Juízo Final: Odisséia dos Deuses
Capítulo 58
O mundo continuava perplexo. Como jamais ninguém percebera o que revelava o texto contido na Segunda Carta de Paulo aos seus fiéis da cidade de Corinto? Esse foi o comentário que Jesus de Nazaré fez com Jesus Celestial que a tudo assistia sorridente. Também o terceiro Jesus, o espírito que subira na sexta-feira, após a morte na cruz, como relata o evangelista Lucas em 23,43, parecia estar se manifestando, embora fosse invisível e somente poderia existir na imaginação de todos os integrantes do Juízo Final.
Jesus de Nazaré:
- Paulo de Tarso: pelo que se depreende do texto da tua carta aos Coríntios, o seu amigo em Cristo foi arrebatado ainda em vida. Isso deixa claro que ele subiu com seu corpo. É óbvio que se subisse somente o espírito, o seu corpo teria que ser morto de alguma forma homicida, não é mesmo? E isso você não relata, não esclarece e, sim, oculta de seus dizimistas da Tessalônica, de Corinto, dos Gálatas, dos Efésios, dos Filipenses, dos Colossenses. E sem o corpo seu amigo não poderia ser visto, observado, tocado. Só existiria em sua imaginação.
Jesus de Nazaré voltou para seu trono. Os apóstolos Pedro e demais judeus sorriam satisfeitos e agradecidos. Jesus de Nazaré:
- Resta-nos ainda esclarecer um ponto importante. Paulo de Tarso jamais viu ou falou com Jesus de Nazaré pessoalmente. Ele colaborou com os romanos, inimigos de Israel. Provocou a morte de incontáveis irmãos judeus. Mas se proclamou o sacerdote cristão dos gentios, dos não-judeus, dos goin. E voltou aos romanos, já menos jovem, para lhes oferecer o Grujuem, que usam até hoje.
Paulo de Tarso estava visivelmente contrariado. Era o grande sacerdote dos gentios sendo inquirido pelo mais renomado dos rabinos judeus de todos os tempos:
- Paulo de Tarso, te pergunta este Juízo Final: além dos dízimos sempre devidos a qualquer sacerdote, o que mais te levou a agir como agiste? De onde tiraste a ideia de obter adeptos que nada tinham a ver com o povo judeu, com Jeovah, com Jesus de Nazaré, com os apóstolos?
Paulo de Tarso:
- É evidente, é claro, é natural, que ser sacerdote é muito mais agradável do que ser um soldado. O que faz um sacerdote, durante o dia todo? Já o soldado enfrenta guerras e perigos permanentes a troco de um miserável soldo.
A uma ordem de Jesus de Nazaré, os arcanjos partiram e logo trouxeram, lá do Terceiro Céu mencionado por Paulo, o seu amigo que havia subido nos tempos de vida terrena de Paulo de Tarso. Jesus de Nazaré:
- Diga a este Tribunal do Juízo Final: como você conseguiu subir ao Terceiro Céu sem ter que aguardar dois mil anos e antes mesmo de ser julgado?
O amigo de Paulo de Tarso:
- Isso deve ser respondido por quem escreveu o texto bíblico. Mas reconheço que subi sem julgamento.
Jesus de Nazaré:
- Vamos ter que julgá-lo, embora já estejas instalado no Terceiro Céu há dois mil anos. Você foi justo, você se arrependeu de seus pecados, você creu nas mensagens dos sacerdotes cristãos, ou seja, em mim?
O amigo de Paulo de Tarso:
- Respondo sim a todas as perguntas.
Jesus de Nazaré:
- E você foi batizado? Você teve algum familiar que creu nos relatos de sacerdotes que me anunciavam como o salvador?
- Sim.
Jesus de Nazaré:
- Muito bem. A se confirmar o que dizes, podes permanecer no Terceiro Céu. Mas tens que provar o que dizes. Precisamos passar um vídeo tape de toda sua vida para vermos um ponto importante: se você nunca blasfemou contra o Espírito Santo. Caso tenha feito isso uma só vez, serás condenado a arder eternamente na Geena, em fornalhas e terás que abandonar o Terceiro Céu imediatamente. Essa é a cruel ordem escrita na Bíblia por Mateus ou por copistas interpoladores em 12,31 e com a qual, no entanto, não concordo absolutamente, como já disse tantas vezes. Ameaçar e queimar seres humanos: isso é obra de dizimadores.
O amigo em Cristo de Paulo de Tarso:
- Podes passar o videoteipe de minha vida e verás que digo a verdade.
