Juízo Final: Odisséia dos Deuses
Capítulo 26
Um sacerdote asteca chegou então. Estava vestido com túnica e capa ricamente adornadas com ouro e pedras preciosas, lembrando os trajes sacerdotais de Aarão, agraciado como sacerdote pelo seu irmão Moisés. Anjos Separadores tinham se aventurado à longa viagem até a América Central. Levaram vários meses para a grande epopeia e, com grande orgulho, apresentaram o sacerdote.
Suas vestimentas eram suntuosamente embelezadas por pedras preciosas e fios de ouro. Sua aparição foi espetacular. Jesus de Nazaré falou em hebraico e, após as traduções feitas pela Maschiene:
- Saudações, sacerdote. Creste em mim? Foste justo? Te arrependeste de teus pecados? Obedeceste aos dez mandamentos de Jeovah? Não blasfemaste contra o Espírito Santo? Foste batizado? Tinhas algum familiar crente em Jesus de Nazaré? - perguntou logo o Mestre.
- Certamente que não. Nossos deuses eram outros. Eu fui sacerdote e tinha que cumprir nossas regras.
Jesus de Nazaré:
- Vejo que tinhas outros deuses que não Jeovah, aqui presente. Vejo que pecavas e que não te arrependeste. E vejo que eras muito rico pelas vestimentas repletas de jóias que ostentas. Obedecias ao mandamento que proíbe matar seres humanos?
O sacerdote asteca:
- Certamente que não. Minha função era a de rasgar o peito das virgens e, após arrancar seu coração, exibi-lo aos adeptos. Isso era sagrado e exigido pelos nossos deuses e garantia nosso poder sacerdotal. E nos trazia boas colheitas.
Jesus Celestial interferiu no julgamento:
- Matar não era crime para esses deuses. Pelo contrário, o sacrifício de vidas humanas visava agradar a esses mesmos deuses para que eles concedessem bom tempo para as colheitas de cereais. Iguais sacrifícios faziam os israelitas para agradar a Jeovah. Mas eram sacrifícios de bois e cordeiros. Parece que os sacerdotes judeus eram mais inteligentes: podiam alimentar-se com as melhores partes dos cordeiros, além das primícias, ou seja, dos primeiros e melhores cereais, vinhos e óleos que recebiam como dízimos.
Jesus de Nazaré:
- Obrigado, caro Jesus Celestial.
E, dirigindo-se ao sacerdote asteca:
- Sinto muito, sacerdote do grande povo asteca. Está escrito na Bíblia Sagrada, que todos devem ser julgados neste Juízo Final. Para manter teus poderes e a boa vida de sacerdote, mataste jovens inocentes de forma cruel e torpe. Pecaste aos olhos de Jeovah e dos meus. Não tiveste fé em mim, não foste batizado. Vejo que não te arrependeste dos teus pecados. Não foste justo e não tens familiar que tenha crido em mim. Não tens as mínimas condições para ingressar no céu onde reina Jeovah e sua família.
O sacerdote asteca ergueu-se da cadeira de réus e, com altivez, desafiou:
- Não ousem tocar em mim. Meus deuses virão para me socorrer. Não desejo viver com esse deus que aqui vejo. Além do mais, está escrito na sua Bíblia que ele eliminou a centenas de milhares de humanos com o uso de afogamento no que os padres espanhóis diziam ser o Grande Dilúvio.
Jeovah interveio:
- Mas não irás viver com os judeus aqui presentes. Irás arder na Geena ou nas fornalhas do Inferno onde meus anjos te lançarão. Irás conviver lá com um anjo chamado Lúcifer.
- Padres espanhóis acompanharam o terrível morticínio que os invasores cometeram contra meu povo e, depois, me deram para ler essa Bíblia Sagrada de que falas. Eu a estudei e, em minha defesa, vou ler: “A cólera de Jeovah inflamou-se contra Israel, e ele entregou-os nas mãos dos piratas que os despojaram e venderam aos inimigos. A mão de Jeovah estava contra eles, porque adoravam outros deuses, como Baal e Asserá. Pode se notar claramente que há concorrência entre sacerdotes judeus e os de povos vários. O milenar Jeovah e seus sacerdotes eram abandonados e os dízimos iam para Baal, Asserá e outros deuses e deusas.
