Um Curso de Cálculo, Volume 4
8.2 Série de potências: raio de convergência
8.2. SÉRIE DE POTÊNCIAS: RAIO DE
CONVERGÊNCIA
Teorema. Seja a série de potências Existem apenas
três possibilidades:
I) ou converge apenas para x = 0;
II) ou converge absolutamente para todo x real;
III) ou existe um R > 0 tal que a série converge
absolutamente para todo x no intervalo ] − R, R[ e diverge para todo x, com | x | > R. Nos extremos − R e R a série poderá convergir ou não.
Demonstração
Seja A o conjunto de todos x ≥ 0 para os quais a série converge.
1.º Caso. A = { 0 }
Se a série convergisse para algum x ≠ 0, pelo teorema da seção anterior, 1 convergiria, também, para todo x ∈ ] − | x |, | x | [, que contradiz a hipótese 1 1 A = {0}. Logo, se A = {0} a série convergirá apenas para x = 0.
2.º Caso. A = ( = ] 0, +∞ [) + +
Para todo x real, existe x > 0 tal que 1
| x | < x . 1
Como a série é convergente, pelo teorema da seção anterior, a série
convergirá absolutamente para todo x, com | x | < x . Portanto, a série 1 converge absolutamente para todo x.
3.º Caso. A ≠ e A ≠ {0} +
Se, para todo r > 0, existisse um x > r tal que 1
fosse convergente, pelo teorema da seção anterior, a série seria absolutamente convergente para todo x (por quê?), que contradiz a hipótese
A ≠ . Portanto, se A ≠ , então A será limitado superiormente; logo, + +
admitirá supremo R:
R = sup A.
Como A ≠ {0}, teremos, evidentemente, R > 0. Sendo R o supremo de A,
para todo x com | x | < R, existe x ∈ A, com | x | < x . Resulta, novamente 1 1 do teorema da seção anterior, que a série converge absolutamente para todo x ∈ [ − R, R [. Fica a seu cargo verificar que a série diverge para todo x, com | x | > R.
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O número R que aparece no teorema anterior denomina-se raio de convergência da série. Se a série convergir para todo x diremos que o raio de convergência é +∞: R= +∞. Se a série convergir apenas para x = 0, o raio de convergência é zero.
O próximo exemplo fornece-nos uma fórmula para o cálculo do raio de convergência de algumas séries.
EXEMPLO 1. Seja a série de potências e suponha a ≠ 0 para n todo n ≥ p, onde p é um natural fixo. Mostre que o raio de convergência de tal série é
desde que o limite exista, finito ou infinito.
Solução
Apliquemos o critério da razão para a série de termos quaisquer.
Se a série convergirá absolutamente para todo x. Neste
caso, o raio de convergência é +∞:
(Observe que
Se a série convergirá apenas para x = 0:
Se for finito e diferente de zero, a série convergirá
absolutamente para todo x tal que
ou seja, convergirá, para todo x, tal que
e divergirá para | x | > R.
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O raio de convergência da série
onde a ≠ 0 para n ≥ p, é dado pela fórmula n
desde que o limite exista, finito ou infinito.
Sugerimos ao leitor estabelecer uma fórmula para o raio de convergência utilizando o critério da raiz.
EXEMPLO 2. Determine o domínio da função f dada por
Solução
é uma série de potências com a n = n. Determinemos seu raio
n
de convergência.
Como
resulta
Portanto, a série converge apenas para x = 0. O domínio de f é {0}. Tal função só está definida para x = 0.
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EXEMPLO 3. Determine o domínio da função f dada por
Solução
é uma série de potências com
Determinemos seu raio de convergência.
A série converge para todo x ∈ ] −1, 1 [ e diverge para todo x, com | x | > 1. Vamos, agora, analisar o que ocorre para x = −1 e para x = 1.
Para x = −1 temos a série alternada que já
sabemos ser convergente.
Para x = 1 temos a série divergente
Conclusão. O domínio de f é o intervalo [−1, 1[.
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EXEMPLO 4. Determine o domínio da função f dada por
Solução
é uma série de potências com
Temos
A série converge para todo x ∈ ] −1, 1[ e diverge para | x | > 1. Como
são convergentes (verifique), resulta que a série converge para todo x ∈ [−1, 1].
Conclusão. O domínio de f é o intervalo fechado [−1, 1].
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EXEMPLO 5. Determine o domínio da função f dada por
Solução
A série converge para todo x; logo o domínio de f é .
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Exercícios 8.2
1. Determine o domínio da função f sendo f (x) igual a
2. Seja α um real dado, com α > 0 e α não natural. Prove que a série
converge para | x | ≤ 1 e diverge para | x| > 1.
3. Considere a série de potências centrada em x ≠ 0. 0
Prove que existem apenas três possibilidades:
I) ou a série converge apenas para x = x ; 0 II) ou a série converge para todo x;
III) ou existe R > 0 tal que a série converge para todo x ∈ ] x − R, x 00
+ R [ e diverge para | x − x | > R. Nos extremos x − R e x + R a 0 0 0 série poderá convergir ou não.
(Sugestão: Faça u = x − x e aplique o teorema da seção.) 0
4. Considere a série de potências
Prove que o raio de convergência da série é o supremo do conjunto A.
5. Olhando para o Exercício 4 (e sem fazer cálculo!), diga qual é o raio
de convergência da série dada:
6. a) Suponha que | x | < r, r > 0, e que . Prove que
.
b) Prove que as séries de potências têm o
mesmo raio de convergência.