Um Curso de Cálculo, Volume 4
A1.3 Teorema de unicidade
admite uma solução y = y (x) definida em um intervalo [x − r, x + 0 0 r] e satisfazendo a condição inicial y (x ) = y . 0 0
A1.3. TEOREMA DE UNICIDADE
Teorema (de unicidade). Seja f : Ω 2 ⊂ → , Ω aberto, e seja
(x , y ) ∈ Ω. Suponhamos f e contínuas em Ω. Sejam 0 0
y = y (x), x ∈ I, 1 1
e
y = y (x), x ∈ J, 2 2
onde I e J são intervalos abertos contendo x , duas soluções da 0 equação
y' = f (x, y)
e tais que
y (x ) = y (x ) = y . 1 0 2 0 0
Nestas condições, existe d > 0 tal que
y (x) = y (x) em [x − d, x + d]. 1 2 0 0
Demonstração
Seja Q o retângulo
x − a ≤ x ≤ x + a, y − b ≤ y ≤ y + b. 0 0 0 0
Da continuidade de y e y segue que existe d > 0, com d ≤ a, tal que 1 2 1 1
(x, y (x)) e (x, y (x)) 1 2
pertencem ao retângulo Q, para todo x no intervalo [x − d , x + d ]. Pelo 0 1 0 1 Lema 2 da Seção A1.1,
| f(s, y (s)) − f (s, y (s)) | ≤ K | y (s) − y (s) | 1 2 1 2
para todo s ∈ [x − d , x + d ]. Tomemos d > 0 tal que 0 1 0 1
d ≤ d e Kd < 1. 1
Como y = y (x) e y = y (x) são soluções da equação tais que y (x ) = y (x ) 1 1 2 2 1 0 2 0 = y , resultam 0
e
para x ∈ [x − d, x + d]. 0 0
Segue que
para todo x ∈ [x − d, x + d]. Daí 0 0
Seja, agora,
M = máx { | y (x) − y (x) | | x ∈ [ x − d, x + d ]}. 1 1 2 0 0
Assim,
para todo s ∈ [x − d, x + d]. De e , 0 0
| y (x) − y (x) | ≤ KM | x − x | 1 2 1 0
e, portanto,
| y (x) − y (x) ≤ KM d 1 2 1
para todo x ∈ [x − d, x + d]. Logo, 0 0
M ≤ KdM , 1 1
pois M é o máximo de |y (x) − y (x)| em [x − d, x + d]. 1 1 2 0 0
Se M ≠ 0, resulta 1
1 ≤ Kd,
que contraria a escolha de d. Daí M = 0. Logo, 1
| y (x) − y (x) | = 0 1 2
em [x − d, x + d] e, portanto, 0 0
y (x) = y (x) 1 2
neste intervalo.
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Corolário. Nas condições do teorema anterior, se
y = y (x), x ∈ I, 1 1
e
y = y (x), x ∈ J, 2 2
onde I e J são intervalos abertos contendo x , são duas soluções de 0
y' = f (x, y)
e tais que
y (x ) = y (x ) = y , 1 0 2 0 0
então
y (x) = y (x) 1 2
para todo x ∈ I ⋂ J.
Demonstração
Suponhamos que exista t ∈ I ⋂ J tal que
y (t) ≠ y (t). 1 2
(Para fixar o raciocínio suporemos t < x .) Seja 0
A = {s ∈ ] t, x ] | y (x) ≠ y (x) para x ∈ [ t, s ]}. 0 1 2
Provaremos, a seguir, que A não é vazio. De fato, sendo y (t) ≠ y (t), da 1 2 continuidade de y e y segue que existe r > 0 tal que 1 2
y (x) ≠ y (x) em [ t − r, t + r ]. 1 2
Assim, t + r ∈ A. Logo, A é não vazio.
Por outro lado, A é limitado superiormente por x . 0
Segue que A admite supremo. Seja c o supremo de A. Assim, c ≤ x e, 0 portanto, c ∈ I ⋂ J.
Devemos ter
y (c) = y (c) 1 2
ou
y (c) ≠ y (c). 1 2
Se y (c) = y (c), pelo teorema anterior, existe um d > 0 tal 1 2
y (x) = y (x) 1 2
em [c − d, c + d] e isto contraria o fato de c ser supremo de A. (Por quê?) Se
y (c) ≠ y (c), 1 2
existe um r > 0 tal que 1
y (x) ≠ y (x) 1 2
em [c − r , c + r ] que contraria, também, o fato de c ser supremo de A. 1 1
Logo,
y (x) = y (x) em I ⋂ J. 1 2
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