Os olhos do sacerdote asteca faiscavam:
- Li em Números 19: “Moisés - eu, Jeovah - te ordeno que mandes trazer-te uma vaca vermelha, mandes imolá-la e o sacerdote Eleazar, com o dedo fará sete aspersões de sangue para o lado da entrada da tenda de reunião. Queimada será a vaca e a cinza deverá ficar do lado de fora. Isso será uma lei perpétua para os israelitas”.
Fazia um grande esforço para conter-se. Virou páginas e leu, com a habitual tradução da Máquina:
- Livro – VT - Números 11: “A cólera de Jeovah se inflamou contra o povo e ele feriu o povo com um grande flagelo, matando muitos israelitas. Deram a esse lugar o nome de Quibrot-Hataava, ou seja, sepulcros da concupiscência”. Vejam - israelenses - juízes deste Tribunal do Juízo Final, que seu deus mata também. E o faz por cólera, por vingança. Pelo menos é o que dizem seus sacerdotes e os narradores bíblicos. Já os sacerdotes astecas cumpriam seu dever, mas os sacrifícios das virgens tinham o objetivo de trazer chuvas para suas colheitas.
Jeovah tentou falar, mas foi interrompido asperamente pelo sacerdote asteca:
- Mas esse senhor aqui presente agiu ainda mais furiosamente, como leio em Números 12: “Jeovah desceu na coluna da nuvem e, na entrada da tenda disse a Aarão e Maria: falo com Moisés face a face. Mas, vocês falaram mal dele, meu fiel servo. A cólera de Jeovah foi terrível: feriu Maria de lepra branca como a neve, desfeita por Jeovah uma semana após, por pedido de Moisés”. E leio em Números 11: “Jeovah irou-se e o fogo dele devorou a extremidade do acampamento”.
Jeovah ouvia em silêncio. O sacerdote asteca continuou lendo, fazendo sua defesa:
- Leio em Levítico 26: “Serei o seu Deus e vocês serão o meu povo. Se não me obedecerem e guardarem meus mandamentos, violando nossa aliança, serão castigados pelos seus pecados, nada frutificará, mandarei as feras do campo que devorarão os seus filhos, matarão os seus animais, a espada matará a maioria. Vocês comerão a carne dos seus filhos e amontoarei seus cadáveres sobre os seus ídolos e suas cidades se transformarão em desertos. Vocês morrerão em Terras inimigas. Mas, ao final, me lembrarei, apesar de tudo, da minha aliança com seus pais”.
O sacerdote asteca era perspicaz. Altivamente conduzia a sua defesa naquele inesperado julgamento a que fora conduzido:
- Em Números 3,49 lê-se: “Moisés entregou o dinheiro do resgate, 1.365 ciclos, a Aarão e seus filhos, por ordem que Jeovah lhe dera”. Em Levítico, 27: “Jeovah disse a Moisés: Diz aos israelitas: se alguém consagrar a Jeovah parte da terra que lhe pertence, ou sua casa, ou animais, ou campos, e ficar livre do jubileu, será consagrado a Jeovah como um campo votado ao interdito, e tornar-se-á propriedade do sacerdote”. A prova da dizimação está no Livro. Todos querem ser sacerdotes e enriquecer. Mas estou sendo acusado de pecar, descumprindo o mandamento de Jeovah: não matarás.
Abriu novamente a Bíblia Sagrada e leu, observando antes:
- Mas percebam o que faz o criador desse mandamento. Em Isaías, 37, consta: “O anjo do Senhor apareceu no campo dos assírios e feriu cento e oitenta e cinco mil homens. No dia seguinte, de manhã, ao despertar, só havia lá cadáveres”.
Tornou a abrir a Bíblia em outra parte. Parecia conhecer muito bem aquele livro que lhe fora dado pelos espanhóis. E leu:
- Jeremias 44: “Eis o que diz o Senhor dos Exércitos, Deus de Israel - vistes todas as calamidades que fiz recair sobre Jerusalém e sobre todas as cidades de Judá. Converteram-se agora em desertos inabitáveis. Tudo porque me irritaram por renderem culto e incenso a deuses estranhos. Não me escutaram e sobre eles recaiu toda minha cólera. Castigarei os que residem no Egito, como o fiz em Jerusalém, pela espada, pela fome e pela peste”.
