x − 1.)
9. Verifique que
10. Seja −1 < α < 0 um real dado. Mostre que
(Sugestão: Utilize o critério do limite com
11. Seja −1 < α < 0 um real dado.
a) Utilizando o Exercício 10, conclua que
b) Mostre que
(Sugestão: Verifique que