Um Curso de Cálculo, Volume 4
9 Introdução às séries de Fourier
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INTRODUÇÃO ÀS SÉRIES DE
FOURIER
9.1. SÉRIE DE FOURIER DE UMA FUNÇÃO
Vamos iniciar a seção com o seguinte exemplo.
EXEMPLO 1. Sejam a , n ≥ 0, e b , n ≥ 1, números reais dados. Suponha n n que a série trigonométrica
convirja uniformemente, em [−π, π], a uma função f. Prove que
Solução
Para todo x ∈[−π, π],
Como a convergência é uniforme neste intervalo, e as funções a cos nx + b nn sen nx contínuas, segue que é válida a integração termo a termo. Então
e, portanto,
pois
Segue que
Seja, agora, k ≥ 1 um natural fixo. Multiplicando os dois membros de por cos kx, a convergência, ainda, é uniforme. (Veja Exercício 4 da Seção 7.3.) Integrando termo a termo obtemos
Temos
(A segunda integral é zero pelo fato de sen nx cos kx ser uma função ímpar.)
Vamos mostrar, a seguir, que
Portanto,
Conclusão
De modo análogo, conclui-se que
A seguir, vamos definir coeficientes de Fourier e série de Fourier de uma função. Seja f : [−π, π] → uma função integrável. Os números
denominam-se coeficientes de Fourier de f. A série
onde os a e b são os coeficientes de Fourier de f, denomina-se série de n n
Fourier de f.
Uma pergunta que se coloca de modo natural é a seguinte: a série de Fourier de f converge a f ? Na Seção 9.3 estabeleceremos uma condição suficiente para que a série de Fourier de f convirja uniformemente a f em [−π, π].
EXEMPLO 2. Determine a série de Fourier de f(x) = x, −π ≤ x ≤ π.
Solução
pois x cos nx é uma função ímpar;
pois x sen nx é uma função par. Integrando por partes, vem
e, portanto,
(Observe que cos nπ = (−1)n, para todo natural n.) Logo,
Portanto,
é a série de Fourier de f(x) = x, −π ≤ x ≤ π.
■
EXEMPLO 3. Determine a série de Fourier de
f(x) = x2, −π≤ x ≤ π.
Mostre que a série encontrada converge uniformemente em .
Solução
e, portanto,
Como x2 sen nx é uma função ímpar,
A série de Fourier da função dada é
Como
para todo x e todo natural n ≥ 1, segue do critério M de Weierstrass que a
série converge uniformemente em . (Lembre-se de que é a série
harmônica de ordem 2 e, portanto, convergente.)
■
A série de Fourier que vamos construir no próximo exemplo será utilizada mais adiante.
EXEMPLO 4. Determine a série de Fourier da função
Solução
Como h é uma função ímpar, a função
h(x) cos nx
será, também, ímpar. Logo, Por outro lado, h(x) sen nx é uma função par; daí
ou seja,
Portanto, a série de Fourier da função dada é
Provaremos na Seção A2.2, do Apêndice 2, que esta série converge uniformemente nos intervalos [−π, −a] e [a, π], para todo a, com 0 < a < π. Provaremos, ainda, que, para todo x ≠ 0, com x ∈ [−π, π],
Evidentemente que, para x = 0, a série converge para zero.
■
EXEMPLO 5. Seja f: [−π, π] → uma função de classe C 2 e tal que f(−π) = f(π). Prove que a sua série de Fourier converge uniformemente, em , para a função F: → dada por
onde os a e b são os coeficientes de Fourier de f. n n
Solução
Integrando duas vezes por partes, obtemos
Temos
onde
Portanto,
Da mesma forma, existe M > 0 tal que 2
(É aqui que você vai usar a hipótese f(−π) = f(π). Verifique.) Segue que, para todo x real e para todo natural n ≥ 1,
onde . Pelo critério M de Weierstrass, a série de Fourier de f
converge uniformemente, em , para a função F: → dada por
Exercícios 9.1
1. Determine a série de Fourier da função dada.
2. Suponha que, para todo x ∈ ,
Prove que F é periódica de período 2π.
3. − 2 Seja f(x) = e, −π ≤ x ≤ π. Prove que a série de Fourier de f converge x
uniformemente em . (Sugestão: Utilize o Exemplo 5.)
4. Seja f: → dada por
a) Prove que f é contínua.