Um Curso de Cálculo, Volume 4
9.3 Uma condição suficiente para que a série de Fourier de uma função convirja uniformemente para a própria função
f(x) = | x |, −π ≤ x ≤ π,
converge uniformemente em .
Solução
f é contínua, de classe C 2 por partes e f(−π) = f(π). Pelo teorema anterior, sua série de Fourier converge uniformemente em .
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9.3. UMA CONDIÇÃO SUFICIENTE PARA QUE A
SÉRIE DE FOURIER DE UMA FUNÇÃO
CONVIRJA UNIFORMEMENTE PARA A
PRÓPRIA FUNÇÃO
O objetivo desta seção é provar que se
f: [−π, π] →
for contínua, de classe C 2 por partes e f(−π) = f(π), então a sua série de Fourier convergirá uniformemente, em [−π, π], à própria função f. Para provar este resultado vamos precisar do lema seguinte, cuja demonstração será feita na Seção A2.1, do Apêndice 2.
Lema. Sejam f e g definidas e contínuas em [−π, π], tais que
f(−π) = f(π) e g(−π) = g(π).
Se, para todo natural n,
e
então
f(x) = g(x) em [−π, π].
Vamos, agora, demonstrar o seguinte:
Teorema. Seja f: [−π, π] → contínua, de classe C2 por partes
e tal que f(−π) = f(π). Seja
a série de Fourier de f. Então, para todo x em [−π, π],
sendo a convergência uniforme em [−π, π].
Demonstração
Pela hipótese, a série converge uniformemente em ; portanto, em particular em [−π, π]. Seja, então, g: [−π, π] → a soma da série em [−π, π]; isto é, para todo x em [−π, π],
Observe que g(−π) = g(π) e pelo fato de a convergência ser uniforme g é contínua. Sendo a convergência uniforme, segue do Exemplo 1 da Seção 9.1, que
e
mas
e
Como f e g são contínuas e, além disso,
f(−π) = f(π) e g(−π) = g(π),
segue do lema anterior que
EXEMPLO 1. Tendo em vista o Exemplo 3 da Seção 9.1 e o teorema anterior, resulta
para x em [−π, π], sendo a convergência uniforme neste intervalo. Para todo natural n ≥ 1, seja
Sendo a convergência uniforme em [−π, π], segue que, para todo > 0 dado, existe n (que só depende de ) tal que 0
para todo x em [−π, π]; isto é, para todo n > n , os gráficos de s = s (x), x 0 n n ∈ [−π, π], permanecem na faixa compreendida entre os gráficos das funções y = x2 2 − e y = x + , x ∈ [−π, π]. Na figura abaixo damos uma
ideia do gráfico de s = s (x), para n par. Deixamos a cargo do leitor n n
verificar que s (0) < 0, para n ímpar, e s (0) > 0 para n par. (É só observar n n que, para x = 0, a série é alternada com soma zero.)
À medida que n tende a +∞, os gráficos de s = s (x) vão “encostando” cada n n vez mais no gráfico de y = x 2, x ∈ [−π, π]. (Observe que s = s (x) é uma
n n
função par.)
Fazendo x = 0 em , obtemos
e, portanto,
Como se trata de uma série alternada, resulta
para todo n ≥ 1. (Veja Seção 2.2.)
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EXEMPLO 2. Utilizando o Exemplo 1, determine a série de Fourier da função
Solução
Pelo Exemplo 1,
Como a convergência é uniforme e as funções cos nx são contínuas, é válida a integração termo a termo no intervalo de extremidades 0 e t, para todo t em [−π, π]. Então,
e, portanto, para todo t em [−π, π],
Trocando t por x, vem
Agora, é só observar que a convergência é uniforme e utilizar o Exemplo 1 da Seção 9.1 para concluir que esta é realmente a série de Fourier da função dada.
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EXEMPLO 3. Determine uma série de Fourier que convirja uniformemente, em [0, π], à função
f (x) = x, 0 ≤ x ≤ π.
Solução
Consideremos a função
g (x) = | x |, −π ≤ x ≤ π.
Esta função é contínua, de classe C2 por partes e g (−π) = g (π). Pelo teorema anterior, sua série de Fourier converge uniformemente, em [−π, π], à própria função g. Esta série converge, então, uniformemente, em [0, π], à função f(x) = x, 0 ≤ x ≤ π. Fazendo os cálculos, chega-se a
sendo a convergência uniforme em [−π, π]. Logo,
sendo a convergência uniforme em [0, π]. Como
resulta para todo x em [0, π], sendo a convergência uniforme neste intervalo.
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Observação. A série de Fourier acima não é a única que converge uniformemente em [0, π] à função dada. Por exemplo, a série de Fourier da função cujo gráfico é
também converge uniformemente em [0, π] à função dada. (Por quê?)
EXEMPLO 4. Determine uma função (não nula) cuja série de Fourier convirja uniformemente, em [0, π], à função f(x) = 0, 0 ≤ x ≤ π.
