Um Curso de Cálculo, Volume 4
8.3 Continuidade, integrabilidade e derivabilidade de função dada como soma de uma série de potências
8.3. CONTINUIDADE, INTEGRABILIDADE E
DERIVABILIDADE DE FUNÇÃO DADA COMO
SOMA DE UMA SÉRIE DE POTÊNCIAS
Seja a série de potências , com raio de convergência R, R > 0 ou
R = +∞. Vamos provar, inicialmente, que tal série converge uniformemente em todo intervalo fechado [–r, r], r > 0, contido no intervalo de convergência ]–R, R[. De fato, como r ∈ ]–R, R[, a série converge absolutamente para x = r. Por outro lado, para todo x ∈ [–r, r] e para todo natural n,
Pelo critério M de Weierstrass, a série converge uniformemente em [–r, r].
Teorema 1. Seja a série de potências com raio de
convergência R, R > 0 ou R = +∞. Então a função f dada por
é contínua em ]–R, R[.
Demonstração
Para todo x ∈ ]–R, R[, existe r > 0, com | x | < r < R. A continuidade de f
em x segue da convergência uniforme de em [–r, r].
■
Teorema 2. (Integração termo a termo). Seja a série de
potências com raio de convergência R, R > 0 ou R = +∞.
Seja f dada por . Então, para todo t ∈ ]–R, R[,
ou seja,
Demonstração
Fica a cargo do leitor.
■
Teorema 3. (Derivação termo a termo). Seja a série de
potências , com raio de convergência R, R > 0 ou R = +∞.
Seja f a função dada . Então, para todo x ∈ ]–R, R[,
Demonstração
Veja Exercício 2 desta seção.
■
Observações
1. Os três teoremas continuam válidos se substituirmos
por
2. Seja a série com raio de convergência R, R > 0 ou R +∞. Seja
f dada por
Seguindo o mesmo raciocínio utilizado na demonstração do teorema 3 (derivação termo a termo) prova-se que f admite derivadas de todas as ordens em ]–R, R[ e que
EXEMPLO 1. Seja a série de potências com raio de convergência
R, R > 0 ou R = +∞. Considere a função f dada por
Mostre que, para todo . Conclua que
Solução
Logo, f(0) = a . Temos 0
e, portanto,
Daí, para todo k ≥ 1, f( ) ( ) k n k = (0) k! a . Ou seja, f (0) = n! a , para todo n ≥ 1; n
logo,
para todo n ≥ 1. Segue que
EXEMPLO 2. Suponha que a série de potências tem um raio de
convergência não nulo R. Suponha, ainda, que existe r > 0, com r < R, tal que, para todo x ∈ ]–r, r[,
Prove que, para todo n, a 0. n
Solução
Seja . Segue da hipótese que f(x) = 0, para todo x ∈ ]–r,
r[. Então, f( ) n 0 (0) = 0, para todo n ≥ 1. Como a = f(0) = 0, segue, tendo em vista o exemplo anterior, que a = 0 para todo natural n. n
■
O exemplo anterior conta-nos que se for identicamente nula
num intervalo ]–r, r[, então todos os coeficientes a terão que ser nulos. Ou n seja:
é equivalente a
a = 0 para todo natural n. n
EXEMPLO 3. Determine uma solução da equação diferencial
que satisfaça as condições iniciais y (0) = 1 e y′ (0) = 0.
Solução
Tentemos uma solução do tipo onde os a são coeficientes a serem determinados. Sendo y = y(x) solução de n
a série de potências deve ter um raio de convergência não nulo R. Temos
Como estamos supondo que y = y(x) é solução de , devemos ter, para todo x ∈ ]–R, R[,
ou
ou ainda
Daí, para todo x ∈ ]–R, R[,
Pelo exemplo anterior, todos os coeficientes deverão ser nulos. Devemos ter, então, para todo n ≥ 1,
Portanto, EXEMPLO 4. Ache uma fórmula para calcular a soma
De y(0) = 1 e y′ (0) = 0 segue que a = 1 e a = 0. (Observe que y(0) = a 0 10 e y′ (0) = a .) Segue que os únicos termos diferentes de zero são os da forma 1
a , n ≥ 1. Temos, para todo n ≥ 1, 3n
Tendo em vista que a = 1, 0
Assim,
Fica a seu cargo verificar que a série acima converge para todo x. (Sugestão: Faça x3 = u e verifique que a série obtida converge para todo u. Ou, então, aplique diretamente o critério da razão para séries de termos quaisquer.) O fato de a função dada em ser solução de decorre do modo como os a foram calculados. Sugerimos, entretanto, que como n
exercício você verifique, por substituição direta na equação, que a função acima é realmente solução da equação dada e que satisfaz as condições iniciais dadas.
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Solução
O raio de convergência da série (verifique). Seja
Para todo t ∈ ]−1, 1 [,
e, portanto,
Assim, para todo t ∈ ]−1, 1[,
Como f é contínua em [−1, 1[, pelo teorema fundamental do cálculo
Derivando, então, em relação a t os dois membros de resulta Portanto, para | x | < 1,
Como
resulta
ou seja,
Exercícios 8.3
1. Suponha que tem raio de convergência R, R > 0 ou R = +∞.
Prove que o raio de convergência de é, também, R.
(Sugestão: Suponha, por absurdo, que o raio de convergência de
seja estritamente maior que R e aplique o teorema 2. Veja,
também, item c do Exercício 2.)
2. Seja com raio de convergência R, R > 0 ou R = +∞.