Um Curso de Cálculo, Volume 4
11.3 Equações direnciais lineares, com coeficientes constantes, de ordens 3 e 4
COEFICIENTES CONSTANTES, DE ORDENS 3
E 4
Consideremos a equação diferencial linear de 3. a ordem, homogênea, com coeficientes constantes,
onde a , a e a são reais dados. Sejam λ , i = 1, 2, 3, as raízes, reais ou 1 2 3 i complexas, da equação característica
No Apêndice 1 do Vol. 2, vimos que a solução geral de é
Como estamos supondo a , a e a reais, segue que se admitir a raiz 1 2 3 complexa α + iβ, admitirá, também, a complexa conjugada α − iβ,
(verifique). Supondo que λ seja a raiz real, a solução geral será, então, 1
x = Ae λ (α − ) + B e(α + iβ)t + c e . 1t iβ t
1 1
Pela relação de Euler
B (α + ) αt e + C e(α − iβ)t = e [B cos βt + C sen βt], iβ t
1 1
onde B = B + C e C = i(B − C ). Portanto, a solução geral será 1 1 1 1
x = Ae λ α 1 t t + e [B cos βt + C sen βt].
Da mesma forma resolvem-se as equações lineares, homogêneas, com coeficientes constantes, de ordem n > 3. (Verifique.)
EXEMPLO 1. Determine a solução geral da equação
Solução
A equação característica é
λ3 − 1 = 0.
Como λ3 2 − 1 = (λ − 1) (λ + λ + 1), a equação acima é equivalente a
A equação característica tem a raiz real 1 e as complexas
A solução geral será, então, EXEMPLO 2. Determine a solução geral de
Solução
A equação característica é
λ3 2 − λ − λ + 1 = 0,
cujas raízes são 1 (raiz dupla) e − 1. (Por inspeção, verifica-se que 1 é raiz; dividindo o 1.° membro por λ − 1, obtemos:
λ3 2 2 2 − λ − λ + 1 = (λ − 1)(λ − 1) = (λ − 1)(λ + 1).)
A solução geral será, então,
EXEMPLO 3. Determine a solução geral de
Solução
A equação característica é
λ 3 2 + 2λ = 0,
cujas raízes são 0 (raiz dupla) e −2. A solução geral será, então,
EXEMPLO 4. Determine a solução geral de
Solução
A equação característica
λ3 2 − 3λ + 3λ − 1 = 0
admite a única raiz real 1 (raiz tripla). A solução geral será, então,
Consideremos, agora, a equação de 4.a ordem
onde a , a , a e a são reais dados. Sejam λ , i = 1, 2, 3, 4 as raízes, reais ou 1 2 3 4 i complexas, da equação característica
λ4 3 2 + a λ + a λ + a λ + a = 0.
1 2 3 4
Com procedimento análogo aos casos anteriores prova-se que a solução geral de será:
x = Aeλ λ λ λ 1t t t t 2 + Be + Ce + De 3 4
se as raízes forem distintas duas a duas;
Utilizando-se a relação de Euler, verifica-se que se a equação característica admitir as raízes reais distintas λ , λ e as complexas α ± iβ, 1 2 então a solução geral será
x = Ae λ λ α 1 t t t + Be + e [C cos βt + D sen βt]; 2
evidentemente, se λ = λ , então 1 2
x = eλ αt [A + Bt] + e [C cos βt + D sen βt]. 1t
Se a equação característica admitir as raízes complexas teremos
x = eαt [A cos βt + B sen βt] + e [C cos γt + D sen γt]. δt
Deixamos a seu cargo pensar como será a solução geral no caso em que uma raiz complexa é dupla. (Veja Exemplo 7.)
EXEMPLO 5. Uma partícula de massa m = 1 desloca-se no plano sob a ação da força
Sabe-se que no instante t = 0 a partícula encontra-se na posição (0, 0) e que, neste instante, sua velocidade é . Determine a posição da
partícula no instante t.
