Juízo Final: Odisséia dos Deuses
Capítulo 13
Jesus de Nazaré, ao reiniciarem os trabalhos no dia seguinte:
- Julgadores deste Juízo Final. Não temos mais dúvidas que meu nome foi usado por dizimadores. Não mais se trata de ver e examinar doutrinas e profecias. Trata-se de constatar quantos e quais foram os dizimadores e o nome de suas seitas. Determino que sejam conduzidos a este Tribunal celestial todos os líderes judeus que exerciam suas atividades durante minha vida terrena e também os demais que se seguiram após minha morte.
- O termo dizimador – prosseguiu - devo esclarecer desde já, indica todo aquele que, seja pastor, padre, presbítero, abade, sacerdote, frade, bispo, cardeal, papa, rabi ou rabino, profeta, missionário, receba qualquer valor em dinheiro ou outros bens para seu consumo ou para o enriquecimento seu ou de sua organização. E desde já deixo também claro que o ato de dizimar está perfeitamente previsto na Bíblia Sagrada em seus dois Testamentos. E os dizimistas, os que retiram valores de seus salários mensais ou dos bens da família e os entregam aos líderes religiosos, também não merecem qualquer descrédito. São líderes perspicazes e poderiam ser criticados pelo fato de pretenderem vida de ócio e de amealharem fortunas? Por que não podem comprar aviões a jato que valem cinquenta milhões de dólares, se isso lhes traz conforto em suas viagens até os milhares de templos de suas organizações religiosas espalhadas pelo mundo? Cada qual deve ter sua opinião. Há liberdade religiosa, ao contrário do que escreveram os evangelistas.
O Mestre já se preparava para dar a ordem. Lembrou-se:
- Todos devem recordar-se das palavras do grande general gaulês Napoleão Bonaparte: o povo não necessita de deuses, mas sim, de religiões. Observo que o deus atual dos romanos – não Invictus, a divindade anterior - é descrito como um ser misericordioso. Não importa a seus adeptos que esse deus seja o mesmo Jeovah que se diz deus exclusivo do povo de Israel e descrito foi como impiedoso, no Velho Testamento.
Protestos vieram imediatamente de parte dos rabinos. Mas Jesus de Nazaré simplesmente abriu a Bíblia Sagrada:
- Os cinco Livros escritos pelo grande personagem judeu Moisés são: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, os primeiros livros da Bíblia e considerados infalíveis para os israelitas. É o Pentateuco. O grande rabino Maimônides, após intensos estudos, conclui por não retirar uma vírgula desses escritos, considerando-os corretos e sagrados para o povo de Israel.
- Pois vou ler o que consta no livro de Levítico 18,22: “Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher. Isso é uma abominação”. Dez por cento da população do mundo não cumpre com essa ordem de Jeovah. Julgam os dignos rabinos e os dignos romanos e seitas derivadas que adotaram o texto da Torá, que os homossexuais merecem os castigos que vou ler em seguida?
Abriu a Bíblia Sagrada e, sem aguardar resposta:
- Antes quero ler em Deuteronômio 4,16-19: “Guardai-vos, pois, de fabricar alguma imagem esculpida representando o que quer que seja, figura de homem ou de mulher ou de prostrar-se diante de astros do céu”. Os romanos possuem esculturas de toda ordem em seus templos, estes conhecidos por igrejas, catedrais, basílicas. A palavra igreja surge oitenta e cinco vezes no Novo Testamento e nenhuma no Velho Testamento. É uma palavra advinda do grego ekklesia. Importam-se os adeptos cristãos romanos com o uso proibido dessas imagens?
Respirou, novamente parecendo muito cansado, e continuou o Nazareno:
- Não, e nem se importam se Jeovah proibiu o homossexualismo. E não se importam também se o deus que lhes é oferecido por seus padres é um ser impiedoso, cruel e vingativo.
- Não é impiedoso? – indagou Jesus de Nazaré olhando para Jeovah. Pois vamos ler o livro Deuteronômio em 28,15 e seguintes, resumidamente: “Se não praticares todas as leis de Jeovah, serás maldito; ele te enviará a peste, te ferirá com a tísica, com a febre, com inflamações, com apatia, com hepatite; serás esmagado pelos teus inimigos; ele te afligirá com a úlcera do Egito, com hemorroidas, com sarna seca e úmida; ferir-te-á com vertigens, cegueira e perturbações mentais”.
