Juízo Final: Odisséia dos Deuses

Horst Schadeck · Capítulo 77 de 96

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Juízo Final: Odisséia dos Deuses

Capítulo 76

 

De um dos helicópteros chegou um email: "Pedimos urgente ação multiplicadora de peixes, pão e vinho. Os estoques de alimentos acabaram em todo o planeta".

Subitamente milhares de trombetas soaram. Eram os anjos executando seus instrumentos milenares, batendo lentamente suas asas e mostrando que eram seres compostos de carne, ossos e penas. O seu líder apresentou-se com um manifesto escrito em hebraico: estavam todos exaustos e pediam uma suspensão do julgamento por dois dias para descansarem, o que foi imediatamente concedido.

Enquanto isso, na Terra continuava o julgamento, no Olympia Stadiom de Berlim, dos sacerdotes romanos da Santa Inquisição, acusados de eliminar milhares de mulheres por feitiçaria.

Amanhecia e o clima havia melhorado. Os tronos foram elevados para o alto das nuvens cirrus existentes a mais de dez quilômetros de altura. Os helicópteros partiram. Os condenados à Geena, deixados nos arredores de Jerusalém pelos Anjos Separadores, foram presos pelos soldados israelenses por falta de passaportes. Nas estradas, nos campos, nos desertos, nas cidades, jaziam milhões de ressuscitados gentios. Estavam todos sedados. Como eram imortais, depois de ressuscitarem, a solução encontrada pelo exército de Israel foi a de alvejá-los com poderosos soníferos, já que, famintos, atacavam o povo israelita. Dormiam durante semanas sem que fosse importunado o povo de Jeovah.

Jesus de Nazaré encontrou lá no alto o seu meio irmão Jesus Celestial, aquele que já existia antes que Jeovah criasse a luz.

Encontrou também o Patriarca, Isaac e Elias, ressuscitados, excepcionalmente, segundo se lê em 8,11: "Multidões virão do Oriente e do Ocidente e se assentarão no Reino dos céus com Patriarca, Isaac e Jacó". Encontrou sua amada mãe, Maria, aquela declarada santa há séculos e mais a outra, recém-ressuscitada no dia do Juízo Final. Encontrou os dois Josés, maridos das duas Marias, um deles santo, e o outro recém-ressuscitado.

Jesus de Nazaré providenciou imediatamente multiplicações de pães, peixes e vinho, já que todos estavam famintos. Quando chegaram alguns helicópteros, subiu para o Terceiro Céu, onde encontrou o santo Paulo de Tarso. O outro Paulo de Tarso, ressuscitado, continuava no Vaticano.

Jesus de Nazaré tentou ver e ouvir as pessoas, na Terra. Distante quilômetros do solo, somente percebia rios, montanhas e campinas. Como poderia ouvir diálogos, se de um quarto mal se ouve o que se fala em outro. Como poderia ver se nas nuvens não existem binóculos ou telescópios. De Jerusalém não era possível ver Tel Aviv, Cairo, Londres, Los Angeles, Ilha de Páscoa, Terra do Fogo, Alasca, Pequim, São Paulo ou Sidnei. Aqui e ali via luzes de cidades. Cem bilhões de ressuscitados logo cresceriam para muitos bilhões mais. Tudo isso era noticiado por Sara Moshê em sua rede de TV.

Atendeu ao telefone celular. Reclamavam de Paris, por peixes, pão e vinho. E pediam carne de cordeiro. Pediam leite para dezenas de milhões de crianças recém-nascidas.

O Vaticano acabara de publicar mais um decreto: doravante a Bíblia Sagrada estaria com sua leitura proibida para seus fiéis. Em todas as igrejas romanas elas estavam sendo recolhidas.

Lucas, aparentando não estar cansado, bradou:

- Escutai! Escrevi e agora repito, em 1,67: "Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou seu povo, e suscitou-nos um poderoso Salvador, na casa de Davi, seu servo (como havia anunciado, desde os primeiros tempos, mediante os seus santos profetas), para nos livrar de nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam".

Do Vaticano chegou logo um manifesto assinado pelo seu maior sacerdote: "Deus, Jeovah, Senhor dos Exércitos, o Deus surgido nos relatos de Moisés no Velho Testamento, é também deus dos romanos. Desde que as tropas romanas se retiraram de Israel, não somos mais inimigos dos judeus”.