Juízo Final: Odisséia dos Deuses
Capítulo 64
Apanhou a Bíblia Jesus de Nazaré e leu em Mateus, 22,30:
“Na ressurreição os homens não terão mulheres, nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Jeovah no céu". Cem bilhões de humanos acabam de ressuscitar para serem submetidos a Juízo Final. Pelo que escreveu Mateus, todos os ressuscitados são assexuados. Já os que ainda não morreram, continuam mantendo relações sexuais e procriando.
Espanto geral. Perplexidade. O Mestre:
- A Bíblia confirma: dois tipos de habitantes iriam povoar o céu e as fornalhas da Geena, ou do Inferno. Uns poucos, mantendo a atividade sexual. E a grande maioria - os ressuscitados, não a teriam. O que fariam os pedófilos? Onde praticariam seus atos hediondos? Visitariam as abadias com suas pequenas vítimas? Haveria algum tribunal para julgá-los? Depois de subirem, poderiam ainda ser condenados a descer para a Geena? E os homossexuais – poderiam estes continuar a viver legitimamente como casais sem serem discriminados ou desrespeitados, ultraje cometido por Paulo de Tarso em suas cartas?
Jesus de Nazaré:
- Cabe esclarecer ao Tribunal: eu sou um dos ressuscitados. Mateus: sou como os anjos? E como são os anjos? Eles não se reproduzem? Teria eu perdido minha masculinidade no momento da minha ressurreição? Por quem? Como?
- Existem anjos bebê. Logo, se reproduzem.
Jesus de Nazaré:
- São nove espécies, coros ou ordens angelicais. São divididos em três estirpes. A primeira é composta pelos Serafins, Querubins e Tronos. A segunda, por Dominações, Potestades e Virtudes. E a terceira hierarquia, por Principados, Arcanjos e Anjos. Os serafins possuem seis asas, como consta do livro de Isaias 6,1-3. Os querubins, segundo Ezequiel 1 e 10, possuem quatro asas e quatro rostos: um de boi com aspas, outro de águia, outro de leão e outro humano. O arcanjo falou e Jeovah pessoalmente tocou a trombeta para dar o sinal quando desceram para dar início ao julgamento do Juízo Final, como está escrito por Paulo de Tarso em sua carta aos habitantes de Tessalônica, em 4,16. O próprio Jeovah é transportado por um querubim, o que mostra não ser ele um espírito.
Prosseguiu o Mestre:
- Alguns possuem seis asas, outros quatro e outros duas. Há cruzamentos entre eles? Mas, o que devemos investigar são as características de Jesus Celestial. Sendo ele filho de Jeovah, possui mãe celestial. E, tendo Jeovah outros filhos, os que desceram para coabitar com as mulheres belas da Terra, concluímos que Jeovah possui uma grande família. Essa família, por óbvio, não é assexuada. Os filhos de Jeovah que desceram em busca das mulheres belas obviamente não foram atrás delas para meras tertúlias. Tiveram filhos com elas, netos efetivos de Jeovah e da mulher que gerou os filhos de Jeovah. Casaram com elas, pois, caso contrário, seriam expulsos pelos varões judeus.
- Mateus - continuou o Mestre - o que escreveste sobre não terem sexo os ressuscitados, não pode ser aceito. Pergunto-te: quem te autorizou a escrever isso? Como você poderia saber e prever o que escreveu? Elias seria o único a poder conhecer mulheres no céu, já que não passou pelo processo de ressurreição? E lá existem mulheres feias, já que os filhos de Jeovah desceram porque viram na Terra mulheres diferentes - bonitas? Esses filhos de Jeovah não possuíam filhos no céu, o que seria perfeitamente admissível, já que eles somente podem ser evidente produto de relações de Jeovah com uma ou mais mulheres celestiais?
- Escrevi isso porque imaginei que os casais não deveriam ter filhos lá nas nuvens. Além disso, onde obteriam esses casais a privacidade para poderem levar a efeito a fecundação? E alimentos? Vestimentas? Toilettes? Locais para partos?