Solução
A função
resolve o problema. De fato, g é contínua, de classe C2 por partes e g(−π) = g (π); logo, a sua série de Fourier converge uniformemente, em [−π, π], à própria função g. Portanto, a série de Fourier de g converge uniformemente, em [0, π], à função dada.
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EXEMPLO 5. Considere a função
a) Mostre que não existe série de Fourier que convirja
uniformemente a h em [−π, π].
b) Para todo a em ]0, π[, seja g : [−π, π] → a função cujo gráfico a
é o da figura abaixo.
Mostre que a série de Fourier de g converge uniformemente, no conjunto a [−π, −a] ∪ [a, π], à função h dada.
Solução
a) Se uma série de Fourier converge uniformemente no intervalo [−π, π],
então a sua soma será obrigatoriamente contínua neste intervalo. Como
a função dada não é contínua em x = 0, resulta que não pode existir uma
série de Fourier que convirja uniformemente a h em [−π, π]. b) 2 A função g é contínua, de classe C por partes e tal que g (−π) = g (π).
a a a
Logo, a sua série de Fourier converge uniformemente, em [−π, π], à
própria função g . Portanto, a série de Fourier de g converge a a
uniformemente, em [−π, −a] ∪ [a, π], à função h dada. Isto é, para todo
x em [−π, −a] ∪ [a, π],
sendo a convergência uniforme no conjunto [−π, −a] ∪ [a, π], onde a
série que ocorre no 2.º membro é a série de Fourier da função g . a
(Observe que, pelo fato de g ser uma função ímpar, a
Com isso terminamos a resolução do Exemplo 5. Vamos, agora,
fazer mais alguns comentários sobre esse exemplo. Como vimos, para todo x em [−π, π],
sendo a convergência uniforme em [−π, π]. Seja
com x ∈ [−π, π]. Segue que, para todo > 0 dado, existe n (que só 0 depende de ) tal que
n > n ⇒ g (x) − < s (x) < g (x) + 0 a n a
para todo x em [−π, π]. (Este fato decorre da convergência ser
uniforme em [−π, π].) Assim, para n > n , os gráficos de s = s (x), x ∈ 0 n n [−π, π] permanecem na faixa compreendida entre os gráficos das funções
y = g (x) − e y = g (x) + , −π ≤ x ≤ π. a a
À medida que n tende a +∞, os gráficos de s = s (x) vão “encostando” n n
cada vez mais no gráfico de y = g (x), x ∈ [−π, π]. (Observe que s = s a nn
(x) é uma função ímpar.)
Da mesma forma, para n > n , os gráficos de s = s (x), com x em [−π, 0 n n
a] ∪ [a, π], permanecem na faixa compreendida entre os gráficos das
funções
y = h (x) − e y = h (x) + , x ∈ [−π, −a] ∪ [a, π].
Observe que
Tendo em vista o que vimos acima, é razoável esperar que a série de
Fourier de h convirja para h (x), para todo x ≠ 0, com x em [−π, π], e que a convergência deverá ser uniforme em todo conjunto da forma
para 0 < a < π. Provaremos na Seção A2.2 do Apêndice 2 que este fato realmente ocorre. Isto é, provaremos que, para todo x ∈ [−π, π],
sendo a convergência uniforme no conjunto , anterior. (Observe que a série que ocorre no 1.º membro da igualdade acima é a série de Fourier de h, conforme Exemplo 4 da Seção 9.1.) Este resultado será utilizado na demonstração do teorema que enunciaremos na próxima seção.
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Exercícios 9.3
1. Seja F : → dada por
onde a série do 2.º membro é a série de Fourier da função f (x) = x2, −π ≤ x ≤ π.
a) Prove que F é contínua. b) Verifique que F é periódica de período 2π.
c) Esboce o gráfico de F.
2. 2 Seja → : periódica de período 2π, contínua e de classe C por
partes em [−π, π]. Prove que, para todo x ∈ ,
onde a série do 2.° membro é a série de Fourier de f.
3. Sejam a , n ≥ 0 e b , n ≥ 1 números reais dados. Seja f: [−π, π] → n n
dada por
Prove que f (−π) = f (π).
4. Seja f (x) = x, −π ≤ x ≤ π. Existe série de Fourier que convirja
uniformemente a f em [−π, π]? Justifique.
5. Seja f (x) = x, a ≤ x ≤ π, onde a ∈ ]−π, 0[ é um real dado. Determine
uma função g: [−π, π] → cuja série de Fourier convirja uniformemente a f em [a, π]. Justifique.
6. Seja a um real dado, com 0 < a < π. Seja f uma função definida em
[−π, −a] ∪ [a, π], dada por f (x) = 1. Determine uma série de Fourier, com pelo menos dois coeficientes não nulos, que convirja uniformemente a f em [−π, −a] ∪ [a, π]. Justifique.
7. 2 Seja f : [−π, π] → uma função par, contínua e de classe C por
partes. Prove que, para todo x em [−π, π],