-“Casarás com mulher e ela será possuída por outro; teus filhos serão entregues aos teus inimigos e teu jumento será roubado; enlouquecerás; serás ferido por Jeovah nos joelhos e nas coxas com furúnculos incuráveis; os gafanhotos devorarão tuas plantações; tuas vinhas serão devastadas pelos vermes; as azeitonas de tuas oliveiras cairão; teus filhos irão para o cativeiro; servirás na fome, na sede, na nudez a mais extrema miséria os inimigos suscitados contra ti por Jeovah”.
Jesus de Nazaré continuou:
- Ameaças no Velho Testamento. Aos ignaros, aos Am ha-Arez. Quem não obedecer aos mandamentos de Jeovah - o mesmo deus que está retratado nos templos do Vaticano! - sofrerá crueldades na sua vida terrena e castigos terríveis. E quem não crer nas mensagens dos apóstolos e dos evangelistas, no Novo Testamento, sofrerá crueldades agora eternas, em caldeiras de fogo, após uma novidade bíblica surgida no Novo Testamento: a ressurreição dos mortos.
- Os sacerdotes usam os mesmos métodos – finalizou o Mestre. Mas aos fiéis não importam os deuses. Eles anseiam por religiões. Eles buscam proteções, esperanças.
Mal acabara de se pronunciar, anjos Príncipes descarregaram quarenta adolescentes meninas. Vinte delas eram descendentes de israelitas e eram ressuscitadas dos tempos de Moisés. As outras vinte eram vivas e sentaram-se formando um grupo separadamente.
As vivas ajoelharam-se sobre os anjos que formavam o assoalho do Juízo Final e passaram a rezar, olhando ora para Jesus de Nazaré, ora para Jeovah:
- Pai nosso que estás nos céus.
Jeovah era o destinatário dessas palavras e interrompeu as orações:
- Jovens gentias. Rezar não muda os pressupostos bíblicos. Mesmo que rezem dez horas por dia, seus pecados subsistem e devem ser pagos diante dos meus sacerdotes. Isso está na Bíblia que os seus sacerdotes lhes mandam ler. Eu não sou pai de quem não pertence ao meu povo eleito. Não sou piedoso nem misericordioso e vou ler o que escreveu meu rabino Ezequiel em 9,6, no Velho Testamento: “Velhos, jovens, moços, moças, crianças e mulheres, matai todos até o total extermínio; precavei-vos, todavia, de tocar em quem estiver assinalado por uma cruz. Começai por meu santuário. Começaram pelos anciãos que encontraram defronte ao templo”.
As meninas gentias arregalavam seus olhos, estupefatas.
Jeovah:
- Sou impiedoso. Sou tudo menos o que vocês, romanos e derivados, dizem. Ezequiel continua seus escritos a meu respeito em 6,2-11: “Surgiram então, do pórtico superior que olha para o norte, seis homens trazendo cada um na mão o instrumento de destruição. Encontrava-se no meio deles um personagem vestido de linho, trazendo à cintura um tinteiro de escriba. Entraram para se colocar de pé ao lado do altar de bronze”.
Jeovah sorria. Foi até as aterrorizadas adolescentes:
- Ezequiel explica bem quem sou: “Então a glória do Deus de Israel se elevou de cima do querubim, onde repousava, até a soleira do templo. Chamou o Senhor o homem vestido de linho, que trazia à cintura os instrumentos de escriba, e lhe disse: Percorre a cidade, o centro de Jerusalém, e marca com uma cruz na fronte os que gemem e suspiram devido a tantas abominações que na cidade se cometem. Depois, dirigindo-se aos outros em minha presença, disse-lhes: Percorrei a cidade, logo em seguida, e feri!”.