O julgamento estava tomando ares de confronto. Jesus de Nazaré ordenou que voltasse Moisés. E disse:
- Moisés - escreveste em Números 15, que terias falado com Jeovah e este teria prescrito uma lei perpétua em que os israelitas e os estrangeiros ofertarão um décimo de flor de farinha amassada com um quarto de hin de óleo, um quarto de hin de vinho e sacrifícios de carneiros, touros, bois e com as primícias da farinha, ao fazerem bolo, uma parte deve ser separada para oferta a Jeovah em oblação nos templos.
Moisés confirmou com a cabeça e Jesus de Nazaré:
- Jeovah te disse - escreveste. E teria dito também que os sacerdotes que deveriam ser os beneficiados com esses dízimos seriam levitas e os seus descendentes. Escreveste - Moisés, em Números 18, que Jeovah teria dito: “Aarão, tu e teus filhos e tuas filhas, por lei perpétua, comerão em lugar santíssimo, o melhor do óleo, do vinho e do trigo. Os levitas ficarão com o dízimo dos dízimos fornecidos pelos israelitas; será o salário pelo serviço prestado na reunião. Ao separarem as santas ofertas para consumo próprio, isso não será pecado e servirá para que não morram”.
Continuou o Mestre:
- Consta de II-Reis 12: “Disse o rei para Jojada e demais sacerdotes, nos anos 841-835 antes de Cristo: doravante não recebereis mais o dinheiro de vossos clientes, mas o entregareis para os reparos do templo. O dinheiro dos sacrifícios pelos delitos ou pelos pecados era dos sacerdotes”.
Para surpresa geral, Jeovah tomou a palavra e disse:
- Ouço com paciência as arengas. Não estão vendo que dizimar é o óbvio? Por que perdemos tempo com isso? Lembro o que escreveu Malaquias 3: “Disse Jeovah: pagai integralmente os dízimos ao tesouro do templo, para que haja alimento em minha casa. Fazei a experiência – diz Jeovah , o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel – e vereis se não vos abro os reservatórios do céu e se não derramo a minha bênção sobre vós muito além do necessário, afugentando o gafanhoto e fazendo férteis as safras de vinhas”.
Parecia enfadado, mas continuou:
- Os sacerdotes descrevem os prêmios para os que acatam suas regras! Leio mais em Malaquias 3: “Virá o dia ardente como a fornalha e os que cometem o mal queimarão como a palha. Mas os que me temem (a mim, Jeovah) terão o Sol e a justiça”. Há castigo aos infiéis e prêmios aos que me obedecem e fornecem o dízimo a Jeovah, aos cuidados dos meus sacerdotes. Não percebem que tanto os sacerdotes romanos como os evangélicos usam a mesma técnica?
- Ah! Acabo de lembrar – continuou Jeovah - o que o romano e judeu Saulo, de Tarso, escreveu, de próprio punho, em I-Coríntios, 16: “Quanto à coleta em benefício dos santos, segui também vós as diretrizes que eu tracei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que tiver podido poupar, para que não esperem a minha chegada para fazer as coletas. Quando chegar, enviarei, com uma carta, os que tiverdes escolhido para levar a Jerusalém a vossa oferta. Se valer a pena que eu também vá, irão comigo”.
Jeovah, Javé, o Altíssimo Senhor dos Exércitos de Israel:
- Vejam que esse Paulo é um dos mais bem organizados dizimadores. Possui uma equipe para realizar as coletas nas várias cidades em que as minhas sinagogas não existem, mas, sim, edificações que chamam de igrejas, possuem torres, sinos, confessionários, águas bentas, incenso e ídolos de ouro e outros materiais. Estou farto dessas discussões. Vamos acabar com os julgamentos.
Mas Jesus de Nazaré não se conformava:
- Jeovah: Moisés jamais mencionou a existência de um filho teu com o nome de Jesus. Durante mais de quatro milênios, desde que terias criado tudo biblicamente, nunca foi noticiado meu nome.
Jesus de Nazaré:
- Mas no Novo Testamento afirmam os sacerdotes que Jesus, não importa agora qual deles, já existia antes que tu criasses o mundo. Você não se lembra desse filho? Não sabe que nome tinha? Quem era a mãe dele?
- Heresia! Blasfêmia! Era o que se ouvia entre os ocupantes dos helicópteros.