Os Anjos Separadores concordaram e a Máquina logo reproduzia a vida do amigo de Paulo de Tarso que havia subido sem ser submetido ao incontornável julgamento do Juízo Final. A sessão levou cinquenta e oito anos bíblicos. Finalmente veio a sentença de Jesus de Nazaré:
- Não há indícios de que tenhas blasfemado, salvo em várias ocasiões em que não se conseguiu ouvir o que dizias. Podes voltar ao Terceiro Céu.
Após a longa espera, os demais julgadores concordaram e o amigo de Paulo de Tarso já estava sendo conduzido para cima, quando Jeovah interferiu:
- Um momento. Paulo de Tarso disse que não sabe se esse seu amigo subiu com o corpo ou em espírito. Mas isso não importa muito. Quero saber se outros amigos de Paulo de Tarso também desobedeceram a ordem bíblica e deixaram de aguardar o Julgamento do Juízo Final.
O pobre homem, bastante assustado:
- No Terceiro Céu existem seres vários, mas não sei descrevê-los. Falam em uma divindade feminina.
O evangelista Lucas, médico e discípulo de Paulo, interveio:
- Escrevi no meu Evangelho, em 23,43, quando relatava a crucifixão: "Malfeitor - ainda hoje estarás comigo no paraíso”. Mas nunca fui informado da existência desse Terceiro Céu descrito por Paulo de Tarso. A mim ele jamais relatou sobre essa subida ao céu nem sobre a existência de vários céus.
Jesus de Nazaré:
- Lucas - escreveste logo adiante em 23,46: “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito”. Esse é o Jesus de número três. Resumindo, já vimos que se descrevem como vivendo nas nuvens, nos céus ou no paraíso: Jesus Celestial, que já existia antes que Jeovah criasse o mundo; Jesus de Nazaré, esse que viveu nove meses de gestação no ventre da amada Maria e morreu crucificado aos trinta e três anos de idade aproximadamente; e repito - Jesus de Nazaré Espírito - o que disse na cruz, segundo o narrador bíblico Lucas 23,46: “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito” e que subiu imediatamente junto com o malfeitor, crucificado ao lado. Jesus de Nazaré lhe disse, antes de morrer, em Lucas 23,43: “Hoje estarás comigo no Paraíso”. Esse é o terceiro Jesus, claramente relatado pelos evangelistas. O espírito de Jesus de Nazaré subiu com o do malfeitor, na sexta-feira, sem aguardar a chegada do Domingo. Ou seja, esse terceiro Jesus teria subido antes da noticiada ressurreição do corpo, no domingo de manhã. Cada sacerdote escreve o que lhe agrada ou o que pode ajudar a convencer candidatos a ovelhas.
Jesus de Nazaré continuou:
- Vamos deixar bem claro, pois. Nos vários céus existiam - antes do Juízo Final e depois de passados quarenta dias da crucifixão - os seguintes humanos: o malfeitor crucificado ao lado; o amigo de Paulo de Tarso; Jesus de Nazaré; Moisés; Isaac; Jacó; Elias; o Patriarca, os profetas de Jeovah e o noticiado espírito de Jesus de Nazaré, além dos filhos de Jeovah que desciam para casar e ter filhos com as mulheres terráqueas.
Após tomar ar, continuou o Mestre:
- Não explica o evangelista Lucas como e o que subiu para Jeovah, já na sexta-feira. Deve ter sido o espírito desse bandido. O seu corpo deve ter sido devorado pelos abutres ou enterrado no Gólgota. Não teve as regalias destinadas a Jesus de Nazaré que, além do espírito subir, teve seu corpo elevado para as nuvens quarenta e três dias após a sua morte na cruz.
Manuseou a Bíblia Sagrada e continuou:
- O sacerdote Mateus narra, em 27,52 e 53: “E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de justos que dormiam foram ressuscitados. E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos”. Isso aconteceu no Domingo, portanto. E por algum fenômeno não descrito, pedras teriam se rompido ou se movimentado para que cadáveres ou ossos antigos pudessem ressuscitar também.
- Mas é improvável que o grande acontecimento, o inusitado, a espetacular ressurreição de Jesus de Nazaré deixasse de ser tão grandioso. Meros corpos desconhecido retratados como justos igualam o grande feito que os evangelistas atribuem a Jesus de Nazaré. E mais inacreditável é que tais ressurreições somente servem para dar mais um pouco de vida a esses felizardos, tal como ocorreu com a suposta ressurreição de Lázaro. Os ressuscitados do cemitério não sobem para nuvens, para o céu, ou ao Paraíso, como teria acontecido, na hora da morte, com o bandido crucificado ao lado de Jesus de Nazaré.
