Juízo Final: Odisséia dos Deuses

Horst Schadeck · Capítulo 43 de 96

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Juízo Final: Odisséia dos Deuses

Capítulo 42

 

Jesus de Nazaré ordenou que trouxessem o primeiro sacerdote judeu, um dos integrantes da Tribo de Levi, conforme ordens de Moisés, supostamente recebidas de Jeovah. Este protestou.

Sua aparição foi espetacular. Chegou carregado por cento e quarenta e quatro anjos de todas as ordens, com preponderância para os serafins, de seis asas. Possuía claramente as feições dos judeus. Seus olhos faiscavam. Ele se impunha porque parecia uma águia de inteligência, perspicácia, astúcia e segurança nos seus gestos.

O primeiro dos sacerdotes bíblicos levíticos não poderia ser mais imponente, como bem descrito em Êxodo 28, do Velho Testamento. Ele vestia um éfod, um manto, uma túnica bordada, um turbante e uma cintura. O éfod era feito de ouro, de púrpura violeta e escarlate, de carmesim e de linho fino retorcido, artisticamente tecido. Nas duas extremidades possuía uma alça para a sustentação. No cinto havia trabalhos de ouro, púrpura violeta e escarlate, carmesim e linho fino retorcido. Duas pedras de ônix possuíam nela gravados os nomes dos filhos de Israel, sendo seis nomes numa pedra e seis nomes na outra, tudo à maneira de selos gravados por lapidadores, sendo as duas pedras encaixadas em filigranas de ouro.

O sacerdote criado pelos textos de Moisés resplandecia. As duas pedras estavam presas nas alças do éfod. Havia engastes de ouro com duas correntinhas entrelaçadas em forma de cordões.

O peitoral, próprio para os julgamentos, é artisticamente trabalhado, do mesmo tecido que o éfod, com ouro, púrpura violeta e escarlate, carmesim e linho retorcido, com forma quadrada, dobrado em dois. Está o peitoral guarnecido com quatro fileiras de pedrarias, havendo na primeira fileira um sárdio, um topázio e uma esmeralda. Na segunda fileira se observa um rubi, uma safira e um diamante. Na terceira fileira se vê uma opala, uma ágata e uma ametista, e, na quarta fileira, um crisólito, um ônix e um jaspe de ouro.

Nessas quatro fileiras de pedrarias estão gravados os nomes das Doze Tribos de Israel, à maneira de um sinete. Várias correntinhas de ouro, entrelaçadas em forma de cordões, se observam no peitoral. Nas extremidades desse peitoral, na parte interior, havia dois anéis de ouro aplicados contra o éfod. Estavam presos à altura da junção, exatamente como Moisés supostamente ouvira Jeovah ordenar. Os anéis estavam fixados do éfod ao peitoral através de uma fita de púrpura violeta, fazendo que o éfod não se separasse da cintura.

O sacerdote levava sobre o seu coração os nomes dos filhos de Israel gravados sobre o peitoral. Escreve o narrador bíblico que os nomes gravados se usam para servir de memorial perpétuo desse povo sobre seu deus, Jeovah, o Senhor dos Exércitos de Israel. Urim e Turim estavam no peitoral do sacerdote. Isso serviria - dizem os narradores bíblicos - para que o sacerdote levasse constantemente sobre seu coração e para que Jeovah o visse, quando o sacerdote estivesse julgando integrantes do povo de Israel. Urim e Turim guardavam, além disso, os dados para efetuar sorteios sobre os castigos a serem impostos aos seus clientes ou os judeus pobres.

O manto do éfod era todo de púrpura violeta. Na cabeça havia uma abertura com uma orla tecida em volta. Ao redor de toda borda inferior, havia romãs também de púrpura violeta, escarlate e carmesim, entremeadas de campainhas de ouro. Estavam dispostas com uma campainha de ouro, uma romã, outra campainha de ouro e outra romã - em todo o entorno da orla inferior do manto.

