Um Curso de Cálculo, Volume 4
Apêndice 1 Teorema de existência e unicidade para equação diferencial de 1ª ordem do tipo y' = f (x, y)
Apêndice
1
TEOREMA DE EXISTÊNCIA E
UNICIDADE PARA EQUAÇÃO
D a IFERENCIAL DE 1. ORDEM DO
TIPO y' = f (x, y)
A1.1. PRELIMINARES
Lema 1. Seja a equação
onde f : Ω 2 ⊂ → é contínua no aberto Ω. Seja (x , y ) ∈ Ω.
0 0
Nestas condições, y = y (x), x ∈ I, será uma solução satisfazendo a condição inicial y (x ) = y , com x no intervalo I, se, e somente se, 0 0 0
para todo x ∈ I.
Demonstração
Se y = y (x), x ∈ I, é solução de , então
y' (x) = f (x, y (x))
para todo x em I. Como estamos supondo y (x ) = y , vem 0 0
para todo x em I. Reciprocamente, se
então teremos
y (x ) = y 00
e, pelo teorema fundamental do cálculo,
Lema 2. Seja f : Ω 2 ⊂ → , Ω aberto, uma função contínua e tal
que seja, também, contínua em Ω. Seja (x , y ) ∈ Ω. Sendo Ω 0 0 aberto, existem a > 0 e b > 0 tais que o retângulo
Q = {(x, y) | x − a ≤ x ≤ x + a, y − b ≤ y ≤ y + b} 0 0 0 0
está contido em Ω. Nestas condições, existe uma constante K > 0 tal que
| f (x, y ) − f (x, y ) | ≤ K | y − y | 1 2 1 2
quaisquer que sejam (x, y ) e (x, y ) no retângulo Q. 1 2
Demonstração
Da continuidade de em Ω, segue a continuidade no retângulo Q;
pelo teorema de Weierstrass, existe uma constante K > 0 tal que
para todo (x, y) em Q. Sejam (x, y ) e (x, y ) dois pontos quaisquer de Q. 1 2 Temos, pelo TVM,
para algum s entre y e y . Assim, 1 2
Lema 3. Seja f : Ω 2 ⊂ → , Ω aberto, contínua e seja (x , y ) ∈
0 0
Ω. Sejam a > 0 e b > 0 tais que o retângulo
Q = {(x, y) | x − a ≤ x ≤ x + a, y − b ≤ y ≤ y + b} 0 0 0 0
esteja contido em Ω. Seja M > 0 tal que
| f (x, y) | ≤ M, em Q.
(Tal M existe, pois f é contínua em Q.) Seja r > 0, tal que
r ≤ a e Mr ≤ b.
Seja y = y (x), x − r ≤ x ≤ x + r, contínua e cujo gráfico esteja n−1 n−1 0 0 contido em Q; seja
y = y (x), x − r ≤ x ≤ x + r, n n 0 0
dada por
Nestas condições, o gráfico de y = y (x) também está contido em n n Q.
Demonstração
Para provar que o gráfico de y está contido em Q, é suficiente provar n que
| y (x) − y | ≤ b n 0
para todo x ∈ [x − r, x + r]. 0 0
Temos, para todo x ∈ [x − r, x + r], 0 0
e, portanto,
Como, para todo s ∈ [x − r, x + r], 0 0
(s, y (s)) ∈ Q, n−1
resulta
| f (s, y (s)) | ≤ M n−1
para todo s ∈ [x − r, x + r]. Logo, 0 0
para todo x ∈ [ x − r, x + r]. Daí, para todo x ∈ [ x − r, x + r ], 0 0 0 0
| y (x) − y | ≤ M | x − x | n 0 0
e, portanto,
Sejam f : Ω 2 ⊂ → , r > 0 e (x , y ) como no lema anterior.
0 0
Consideremos a função constante
y (x) = y , x ∈ [x − r, x + r]. 0 0 0 0
A função y (x) = y é contínua e seu gráfico está contido em Q. 0 0
Consideremos, agora, a sequência de funções (y (x)) definidas em [x − r, n n ≥ 0 0 x + r] e dadas por 0
y (x) = y 0
e