Novamente fortes ventos faziam balançar os tronos e os helicópteros. Continuou o Mestre:
- Afinal, evangelista Mateus, esclareça a este Juízo Final: por que sobem corpos ressuscitados e, em outros casos, sobem espíritos? Por que alguns ressuscitados, como Lázaro, não sobem nem com seu corpo, nem com seu suposto espírito? Por que o espírito do malfeitor sobe e os que saíram dos túmulos permanecem sendo vistos passeando pela cidade de Jerusalém, onde todos se conhecem? Caso tenham efetivamente saído dos sepulcros, seus corpos obrigatoriamente teriam sido vistos deslocando-se. Por que não há relato que tenham sido observados subindo ao céu, às nuvens?
- Se o bandido – prosseguiu - subiu supostamente seu espírito, junto com o de Jesus de Nazaré, que necessidades teriam os ditos justos do cemitério de romper inexplicavelmente as lajes de pedra para ir passear seus ossos e tecidos reconstituídos, nas cidades? Com quem falaram? Onde passaram a morar? O que comeram? Localizaram algum parente, filho, neto, bisneto? Obtiveram documentos das autoridades dizendo que tinham acabado de sair de lápides? Esses túmulos foram vistoriados? Pôncio Pilatos foi chamado para ver esses túmulos e as pessoas ressuscitadas? O imperador de Roma foi cientificado da incrível ocorrência? Quantos anos viveram ainda esses ressuscitados? Eles foram arrebatados, sem serem julgados no Dia do Juízo Final? Um ser ressuscitado pode morrer novamente? Nesse caso, concluiríamos que existem duas formas que possibilitam uma ressurreição? Por que os outros evangelistas nada escrevem sobre tão fantástico acontecimento? Ou seria tudo uma nova prova plantada da veracidade das mensagens dizimadoras? Prova plantada? Seria um mito? Ou a mais grave das inverdades? Se for uma inverdade, o que resta de credibilidade nos evangelhos? E na Bíblia?
- Por que somente esses poucos seres humanos mortos tiveram esse privilégio? Como e quem os escolheu e executou os atos aptos a ressuscitar? Sendo Jeovah judeu, falava judeu, dirigia e protegia o povo judeu, estando o judeu Jesus de Nazaré morto, que pessoas tinham o poder de produzir ressuscitações? Não esqueçamos que Jeovah, Moisés seu criador, o Velho Testamento e os rabinos, não admitiam a ressurreição.
Foi feito um recesso de dois dias para que os anjos pudessem recuperar suas energias. Ao retornar, Jesus de Nazaré:
- Paulo de Tarso: concordas que eu, Jesus de Nazaré, não poderia descer do céu para te passar aquela mensagem que dizes ter ouvido: "Por que persegues minha igreja?", como escreveste. Lá do alto sequer se pode ouvir a qualquer humano falando, como está claro dada a distância. Além disso, que igreja, se os templos de Jesus de Nazaré e de Jeovah são sinagogas e tendas de reunião? Sequer existiam igrejas, criações dos romanos, mais tarde. Ekklesia é um termo que somene surgiu muito após essa suposta visão que terias tido no caminho para Damasco.
- Trata-se de uma clara interpolação feita por copistas – prosseguiu. A pergunta que redigiram – “Por que persegues minha igreja”– é pueril e reveladora de astúcia mal engendrada. Uma astúcia beócia! Paulo de Tarso somente criaria e passaria a usar essa palavra grega muito tempo após, quando conseguiu convencer seus ouvintes em reuniões que organizava junto aos candidatos a dizimistas não-judeus! Ekklesia, na língua grega, significa local de reunião. As sinagogas de Jesus de Nazaré e demais judeus foram abandonadas: um novo sacerdote surgira. E logo colocaram torres nesses prédios, diferenciando-os das desprezadas sinagogas.
- Você poderia ter descido sim, prezadíssimo Mestre. Lembras que Moisés e Elias teriam descido e falaram com vocês? Pedro se ofereceu para armar duas tendas para eles, lembras? Ora, se esses habitantes do céu desceram, por que você não poderia ter também descido secretamente? Lembre-se que Elias já fazia sua segunda descida para o solo terrestre. Você mesmo relatou, na ocasião do seu batismo por João Batista, que Elias já tinha descido anteriormente àquela data?