Havia uma lâmina de ouro puro na qual estavam gravadas, como num sinete, as palavras: Santidade a Jeovah. Essa lâmina estava presa através de uma fita de púrpura violeta na frente do turbante.

Usava ainda uma túnica de linho, um turbante de linho e uma cintura de bordado. Essa imponência supera certamente as vestimentas dos sacerdotes egípcios e mesmo as dos faraós.

- Diga, prezado irmão judeu - iniciou Jesus de Nazaré: Moisés escolheu os judeus da tribo de Levi para nomearem os sacerdotes de Israel. Qual a razão dessa escolha?

- Que o Senhor dos Exércitos nos proteja a todos! - respondeu o sacerdote, inclinando-se até quase tocar o solo. Jeovah Tsdekeneu, Jeovah Shalon! A tribo de Levi foi escolhida porque isso era de agrado de Moisés, meu estimado irmão. O sacerdote tem grande poder, tem o respeito dos seus adeptos e tem a nobre função de julgar e perdoar os delitos de israelitas. Como bem o informa o livro do Êxodo, da Torá, o sacerdote recebe ofertas obrigatórias dos pecadores. Recebe terras ou rebanhos que passam a ser de propriedade do sacerdote de Jeovah, o que o torna ainda e cada vez mais poderoso.

Jesus de Nazaré:

- Vejo que a vida sacerdotal é invejável. Vejo que verdadeiras guerras eram travadas contra os sacerdotes do deus Baal. O dízimo era disputado e sua casta recebeu autorização de Jeovah, assim descrita em Números 18,31: "Quanto aos levitas, dou-lhes como patrimônio todos os dízimos de Israel pelo serviço que prestam na tenda de reunião". E ostentam diamantes, rubis e ouro em suas vestes. E eu passei a preconizar a pobreza como a maior das virtudes, atacando severamente os sacerdotes fariseus, saduceus e todos os demais recolhedores de dízimos. Pelo menos é isso que escreveram no Livro.

Anoitecia. Poucos humanos conseguiram ser julgados. Falava-se abertamente que o Juízo Final era impossível. Mas os sacerdotes discordavam enfaticamente. A Bíblia Sagrada era infalível.

Prenunciava-se uma noite de muito mau tempo. Jesus de Nazaré determinou que João levasse a efeito o fechamento do céu.

A imprensa não conseguiu relatar aos seus clientes sobre que se tratava. E o próprio João parecia até assustado com a ordem. Jesus de Nazaré abriu a Bíblia Sagrada e falou ao Evangelista:

- Escreveste em 1,51: “Vereis o céu aberto e os anjos de Jeovah subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. Determino que feches imediatamente o céu. O temporal será grande e temos que entrar nesse céu fechado de que falas.

João não tinha a menor ideia como poderia fechar o céu. Para sua sorte chegaram protestos do mundo todo através da Máquina. Todos queriam que o céu bíblico se instalasse em seus países, muitos situados a mais de vinte mil quilômetros de distância, do outro lado do globo terrestre, nos Polos, nas selvas amazônicas, totalmente desconhecido para aqueles rudes pescadores, pobres judeus analfabetos, Am ha-Arez E exigiam que o céu permanecesse aberto, sem mesmo saber o que isso significaria.

- Escreveste algo de que não tens a menor noção? Para fechar o céu parece que terias que providenciar algo invisível, já que da Terra nunca se viu esse fenômeno. O céu poderia abrigar os dez milhões de anjos se tivesse uma extensão de cinco mil metros, digamos. Sua altura poderia ser de dez quilômetros. Após isso há falta de oxigênio, já que os anjos possuem pulmões humanos, como já se decidiu neste Juízo Final. E onde estaria o Terceiro Céu? Possui portas próprias? E o Segundo Céu? O resto do mundo ficaria sem céu bíblico?