Um Curso de Cálculo, Volume 4
13.4 Solução geral de uma equação diferencial linear de 2.ª ordem homogênea e de coeficientes variáveis
6. Sejam f, g: I → deriváveis até a 2.ª ordem no intervalo I. Suponha
que f″ e g″ sejam contínuas em I. Prove que se o wronskiano de f e g for diferente de zero em todo x ∈ I, então existirá uma equação
y″ + p (x) y′ + q (x) y = 0,
com p e q contínuas em I, que admitirá f e g como soluções. Determine tal equação.
7. As funções f e g dadas são linearmente dependentes ou linearmente
independentes? Justifique.
a) f (x) = sen x, x ∈ e g (x) = cos x, x ∈ b) 3 3 f e g são definidas em e dadas por f (x) = x e g (x) = | x | c) 2 f (x) = ln x, x > 0 e g (x) = ln x, x > 0 d) 2 3 f, g : → dadas por f (x) = sen 3x e g (x) = 3 sen x cos x − sen
x
e) f = (x) x, x > 0 e g (x) = ln x, x > 0
13.4. SOLUÇÃO GERAL DE UMA EQUAÇÃO
DIFERENCIAL LINEAR DE 2.ª ORDEM
HOMOGÊNEA E DE COEFICIENTES
VARIÁVEIS
Teorema. Sejam f, g: I → soluções linearmente
independentes da equação
onde p e q são supostas contínuas no intervalo I. Então
y = Af (x) + Bg (x) (A, B ∈ )
é a solução geral de .
Demonstração
Já vimos que se f e g forem soluções, então
será, também, solução para quaisquer reais A e B. Vamos provar a seguir que qualquer solução de é da forma . Seja y = h (x), x ∈ I, solução de
. Seja x ∈ I. Como f e g são soluções linearmente independentes de , 0
pelo teorema da seção anterior, o wronskiano de f e g será diferente de zero
em todo x ∈ I, em particular, será diferente de zero para x = x . Segue que 0 existem reais α e β tais que
Como h (x) e αf (x) + βg (x) são soluções de que satisfazem as mesmas condições iniciais
y (x ) = h (x ) e y′ (x ) = h′ (x ), 0 0 0 0
resulta do teorema da Seção 9.5 que, para todo x ∈ I,
h (x) = αf (x) + βg (x).
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EXEMPLO 1. Sejam f e g definidas no intervalo ]1, +∞[ e dadas por f (x) = ex e g (x) = x.
a) Determine uma equação y″ + p (x) y′ + q (x) y = 0 que admita f e g
como soluções.
b) Ache a solução geral da equação encontrada no item a.
Solução
a) Devemos determinar p e q de modo que, para todo x > 1,
ou seja,
admite as funções dadas como soluções.
b) Temos
ou seja,
W (x) = ex (1 − x).
Logo, W (x) ≠ 0 para x > 1. As funções dadas são linearmente independentes.
y = Aex + Bx, x > 1
é a solução geral da equação do item a.
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EXEMPLO 2. Determine a solução geral de y″ + y = 0.
Solução
y = cos x e y = sen x são soluções. (Verifique.)
Segue que as soluções acima são linearmente independentes. A solução geral é
y = A cos x + B sen x,
resultado este que já conhecemos há muito tempo!
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EXEMPLO 3. Resolva a equação
x2y″ + xy′ − 4y = 0, x > 0.
Solução
A forma da equação sugere-nos procurar solução da forma y = x α, x > 0. Temos
y′ = αx −1 −2 e y″ = α(α −1)x. α α
Substituindo na equação e simplificando, obtemos
α(α −1) xα + αxα α − 4x = 0, x > 0;
daí
α 2 − 4 = 0
e, portanto, α = ± 2. As funções y = x 2 −2 e y = x , x > 0, são soluções. Como o wronskiano de tais soluções é diferente de zero para x > 0, segue que elas são linearmente independentes. A solução geral da equação dada é
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Exercícios 13.4
1. Identifique as equações lineares de 2.ª ordem.
2. Determine a solução geral
3. Determine uma equação y″ + p(x) y′ + q(x) y = 0 que admita como
soluções as funções y = x, x > 0 e y = xex, x > 0. Determine a solução geral da equação encontrada.
4. Suponha que y = f (x), x ∈ I, seja solução da equação
onde p e q são supostas contínuas no intervalo I. Suponha que, para todo x ∈ I, f (x) ≠ 0. Prove que toda solução y = g (x), x ∈ I, da equação linear de 1.ª ordem
é também solução de . (Na equação anterior, ∫ p(x) dx está
representando uma particular primitiva de p (x).)
5. 2 Considere a equação (x ln x) y″ − xy′ y = 0, x > 1.
a) Verifique que y = x, x > 0, é solução. b) Utilizando o exercício anterior, determine outras soluções.