Jesus de Nazaré:
- E onde os anjos fazem a fecundação? E os alimentos para essas crianças-anjos?
Mateus:
- Os anjos não podem gerar filhos. Eles certamente foram criados como o foi Adão e Eva, e todos de uma só vez.
Jesus de Nazaré:
- Eles são milhões! E foi um santo romano que os contou! E são visíveis em pinturas, nas igrejas -como bebês! Escreveste que doze legiões de anjos poderiam ser requisitadas por Jesus de Nazaré, se o desejasse. Teria Jeovah criado todos de uma só vez? Nos dois milênios que passaram, teríamos tantos anjos que os aviões entupiriam suas turbinas com eles voando por aí, se realmente existissem.
Jesus de Nazaré olhou para Jeovah:
- Os anjos expulsos? Obviamente também estariam procriando. Teríamos milhões de anjos subordinados ao Anjo Caído, o Diabo. Milhares de Diabos, Diabinhos, Belzebuses, Anjos Caídos, Lúcifers? Vamos chamar para depor o anjo conhecido por esse nome e que teria sido o chefe da rebelião celestial.
Chegou rapidamente. Pousou sobre as costas de vários querubins, sendo logo ferido pelos leões dos rostos dessas criaturas humanóides. A parte humana vociferava e o boi mugia. Finalmente o Diabo:
- Salve! - grande Senhor dos Exércitos, Deus de Israel, poderoso Jeovah! Salve Jesus de Nazaré, grande líder dos apóstolos! Aqui estou novamente.
Jesus de Nazaré respondeu secamente:
- Quero comunicar-lhe que a Bíblia contém determinação para que também os anjos sejam julgados, fato que ignorávamos.
- Prezado rabino, pregador das sinagogas de Israel! Que excelente notícia me dás! Bem conheço esse texto bíblico que, se me permite o Tribunal, vou reproduzir. Diz o apóstolo Pedro em II-2,4 e seguintes: "Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os precipitou nos abismos tenebrosos do Inferno onde os reserva para o julgamento".
Lúcifer, o Anjo-Luz, como muitos o rotulam, sorriu aparentemente satisfeito pela impressão que estava causando ao mundo todo:
- Jeovah, é verdade o que disse Pedro? Você precipitou em abismos a mim e meus seguidores? E você nos reservou para sermos julgados por nossos pecados, neste Dia do Juízo Final? Além disso, como poderia estar em abismos, se tenho falado com Jeovah e com Jesus de Nazaré durante séculos? E não esqueçam: sou muito útil aos sacerdotes. Sou usado para transmitir temor, medo, pavor, terror.
- Quero adverti-lo, Lúcifer: quem está sendo julgado aqui é você e seus anjos associados. Não tenho que lhe dar qualquer satisfação.
- Um momento! - interrompeu Jesus de Nazaré. Pedro, explique ao Juízo Final: de que forma você poderia saber, ao escrever, séculos após, que anjos pecaram e foram jogados em precipícios por Jeovah? Como você poderia saber que Jeovah reservou esses anjos para o julgamento, como você escreveu? Jeovah sequer sabia que algum dia haveria um julgamento! Jeovah e seus sacerdotes jamais noticiaram que haveria uma ressurreição em massa e um Dia de Juízo Final! Você misturou a queda dos anjos, do Velho Testamento, com um julgamento criado por apóstolos, no Novo Testamento!
Pedro:
- Escrevi, sim, Jesus de Nazaré. Todos os sacerdotes criam regras e escrevem para seus adeptos. Moisés não escreveu fazendo surgir o nome de Jeovah? O evangelista Mateus não escreveu que esse anjo aqui presente, rotulado de Diabo, te apanhou pelo braço e te levou para o alto de uma montanha? Tu, o grande Filho do Homem, como te descrevem, sendo agarrado e conduzido por um reles anjo pecador?