Jeovah dirigiu-se até as vinte jovens judias:
- Ouçam bem o que eu disse em seguida para os seis destruidores e o homem de branco: “Não tenhais consideração, nem piedade. Manchai o templo, disse-lhes, e enchei de cadáveres os adros; em seguida saí! E foram-se eles para prosseguir o morticínio na cidade. Permanecendo só durante esse massacre, prostrei-me de face contra a Terra, e gritei: Ah! Senhor Javé, ides exterminar o que resta de Israel, desencadeando vosso furor contra Jerusalém. A falta de Israel e de Judá é grande, muito grande, respondeu-me: a Terra transborda de sangue e a cidade extravasa de perversão, porque dizem entre eles: o Senhor abandonou a Terra! O Senhor não enxerga mais nada! Está bem! Eu, de minha parte, não terei complacência, mostrar-me-ei impiedoso, farei recair sobre a sua cabeça o peso de seu proceder. Depois disso reapareceu o personagem vestido de linho, que trazia à cintura os instrumentos de escriba. Vinha prestar contas”.
Jeovah, o Senhor dos Exércitos de Israel:
- Perguntam por que mandei matar tantas pessoas. Ezequiel explica em 8,10-18: “Fui até ali para olhar: enxerguei aí toda espécie de imagens de répteis e de animais imundos e, pintados em volta da parede, todos os ídolos da casa de Israel. Setenta anciãos da casa de Israel, entre os quais Jazanias, filho de Safã, se achavam de pé diante deles, segurando cada qual o seu turíbulo, do qual se elevava espessa nuvem de fumaça. Filho do Homem, disse-me ele, vês tu o que fazem os anciãos de Israel na obscuridade, cada um deles em sua câmara, guarnecida de ídolos, pensando que o Senhor não os vê, e que ele abandonou a Terra”.
Jesus de Nazaré:
- Observam-se, sempre e sempre, textos com guerras entre sacerdotes, guerras para afastar concorrências de divindades. Ezequiel escreve para atemorizar os seus dizimistas parvos Am ha-Arez. Não quer a concorrência de deuses-astros, como o Sol.
As meninas judias ouviam serenamente. Não estavam nem um pouco impressionadas com as crueldades de seu Javé, de seu Senhor dos Exércitos, de seu Jeovah, de seu Deus Altíssimo, de seu Adonai. Afinal elas eram educadas sabendo que seus pecados seriam castigados na Terra, como seres humanos.
- Todas vocês, meninas gentias, ouçam – trovejou majestosamente Jeovah. De nada adiantam rezas para mim. Eu sou o Deus exclusivo de Israel.
As gentias olhavam pedindo socorro a Jesus de Nazaré. E, de fato, em seguida o Mestre foi até elas:
- Não tenham medo. Eu também não sou o deus de vocês. Mas eu sou misericordioso. Não permitirei que sejam queimadas eternamente na Geena, como escreveram os autores dos Evangelhos. Não permitirei que Jeovah envie o homem vestido de linho para matar mulheres, crianças, jovens e idosos. E quero alertar: de nada adiantam rezas, orações e todas essas práticas que cada sacerdote cria. Ou vocês preenchem os pressupostos bíblicos para a salvação, ou vocês serão condenadas pelo Juízo Final que, como já viram, possui juízes impiedosos. A Bíblia não prevê salvação para os que rezam muito ou pouco. Mas eu estou atento.
As meninas gentias se abraçavam e choravam enquanto comentavam entre elas. Concluíram que não tinham divindades. O seu deus, aquele para o qual deveriam rezar, na realidade não se chamava Deus. Chamava-se Jeovah, Senhor dos Exércitos de Israel, Javé, Boreh, Avinu Malkenu, Rei Nosso. Pertencia aos israelenses, foi por eles criado e era extremamente cruel. O outro deus - filho - era bondoso, mas também era judeu e teria surgido do ventre da amada Maria. Visava salvar Israel do jugo dos soldados romanos que tiranizavam a Terra de Jacó. Seria o esperado Messias, descrito no Velho Testamento. Enquanto tudo isso passava por sua mente, Jesus de Nazaré parecia ter percebido seu desapontamento:
- Jovens - vou ler Mateus 10,5: “Disse Jesus de Nazaré: não ireis ao meio dos gentios”. E em João 4,25-26: “Messias, que se chama Cristo, sou eu, quem fala contigo, mulher”. Está escrito que fui, eu sou, Messias. E o que tinha Messias como meta, como objetivo, no Velho Testamento palavra específica Messias, ou Ungido, aparece duas vezes: em Daniel 9,25-26, quando um anjo anuncia ao profeta Daniel que o Messias surgiria e seria morto sessenta e duas semanas proféticas após a
reedificação de Jerusalém , antes da cidade e do templo serem novamente destruídos.
