Um Curso de Cálculo, Volume 4
15.13 Equação diferencial de 2.ª ordem do tipo y'' = f (y, y')
15.13. E a QUAÇÃO D IFERENCIAL DE 2. ORDEM DO
TIPO y″ = f (y, y')
Observe que
é uma equação diferencial de 2. a ordem em que a variável x não aparece explicitamente. As equações tratadas nas Seções 10.7, 15.10 e 15.12 são deste tipo.
Para estudar esta equação será conveniente transformá-la em um sistema de duas equações de 1. a ordem. A equação é equivalente ao sistema
Observe que se y = y (x), x ∈ I, for solução de , então
será solução de . Por outro lado, se for solução de , então y = y (x), x ∈ I será solução de . Vamos, agora, reescrever na forma
Multiplicando a 1.a a equação por f (y, p) e a 2. por p e comparando, obtemos
Segue que toda solução
de será, também, solução da equação
p dp = f (y, p)dy.
A importância deste resultado reside no fato de nos permitir abaixar a ordem da equação. Vamos, então, destacá-lo.
Se y = y (x) for solução de , então
será solução de
p dp = f(y, p)dy.
(Veja Seção 10.7 para outro modo de resolução.)
EXEMPLO 1. Seja a equação
y″ = yy' + y.
Seja y = y(x), x ∈ I, uma solução desta equação tal que y' (x) + 1 > 0 para todo x ∈ I. Mostre que existe uma constante c tal que, para todo x ∈ I,
Solução
y″ = f (y, y'),
onde
f (y, y') = yy' + y.
Seja, então, y = y (x), x ∈ I, uma solução. Segue que
é solução da equação
p dp = (yp + y) dy, com p + 1 > 0,
que é equivalente a
ou
Daí, existe uma constante c tal que, para todo x ∈ I,
ou seja,
EXEMPLO 2. Suponha que uma partícula desloca-se sobre o eixo Ox e que o movimento seja regido pela equação
Suponha, ainda, que x (0) > 0 e (0) > 0. Seja x = x (t), t ∈ I, a posição da partícula no instante t, onde I é um intervalo contendo 0.
a) Prove que, para todo t ∈ I, com t ≥ 0, (t) > 0. b) Expresse a posição x em termos da velocidade v.
Solução
a) Suponhamos que exista t ∈ I, t > 0, tal que (t ) = 0. Seja 1 1 1
T = inf {t ∈ I, t > 0 | (t ) = 0 }. 1 1 1
É claro que T > 0. (Observe que pelo fato de ser contínua e (0) > 0, existe t > 0 tal que (t) > 0 em [0, t ].) Segue que (t) > 0 em [0, T [. 2 2 Como (t) > 0 em [0, T [ (por quê?), resulta (T) > (0) > 0. Pela conservação do sinal existirá, então, T > T tal que (t) > 0 em [T, T ] e, 1 1 assim, T não poderá ser o ínfimo do conjunto.
Logo, (t) > 0 para todo t ∈ I, com t ≥ 0,
b) Segue do exemplo anterior que, para todo t ∈ I, t ≥ 0,
para alguma constante c. (É claro que onde x = 0
x(0) e v = (0).) Daí, para todo t ∈ I, t ≥ 0. 0
onde = v.
■
EXEMPLO 3. Considere a equação
y″ = 3y 2.
Esboce o gráfico da solução y = y (x) que satisfaz as condições iniciais y (0) = 2 e y' (0) = 4.
Solução
y″ = 3y 2.
Seja y = y (x), x ∈ I, a solução procurada. Para todo x ∈ I,
é solução da equação
p dp = 3y2 dy.
Integrando, obtemos
Segue que, para todo x ∈ I,
Tendo em vista as condições iniciais, c = 0. Como y' (0) > 0, a função procurada é solução da equação
Como y (0) = 2, podemos supor y > 0. A equação acima é equivalente a
e, portanto,
ou seja,