Um Curso de Cálculo, Volume 4
10.4 Equações lineares de 1.ª ordem
de 10 m/s2. (Lembre-se de que o peso do corpo é o produto de sua massa pela aceleração gravitacional.)
6. A reta tangente ao gráfico de y = f(x), no ponto (x, y), intercepta o
eixo y no ponto de ordenada xy. Determine f sabendo que f(1) = 1.
7. Determine a curva que passa por (1, 2) e cuja reta tangente em (x, y)
intercepta o eixo x no ponto de abscissa .
8. Um corpo de massa 2,5 kg cai do repouso e as únicas forças atuando
sobre ele são o seu peso e uma força de resistência igual ao quadrado da velocidade. Qual a velocidade no instante t? Suponha que a aceleração gravitacional seja de 10 m/s 2.
9. Para todo a > 0, o gráfico de y = f(x) intercepta ortogonalmente a
curva x 2 2 + 2y = a. Determine f sabendo que f(1) = 2.
10. Para todo a > 0, o gráfico de y = f(x) intercepta ortogonalmente a
curva xy = a, x > 0. Determine f sabendo que f(2) = 3.
11. Determine uma curva que passa pelo ponto (0, 2) e que goza da
seguinte propriedade: a reta tangente no ponto (x, y) encontra o eixo x no ponto A, de abscissa positiva, de tal modo que a distância de (x, y) a A seja sempre 2.
10.4 EQUAÇÕES LINEARES DE 1.ª ORDEM
Uma equação diferencial linear de primeira ordem é uma equação do tipo
onde f(x) e g(x) são funções contínuas definidas num mesmo intervalo I. Se g(x) = 0 em I, então diremos que é uma equação linear homogênea de 1.ª ordem.
EXEMPLO 1. é linear de 1.ª ordem; aqui f(x) = x e g(x) = 1.
Esta equação é linear mas não homogênea.
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EXEMPLO 2. é linear de 1.ª ordem e é, também, de variáveis
separáveis; aqui f(t) = t 2 e g(t) = 0. Trata-se, ainda, de uma equação linear homogênea de 1.ª ordem, pois, g(t) = 0 para todo t.
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EXEMPLO 3. sen x não é linear e tampouco de variáveis
separáveis.
Se g(x) = 0 em I, teremos a equação linear homogênea que é,
também, uma equação de variáveis e cuja solução é
EXEMPLO 4. Resolva a equação . Solução
Trata-se de uma equação diferencial linear e, também, de variáveis separáveis. Separando as variáveis, integrando e observando que a função constante y = 0 é, também, solução, obtemos a solução geral
A seguir, vamos destacar a fórmula para o cálculo das soluções de .
Fórmula para as soluções de uma equação diferencial linear de
1.ª ordem
As soluções da equação
são dadas pela fórmula
onde as integrais indicam primitivas particulares dos integrandos.
Para chegar a esta fórmula, vamos olhar primeiro para a equação homogênea , cuja soleção, como saemos, e, como k
é uma constante, isto significa que a derivada do quociente é zero.
Calculando a derivada deste quociente, observase que a razão do zero é o aparecimento no numerador, após simplificação, da expressão y′ − f(x)y. Então, se supusermos y = y(x) solução de y′ = f(x)y + g(x), no numerador deverá aparecer g(x), pois, neste caso, y′ f(x)y = g(x). Vamos conferir? Sendo, então, y = y(x) solução de y′ = f(x)y + g(x) teremos, também, y′ − f(x)y = g(x). Temos
ou seja,
Integrando, resulta
e portanto,
onde as integrais indicam primitivas particulares dos integrandos.
EXEMPLO 5. Resolva a equação . Qual a solução que satisfaz
a condição inicial y(0) = 5?
Solução
Trata-se de uma equação linear onde f(x) = 3 e g(x) = 4. As soluções são então dadas pela fórmula
ou seja,
De , resulta
Para que tenhamos y(0) = 5, k deverá satisfazer a equação , ou
seja, . Assim, a solução satisfaz a condição dada.
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Esqueceu a fórmula? Caso tenha esquecido a fórmula, proceda do seguinte modo. A solução da equação . Construamos, agora, o
quociente . Derivando este quociente e supondo que y = y(x) seja
solução da equação dada, vem
Integrando, obtemos
Cuidado. Tudo isso funciona bem porque a equação é linear!!
O próximo exemplo mostra como a equação diferencial linear se relaciona com a matemática financeira.