Jeovah:
- Nenhum filho celestial meu com o nome de Jesus foi jamais mencionado nos escritos de Moisés. Eu nasci nos escritos dele. Antes dele eu sequer existira. Cabe a ele explicar.
Jesus de Nazaré:
- No Novo Testamento eu sou descrito como filho de Maria e José. Em Mateus 1,16, fala-se que sou filho único de Jeovah, embora a gestação de Maria tenha sido iniciada por obra de um Espírito Santo e sua sombra sobre a mãe de Jesus de Nazaré. Sou descrito pelos evangelistas como aquele que declarou a igualdade da mulher e do homem. Sou descrito como defensor dos pobres e detrator dos ricos. Sou mencionado como o inimigo dos sacerdotes de Jeovah e que eu teria vindo do céu, enviado por você. Jeovah: vejo que és descrito como um deus implacável e vingativo e que eliminou a milhares de seres humanos. Quero dizer que, caso eu estivesse no céu contigo, não permitiria as atrocidades que cometeste. Não permitiria que mulheres fossem mortas ou escravizadas por quem quer que seja. E julgo que meu suposto meio irmão, Jesus Celestial, foi totalmente omisso ao não coibir esses homicídios.
Jeovah:
- Ah, sim? E como irias impedir que meus supremos e sagrados desejos fossem cumpridos? Quantas legiões de anjos possuías ou ainda possuis para tal façanha? Não escreveram que sou onipotente e posso matar a quem me desagrada?
Jesus de Nazaré:
- Para salvar da morte as mulheres, as crianças e os escravos, eu iria buscar auxílio até mesmo dos anjos que se rebelaram contra ti e estavam na Terra. Os bárbaros afogamentos de milhões de mulheres, crianças e velhos, no dilúvio que provocaste, eu os teria impedido certamente. E as calotas polares? Derreteriam? Ou não sabem, Moisés e tu, o que seja calota polar? Na arca Noé colocou a jaguatirica, que foi buscar na América do Sul, que ainda não havia sido descoberta? E a consanguinidade dos humanos e demais animais, que se seguiria? Os filhos do casal de hipopótamos se acasalariam, cometendo incesto? Isso seria catastrófico para todas as espécies sobreviventes na arca! Os netos de Noé se casariam todos com primas? Perdoem-me os sacerdotes - esse é outro relato bíblico criado por dizimistas parvos, na época Am ha-Arez judaicos.
Jeovah:
- Ah! Unir-te-ias ao Lúcifer, que me desafiou e foi expulso do céu? Associar-te-ias a esse anjo que chamam de Satanás? Não falam que o dilúvio e demais narrações do livro de Gênesis são meramente simbólicos e de origem mítica?
Jesus de Nazaré:
- Nesse caso a Bíblia seria uma grande mentira? Tanto para os judeus como para os gentios que a adotam para suas práticas dizimistas? Os anjos de Gênesis seriam míticos e os anjos do Novo Testamento, descritos pelos evangelistas não o seriam? Os exércitos de anjos que compareceram ao meu nascimento em Belém, seriam também míticos? Não seriam todos eles provas plantadas? Para salvar mulheres e crianças da tua ira, certamente que eu iria buscar auxílio. A propósito: explique por que se rebelaram esses anjos e onde o anjo rebelde foi depois rotulado de Diabo? Teu poder não é insuperável? Perdeste o poder sobre esses anjos descontentes? Ou a revolta deles foi justa?
Jeovah:
- Pergunte isso aos narradores do Velho Testamento. Os anjos se rebelaram e nada mais há para explicar. Quem deu a esse anjo o nome de Diabo foram os que escreveram a Bíblia. Esses narradores sacerdotes necessitam desse personagem, não percebem? Sem ele, como atemorizaremos vítimas ou dizimistas?
Jeovah - Dados Yisrael – Santo de Israel - parecia prestes a explodir de ira.
Os apóstolos estavam cabisbaixos. Jeovah e os personagens bíblicos possuíam corpos, não havia como negar. Não eram espíritos, como escreveu Paulo, o pastor dos não-judeus.
O sacerdote asteca parecia se divertir com as contendas. Mas estava impaciente. E por fim, furioso. Um dos querubins fitava e rosnava para o religioso com ar belicoso. Rugiu agora a parte leão, mostrando os caninos ameaçadoramente e a parte boi mugiu várias vezes enquanto a parte águia guinchava. As partes animais agiam sempre em harmonia quando havia conflito.