Abriu a Bíblia novamente:
- E eu jamais falei em criar sinagogas com sinos e torres - continuou. Eu e os demais judeus possuíamos nossos templos, sem torres e as demais inovações. Minhas casas de oração eram e são sinagogas, chamadas também tendas de reunião, em tempos mais antigos. Até hoje não se admitem torres, sinos, confessionários, incenso, água benta e hóstias. Mas concordo que ser sacerdote foi e é uma grande vantagem. Os integrantes da tribo de Levi quase sempre foram os agraciados com esse status e podiam receber, como o apóstolo Pedro e seus colegas, as terras de seus clientes que tivessem que pagar pecados, destinados a Jeovah ou para ser distribuído aos pobres.
Jesus de Nazaré:
- Você escreveu na segunda carta aos Coríntios, em 12,6: "Ainda que eu me quisesse gloriar, não seria insensato, porque diria a verdade. Mas abstenho-me para que ninguém me tenha em conta de mais do que vê em mim ou ouve dizer de mim".
Jesus de Nazaré voltou a olhar para o grande sacerdote dos romanos e continuou:
- Que diferença entre o obscuro fabricante de tendas da cidade de Tarso e obscuro soldado e o agora famoso pastor de ovelhas humanas dos gentios! Julga-se glorioso, embora obliquamente. Ser sacerdote era uma das mais ambicionadas profissões entre os judeus e entre os demais povos, em todos os tempos. Na cidade de Tarso o apóstolo Paulo viu de perto o fausto dos seus mestres sacerdotes. Aprendeu com eles. Viu a vantagem entre ser pastor, bem nutrido, rico em dízimos – e um mero militar que era obrigado a ouvir insultos de seus superiores. Observou como eram bajulados esses pastores. Viu como eles se dedicavam ao ócio logo que terminavam suas cerimônias. Os fiéis o alimentavam.
- Os sacerdotes de Jeovah usavam o rico éfod – prosseguiu - como bem descreve o Velho Testamento. O que você vestia quando discursava nas igrejas? Eu falei igrejas, ekklesias, com torres, obeliscos e sinos - não nas sinagogas em que eu atuava.
- Não usava roupas especiais. Mas os meus sucessores, o povo romano, pelo que sei, passou a fazer roupas suntuosas para seus sacerdotes, chamados Bispos, cardeais, abades, padres, monges. Os dízimos polpudos certamente o permitiam. E tudo isso está previsto na Bíblia: o operário merece seu salário, e, sendo sacerdote, merece em dobro, além das terras que os fiéis vendiam - como está claramente descrito pelo apóstolo Pedro no caso de Ananias e Safira em Atos 2,45 e no Velho Testamento em centenas de passagens. E as primícias! Mel, cordeiros, vinhos, romãs, tâmaras, lentilhas, cabritos, maçãs! E ciclos, muitos ciclos! Tudo em grande profusão. E os dizimistas suplicavam para que eu aceitasse tudo!
- Muito bem e amplamente conhecido por todos os dizimistas. Para finalizar - continuou Jesus de Nazaré - você se descreveu como um sacerdote que pode ser gloriado porque essa glorificação é resultante da verdade dos fatos. Mas logo menciona que um dos anjos que se rebelaram contra Jeovah -rotulado de Satanás, teria tido a ousadia de te atacar com a introdução de um espinho em teu corpo. Lembro que os anjos, segundo tuas pregações, não possuem carne ou ossos, ou músculos, ou cordas vocais. Como poderia esse anjo exercer sua suposta força corpórea para te torturar com um espinho?
Paulo de Tarso:
- Satanás - pelo que se lê na Bíblia e aqui já foi dito - somente teria sido responsável por um único homicídio. Jeovah eliminou milhões de pessoas enviando pestes, tumores, lepra, tísica, estrume no rosto, chagas, úlceras, hemorroidas, dilúvio que matou milhões de descendentes de Adão e Eva e de seus próprios filhos, aqueles que desceram para coabitar com as mulheres belas da Terra, como se lê em Gênesis 6,1-2. Ele, o anjo expulso dos céus, das nuvens, do paraíso, não importa, é e sempre será um dos mais importantes integrantes desse Grujuem de que tanto falas. Sem ele os adeptos não perseveram. Sem o medo que esse anjo inflige às ovelhas, morreriam de fome os pastores, embora alguns sejam abastados de berço.
Jesus de Nazaré dirigiu-se aos demais integrantes do Juízo Final e perguntou se alguém tinha mais alguma pergunta a fazer ao grande sacerdote dos romanos.
Lucas:
- Quero falar em defesa do meu mestre Paulo de Tarso. Ele se revelou, efetivamente, como um sacerdote que se julga de magna importância. Mas, vou ler um texto bíblico que mostra um comportamento similar por parte do sacerdote tão ou mais importante do que Paulo de Tarso.