EXEMPLO 6. Certa pessoa faz hoje uma aplicação de R$5.000,00 em uma instituição financeira que remunera o capital aplicado de acordo com a equação , onde C = C(t) é o valor da aplicação no instante t,
sendo t dado em meses e C em reais. Observe que o capital C está variando a uma taxa que é proporcional ao valor do capital no instante t, sendo
0,02 o coeficiente de proporcionalidade.
a) Qual o valor do capital aplicado no instante t? b) Qual o valor da aplicação daqui a um mês? E daqui a 2 meses? c) Qual a taxa mensal de juros compostos que a instituição financeira está
pagando?
d) Interprete o coeficiente de proporcionalidade 0,02.
Solução
a) É uma equação linear e, também, de variáveis separáveis. Integrando,
obtemos
Como o valor da aplicação realizada hoje foi de R$5.000,00, segue que C(0) = 5.000.
Deste modo, C = 5.000 e0,02 será o valor da aplicação no instante t. t
b) Para t = 1, C = 5.000 e 0,02 0,02 = 5.101, 00670015, pois e ≅ 1,02020134, logo o valor da aplicação daqui a 1 mês será de R$5.101,01. E daqui a dois meses teremos C = 5.000 e0,04, ou seja, C = 5.204,05. Assim, daqui a 1 mês o valor da aplicação será de R$5.101,01 e daqui a dois meses o valor será de R$5.204,05.
c) Como segue que a taxa de juros
compostos que está sendo paga pela financeira é de 2,020134% ao mês. d) Antes de interpretar o coeficiente 0,02, vamos fazer um pequeno comentário sobre taxa de juros compostos e taxa nominal de juros. Por
exemplo, se aplicamos hoje um valor C a uma taxa de juros compostos de 0 i% ao mês, isto significa que daqui a 1 mês o montante da aplicação será de
o montante ao final do 2.º mês é obtido somando-se ao montante C os juros 1 devidos no mês, à taxa de i%, e calculado sobre este montante, ou seja,
repetindo este procedimento, ao final de t meses o montante será de
que é a fórmula para o cálculo do montante no regime de juros compostos. Observe que neste regime são calculados juros sobre juros. Por outro lado, uma taxa nominal de juros, que deverá vir sempre acompanhada do número de capitalizações que ocorrerão no período a que ela se refere, é, também, equivalente a uma taxa de juros compostos como veremos. Por exemplo, uma taxa nominal de juros de 18% ao ano, capitalizável mensalmente ou capitalizável 12 vezes no ano, é uma outra maneira de nos referirmos a uma taxa de juros compostos de ao mês; supondo mês de 30 dias, uma taxa
nominal de 3% ao mês, capitalizável 30 vezes no mês, é equivalente a uma taxa de juros compostos de ao dia; e assim por diante. Suponhamos,
agora, que uma aplicação de C reais seja realizada hoje a uma taxa nominal 0
de 2% ao mês; supondo mês de 30 dias, se esta taxa for capitalizável 30
vezes no mês, o montante ao final do mês será de , pois no
mês ocorrerão 30 capitalizações à taxa de ao dia; se a taxa nominal de
2% ao mês for capitalizável 60 vezes no mês, ou seja, as capitalizaáões de juros ocorrerão a cada 12 horas, o montante ao final do mês será de
se a taxa nominal de 2% ao mês for capitalizável n vezes
no mês, o montante ao final do mês será de
Lembrando que
isto significa, se houver infinitas capitalizações no mês, ou seja, se a capitalização de juros for instantânea, o montante da aplicação ao final do mês será de
Podemos então interpretar o coeficiente 0,02 = 2% como uma taxa nominal de 2% ao mês, capitalizável instantaneamente. Esta taxa nominal de juros capitalizável instantaneamente é denominada taxa instantânea ou taxa contínua de juros. Deste modo, o coeficiente 0,02 nada mais é do que a taxa instantânea ou contínua de 2% ao mês que está sendo paga pela financeira.
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Exercícios 10.4
1. Resolva
2. Suponha E, R e C constantes não nulas. Resolva a equação.
3. Suponha E, R e L constantes não nulas. Determine a solução i = i(t)
do problema
4. Um objeto aquecido a 100ºC é colocado em um quarto a uma
temperatura ambiente de 20°C; um minuto após a temperatura do objeto passa a 90°C. Admitindo a lei de resfriamento de Newton que a temperatura T = T(t) do objeto esteja variando a uma taxa proporcional à diferença entre a temperatura do objeto e a do quarto, isto é,
determine a temperatura do objeto no instante t. Suponha t em minutos.
5. Um investidor aplica seu dinheiro em uma instituição financeira que
remunera o capital investido a uma taxa instantânea de 8% ao mês.