Estranhas criaturas - disse para si mesmo o sacerdote americano. Nunca as tinha observado no seu Continente.
Jesus de Nazaré:
- Percebo que estás surpreso. Não se trata de um mito. Essa ave leão-boi-águia humana foi gerada nas nuvens e lembra o ornitorrinco, australiano, que é o único mamífero ovíparo existente no planeta. O querubim talvez possa ser acasalado com sucesso com o serafim, de seis asas. E, muito importante: as nove ordens de anjos já eram e ainda são respeitadas por povos outros que não os judeus. Certamente não se pode garantir que tenham sido criadas pela pena do sacerdote Moisés, dos evangelistas e de Paulo de Tarso.
Mateus, o evangelista interveio agora:
- Em meu Evangelho 28,2 e seguintes, lemos: “Subitamente houve um grande terremoto, pois um anjo do Senhor desceu do céu, aproximou-se, rolou a pedra do sepulcro e sentou-se nela; o anjo, branco como a neve e como um relâmpago, disse às mulheres: ressuscitou”.
Levantou-se Mateus e prosseguiu, caminhando em direção a Moisés:
- O relato de teu querubim guardando o Éden não é menos valioso do que o meu.
Jeovah:
- E se nota que nas provas plantadas sempre há terremotos e outros fenômenos que impressionam os ignaros, os dizimistas de então, os Am ha-Arez. Sempre surge o personagem masculino, e de branco, geralmente um humanóide. Já era assim nos textos do Velho Testamento. Mas o que é relevante é o fato de que o anjo do Senhor, ou seja, de Jeovah, teria descido do céu para testemunhar. Não confirmo nada disso, obviamente. Jamais poderia dar testemunho a favor de um deus concorrente, não importa se judeu ou gentio. Não se lembram do meu mandamento: Não terás outros deuses diante de mim? Estou aqui agora porque o Juízo Final assim é descrito, embora não autorizado por mim e por meus sacerdotes, Sumo Sacerdote, príncipes, Moisés e profetas do Velho Testamento.
Subitamente um grande alvoroço interrompeu os trabalhos do julgamento. Chegava uma das colônias de humanos-celestiais-divinos.
Os repórteres e seus helicópteros tiveram que afastar-se.
- Sejam benvindos ao Tribunal – disse Jeovah.
O líder da colônia foi assentado em um dos tronos vagos em frente ao pai dos humanos divinos.
Moisés apressou-se e fez as apresentações. Após:
- No livro de Sabedorias 12,7: “Para que esta Terra, estimais entre todas, recebesse uma digna colônia de filhos de Deus”.
- Jeovah diga ao Tribunal: escreveu Moisés na Torá que você tudo criou em seis dias. Criou Adão e Eva com barro e costela. Quem criou e quando os anjos?
- Não sei. Pergunte ao escritor da Torá.
Moisés não aguardou:
- Confesso que me esqueci de relatar. Os anjos foram criados pela imaginação dos humanos.
- Não! Não! Moisés! A Torá não mente! Já existiam anjos adultos quando nasceram Adão e Eva! E possuíam treinamento de guerra, portavam espadas fulgurantes para guardarem o Jardim do Éden! Eram de carne e ossos, tal qual Jeovah, portanto!
- Jesus de Nazaré, séculos mais tarde, nos evangelhos não teria afirmado que poderia requisitar legiões de anjos, se o desejasse? Por que o Messias não exigiu a presença dessas legiões para salvar o povo de Israel do jugo dos inimigos romanos?
- Milhões de anjos existiriam, todos invisíveis! Por que não aparecem? Jeovah faria essa descomunal quantidade de seres aves-humanas, da mesma forma utilizada para criar Adão?
Moisés:
- Não parece lógico. Jeovah não se daria a esse trabalho interminável. Faria os anjos como fez Adão e Eva e ordenaria que tivessem filhos também.
- Paulo de Tarso afirma que os anjos não possuem sexo e não engravidam, portanto. Como ficamos?
- Um grande buraco narrativo. Segundo Paulo não existe carne nem ossos nas nuvens. Somente espíritos. Como pode ele saber se não possuem sexo esses ditos espíritos, se eles são invisíveis? Como se multiplicam?