Lucas apanhou a Bíblia:
- Leio em João 4,25: “Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo); quando, pois, vier, ele nos fará conhecer todas as coisas". Disse-lhes Jesus de Nazaré: "Sou eu, quem fala contigo". E consta em João 18,37: ‘Pilatos: és, portanto, rei?’ - respondeu Jesus de Nazaré: sim, eu sou rei”.
- Há uma clara glorificação de Jesus de Nazaré - prosseguiu Lucas - descrita nesse texto de João. Afirma que Jesus de Nazaré, crucificado ao lado de malfeitores, seria o grande Messias, que viria expulsar os romanos de Israel.
- Além disso - continuou Lucas - consta dos Evangelhos que Jesus de Nazaré se disse filho de Jeovah em João 1,51: "Vereis o céu aberto e os anjos de Jeovah subindo e descendo sobre o Filho do Homem".
Lucas parecia atemorizado:
- Mestre, me perdoe que tenha lido esse texto. Mas Paulo de Tarso nada fez de pecaminoso, da mesma forma que tu. E me parece que intitular-se rei de Israel e o Messias não deixa dúvidas que glorificar-se é comportamento adotado por todos os sacerdotes. Você foi tratado como rei, como Messias, como Salvador e como rabino.
- Te cumprimento por defenderes o teu professor, Lucas. Mas eu sempre me revelei um paladino do amor, do perdão, da fraternidade, da igualdade entre homens e mulheres, ao contrário de Paulo de Tarso. Ele abandonou sua carreira de matador de judeus para usar desses mesmos judeus para se tornar o sacerdote dos gentios. Ele usou do Grujuem. Eu usei da mensagem do perdão e da humildade. Ele usou das ameaças, do medo, do terror, das fornalhas da Geena e do Inferno.
- Pois você também.
- Não é verdade. Nada escrevi jamais. Vou determinar sejam riscadas da Bíblia todas as palavras que me atribuem assassinatos e torturas em fornalhas ou quaisquer outros tratamentos cruéis. Aliás – repito, bem lembrou Lucas o que está escrito em João 1,51: "Vereis o céu aberto e os anjos de Jeovah subindo e descendo sobre o Filho do Homem". Os anjos são vistos subindo e descendo sobre Jesus de Nazaré! E o céu se abre?
- A tese de Paulo de Tarso - prosseguiu Jesus de Nazaré - novamente é vencida: os anjos são vistos subindo e descendo. Logo, possuem carne e ossos.
Jesus de Nazaré foi até João:
- Escreveste que o céu se abriu. O que abriu? As nuvens se dissiparam, ou pretendes dizer que há algum céu imaginário que se abre e fecha no plano dos delírios? Existem portas?
- Repito o que está escrito em João 1,51, prosseguiu: "Vereis o céu aberto e os anjos de Jeovah subindo e descendo sobre o Filho do Homem". Ou seja, o céu se abre e se fecha. E se podem ver anjos e Jesus de Nazaré. Afinal, o que se abre? O céu fisicamente não possui limites. O que se abre? Ele se situa sobre Israel, ou sobre Jerusalém? Não há céu bíblico na Groenlândia, por exemplo? Ou na Índia? Ou no Polo Sul? Na Ilha de Páscoa são visíveis os tais anjos subindo e descendo sobre o Filho do Homem, ou seja, Jesus de Nazaré? E, atenção Paulo de Tarso, aqui a Bíblia não deixa a menor dúvida: os anjos podem ser vistos, observados, montados, tocados e feridos! Eles possuem corpos! E Jesus de Nazaré pôde ser visto - logo, efetivamente subiu - arrebatado, ou, ainda, elevado, com seus setenta quilos de ossos e tecidos, como descreve o evangelista em Lucas 24,51.
Jesus de Nazaré:
- Antes de prosseguirmos com o Juízo Final, temos que esclarecer um ponto importante. Faremos um recesso de vinte e quatro horas. Parece prudente sinalizarmos quando o céu está aberto, embora eu não saiba o que seja tal fenômeno. O trânsito de aviões é intenso em toda parte e o céu poderia ser vítima de colisões com centenas de feridos. Prudente, pois, que seja fechado e eu convoco o responsável por esses fechamentos e aberturas. E o Terceiro Céu, referido por Paulo de Tarso, e o Segundo Céu, também possuem portas e podem ser fechados?
Não houve resposta e o céu permaneceu como estava desde a eclosão do julgamento do Juízo Final.