As adolescentes gentias se esforçavam para compreender. Estavam muito assustadas com tudo aquilo. Jesus continuou:
- Sei que é difícil para vocês, jovens que foram catequizadas e ideologizadas por líderes religiosos romanos e derivados. Mas este Tribunal busca a verdade. Somente a verdade. Por isso, vou explicar algo mais: no conceito do judaísmo, o Messias em hebraico: חישמ , Mashíach, Mashíyach - o
Consagrado - e a forma aramaica Mesiha) refere-se, principalmente, à profecia da vinda de um humano
descendente do Rei Davi, que irá reconstruir a nação de Israel e restaurar o reino de Davi.
O Mestre ajoelhou-se para melhor poder ver o fundo daqueles olhos tristes das inocentes jovens pertencentes ao rebanho de algum dizimador vivo. Ternamente continuou:
- No Novo Testamento a palavra grega Μεσσίας - Messias - está registrada em João 1,41, quando
André contou a seu irmão Pedro, que recém haviam encontrado o Messias (que traduzido é Cristo), e em João 4,25, onde uma mulher samaritana comenta com Jesus que sabia que o Messias estava vindo, e que quando viesse, nos anunciaria tudo, ao que Jesus prontamente lhe respondeu: "Eu o sou, eu que falo contigo", como já se referiu.
Elas abraçaram Jesus de Nazaré. Choravam copiosamente. Era uma dor tão lancinante que o mundo todo se converteu em um grande lamento.
Os sacerdotes, no entanto, não perderam tempo. Acusaram o Historiador de estar distorcendo os escritos bíblicos. Muitos deles já se preparavam para proibir a leitura da Bíblia Sagrada pelos seus rebanhos. Diziam que ela tinha que ser lida da forma como o recomendava o teólogo Orígenes, no século III.
A Máquina exibiu na sua grande tela:
“Quando a passagem bíblica tem um sentido óbvio, é nesse sentido simples que reside a verdade. Porém quando o sentido manifesto parece falho ou mesmo errado, o texto deve ser interpretado alegoricamente, até que o leitor encontre ali um sentido espiritual que seja aplicável à sua vida”.
O Mestre encerrou os trabalhos desse dia, dizendo:
- Este Juízo Final busca a verdade. Lamento que se confirme o que disse Napoleão Bonaparte: os humanos precisam de religião, não de deuses. A verdade. A verdade. A verdade. É somente isso que o Juízo Final aceita.
No dia seguinte todas as quarenta meninas foram absolvidas. As gentias se recusaram veementemente a serem levadas para nuvens mais elevadas. Voltaram para seus pais vivos que choravam a separação no solo terrestre. As adolescentes judias, por serem ressuscitadas, pediram para permanecerem no solo de Israel. Lá, como disseram, iriam tentar encontrar seus pais que haviam vivido com elas há milhares de anos. Não sabiam, no entanto, se eles também haviam sido ressuscitados.
No solo terrestre a fome e o caos aumentavam. Os Anjos Separadores não conseguiam identificar: quem eram os bons, quem eram os maus? Quem fora justo? Onde estavam seus ossos? As múmias deveriam ser escolhidas ou separadas?
Melhor sorte não tinham os Anjos Ceifadores. Ceifar a quem? Como iriam saber se o humano capturado tinha sido justo, havia se arrependido de seus pecados em algum momento da sua vida, se tinha sido rico, se blasfemara contra o Espírito Santo, se crera – em caso positivo, em quem e no quê – ou se tinha cônjuge crente que o pusesse a salvo, ou se fora batizado – nesse caso por quem e se fora um batismo válido. Jesus de Nazaré pensava em tudo isso. E via que era resultado da dizimação – de acordo com os comentários que fazia para anjos que o rodeavam, preocupados com a baixa produtividade do Juízo Final.