Solução
Pela segunda Lei de Newton devemos ter
Derivando a 2. a equação duas vezes em relação ao tempo, obtemos
Tendo em vista a 1.ª equação, resulta
que é uma equação diferencial linear, homogênea, com coeficientes constantes e de 4.a ordem. A equação característica de é
λ4 − 1 = 0,
que é equivalente a
(λ2 2 − 1)(λ + 1) = 0,
cujas raízes são: ±1 e ±i. A solução geral de é, então,
Pela relação de Euler
eit = cos t + i sen t
e
e−it = cos t − i sen t.
Segue que
y = Ae −t + Be + C cos t + D sen t, t
onde C = C a + D e D = i (C − D ). Como x = (2. equação de ), resulta
1 1 1 1
x = Aet −t + Be − C cos t − D sen t,
Para que as condições iniciais sejam satisfeitas, devemos ter
Resolvendo este sistema, obtemos
Assim,
fornece-nos a posição da partícula no instante t. Como
resulta
onde sh t é o seno hiperbólico de t. (Veja Vol. 2.) Sugerimos ao leitor tentar fazer um esboço da trajetória descrita pela partícula!
■
Antes de passarmos ao próximo exemplo, vejamos como se resolve a equação
λ4 + 16 = 0.
As raízes desta equação são todas complexas e de módulo .
Os números complexos de módulo 2 são da
forma
2 (cos θ + i sen θ), 0 ≤ θ < 2 π.
Como eiθ = cos θ + i sen θ, resulta
2ei = 2 (cos θ + i sen θ). θ
Vamos, então, determinar θ de modo que 2eiθ seja raiz da equação dada. Devemos ter
(2e 4 ) = − 16, iθ
que é equivalente a
e4 = −1, iθ
ou ainda
cos 4θ + i sen 4θ = −1.
Basta, então, determinar θ, 0 ≤ θ < 2π, tal que
cos 4θ = − 1.
Temos:
cos 4θ = − 1 ⇔ 4θ = 2kπ + π.
Como θ [0, 2π[, resulta
As raízes da equação λ4 + 16 = 0 são:
EXEMPLO 6. Determine a solução geral de
Solução
A equação característica é
λ4 + 16 = 0,
cujas raízes, como vimos acima, são:
Segue que a solução geral da equação dada é
ou
EXEMPLO 7. Determine a solução geral de
Solução
A equação característica é
λ4 2 + 2λ + 1 = 0.
Como
λ4 2 2 2 2 2 + 2λ + 1 = (λ + 1) = (λ + i) (λ − i),
segue que i e − i são raízes duplas. A solução geral da equação dada é então
x = A eit + B teit + C e−it + D te−it, 1 1 1 1
ou seja,
x = A − it −it e + C e + t[B e + D e ]. it it
1 1 1 1
Logo,
Exercícios 11.3
1. Determine a solução geral
2. Considere no plano um campo de forças conservativo (x, y), com
energia potencial
isto é, . Uma partícula de massa m = 1 é
abandonada na posição (1, 1), com velocidade nula. Determine a posição da partícula no instante t.
3. Uma partícula de massa m = 1 desloca-se no plano sob a ação da
força
Sabe-se que no instante t = 0 a partícula encontra-se na posição (−2, 0) e que, neste instante, a sua velocidade é (−1, 1). Determine a posição da partícula no instante t.
4. Considere no plano um campo de forças conservativo (x, y), com
energia potencial
U (x, y) = x2 2 + xy + y,
isto é, . Uma partícula é abandonada na posição (1, 1)
com velocidade nula. Seja
a posição da partícula no instante t.
a) Prove que, para todo t ≥ 0,
Conclua que a partícula permanece na região x2 2 + xy + y ≤ 3, para todo t ≥ 0. Que tipo de região é esta?
b) Determine a posição da partícula no instante t > 0.
(Sugestão para o item a: Verifique que a derivada, em relação a t, do 1.° membro é zero, para todo t ≥ 0.)
5. Considere no plano um campo de forças conservativo (x, y), com
energia potencial
U(x, y) = xy.