Levariam mais de um milhão de anos, caso conseguissem julgar um réu por segundo, de acordo com os cálculos da Máquina.
Jesus de Nazaré mandara capturar Marcião. Chegou montado em um serafim e dele desceu com grande desenvoltura.
- Que tenham um bom trabalho, Deus judeu Jeovah e o Deus Messias!
A Máquina estampou nova lição de Ehrman: “Marcião, simpatizante de Paulo de Tarso, é um doceta cristão primitivo, inimigo dos ebionitas. Defendia que Jesus de Nazaré não era um ser humano de carne e osso. Era divino e somente parecia ser humano, mas era Deus. Foi combatido pelos padres romanos Irineu e Tertuliano. Dizia aos seus fiéis que Jeovah criara o mundo e lhe deu severas leis. E havia outro deus, maior, distinto, que teria enviado Jesus de Nazaré, espiritual, para salvar o povo de Israel de seu terrível deus, Jeovah. O padre romano Tertuliano afirma com total segurança que Jesus de Nazaré subiu com seu corpo até o céu onde aguarda para retornar em glória”.
- O que dizes - Marcião, em tua defesa? – indagou o Mestre.
- Paulo de Tarso e eu julgamos que nas nuvens não podem viver seres de carne e ossos. A sua Máquina descreveu corretamente a minha doutrina. Jeovah, irado, vingativo, não é o mesmo Deus de Jesus de Nazaré. Jeovah deverá ser afastado.
Pediam novas feitiçarias que chamavam de milagres. A fome no mundo estava insuportável. O pedido foi atendido pelo Mestre e o planeta estava feliz. Peixe, vinho, pão. Tudo em abundância. Por um dia.
- Julgas que eu pratiquei os mesmos atos das feiticeiras que, na Torá e seus escritos, mandaste matar? – indagou o Mestre.
Moisés:
- Tenho que reconhecer. Observei tudo. As mulheres que foram queimadas pelos gentios tinham os cabelos compridos como os teus. Procuravam, como tu, curar enfermos, porém com o uso de xaropes, hervas, infusões. Atualmente vejo que são práticas homeopáticas praticadas por médicos de várias raças, inclusive de indígenas. Elas não tinham o poder de criar alimentos, matar porcos, destruir árvores, colar orelhas decepadas, atravessar lagos e rios caminhando, como teria acontecido contigo. Julgo que, se elas fossem homens, não teriam sido vítimas da barbárie. Teus atos foram descritos para o plantio de provas de divindade. Ações gloriosas aos olhos dos fiéis. Sequer são vistas como feitiçarias. És homem. Os mesmos procedimentos merecem para as mulheres um destino cruel e que persiste até hoje: morte na fogueira ou vítimas da mais pérfida discriminação e a declaração policial de que a estuprada é a culpada.
Jesus de Nazaré respondeu em hebraico:
- ןה רמוא התא המ .מ "ק הרוק המ ןיחבהל ,תוארל לוכי ךניא תא .רבסה ירבד תא לבקל ןיא .םייתימא יכ ,חווד יכ תודבוע
Die Maschiene traduziu sofrivelmente: “Não aceito tuas explicações. Do alto não podes ver e discernir o que se passa a quilômetros de distância. O que dizes são fatos que te foram relatados e que adotaste como verdadeiros”.
Moisés:
לא רוזחל הצור ינא .הלוע ינא .םירירקו םיחל הזה םוקמב ונתוא םש םיטסילגנוואה םינהכה -םימעפ רפסמ הגישה רבכ והילא ןוגכ ,עקרקה
Traduziu Die Maschiene:
- Eu quero voltar para a Terra, como Elias já o fez várias vezes. Lembras que você e Pedro receberam a visita de Elias e eu, descidos das nuvens?
Jesus de Nazaré:
- Continuaremos mais tarde. Agora, se me derem licença, vou abraçar minha adorada mãe.
Sorrindo dirigiu-se aos fundos do Tribunal e sentou-se ao lado de Maria. Era uma cena tocante em que ela mostrava um olhar melancólico e terno. Abraçaram-se longamente.