Pedro agora tinha seu momento de glória no grande Juízo Final:
- Leio abreviadamente no livro do Apocalipse 12,7-9: "O dragão e seus amigos travaram combate. O dragão, a antiga serpente e seus anjos foram precipitados na Terra”. Quem escreveu isso? Foi João, e eu pergunto a ele: no céu existiam animais, além das aves-anjos? O que comiam? O que faziam? Quem criou esse dragão? Por que ele não caía? Quem o viu? De que forma João pode descrever tal criatura de carne e ossos sem ter estado lá nas nuvens? Esse dragão seria transformado em um anjo, chamado Diabo, Satanás, Lúcifer e outros nomes?
Antes de aguardar a resposta do evangelista João:
- Paulo de Tarso: o tal dragão, serpente ou anjo, foi precipitado para a Terra. Para que algo despenque, para que algo caia, é necessário que possua matéria. No caso, carne e ossos. Um espírito não pode ser precipitado, evidentemente. O encarregado da precipitação não terá como agarrar o dragão, se ele não possuir corpo. E esse precipitador teria que possuir músculos para realizar suas tarefas. E teria que ser muito forte, já que um animal desse porte tem considerável peso, além de garras e dentes afiados, lembrando o dragão de Comodo. Um anjo fiel a Jeovah faria isso?
Paulo nada respondeu e João contestou as perguntas de Jesus de Nazaré:
- Evidentemente que eu não tive condições de ver nem de estar no céu. Jamais poderia ter visto o tal dragão. O que se observa é que todos os sacerdotes escrevem suas próprias histórias, tal como Moisés. Foi o que eu fiz. Não é esse o papel dos sacerdotes? Não é sua missão trazer aos dizimistas uma história que os conforte e, ainda, atemorize? Não está tudo previsto na Bíblia? Não buscam os sacerdotes receber seus dízimos? Não estão todos felizes com essa relação de clientes dizimistas e sacerdotes dizimadores? Não está escrito que os pastores devem receber salários em dobro? E dízimos trienais, como reforço? E propriedades dos fiéis, como relatam o apóstolo Pedro e outros?
- Ninguém mais duvida dessa relação. Mas João - descreves um animal inexistente. Muito menos no céu, nas nuvens.
- Ora, Pedro - não se olvide que o céu está povoado de aves com asas e corpos de humanos. O que pode ser mais fantástico? E o que pode ser mais incrível do que o relato de Moisés, informando que existiria nas nuvens um ser, sem asas, de nome Jeovah e que não cai? Deixem em paz, pois, o meu dragão. Os adeptos necessitam do medo. Sem medo, não conseguem ter fé. E sem fé, sofrem e se angustiam. Os adeptos querem ser iludidos. A ilusão lhes é útil, lhes dá conforto. E os sacerdotes, que não trabalham como pescadores, camponeses ou quaisquer outras atividades produtivas, necessitam dos dízimos para poderem sobreviver e poderem exibir belas roupas - e a glória. É uma troca justa e claramente prevista em centenas de passagens nos dois Testamentos e nas leis humanas.
Lúcifer interveio:
- Altíssimos deuses. Sinto que estou sendo ignorado. Lembram quando nos reunimos com Jó? Lembram que nossas relações eram bastante amistosas? E, jovem Jesus de Nazaré – te lembras de nossas andanças por desertos, montanhas e templos?
Sara Moshê noticiou:
- O Papa escreveu e publicou o livro Jesus de Nazaré, da Editora Planeta. E diz que o sepulcro vazio, como tal, não pode ser uma prova da ressurreição e que se desenvolveram concepções de ressurreição para as quais é irrelevante o destino do cadáver. E escreveu adiante que Jesus chega através das portas fechadas e se apresenta de improviso no meio deles, apóstolos. É plenamente corpóreo; todavia não está ligado às leis da corporeidade, às leis de espaço e tempo. Ele é o mesmo, ou seja, o homem de carne e osso, e Ele também é o Novo, Aquele que entrou num gênero diverso da existência.
Jesus de Nazaré, após ler o texto e analisar longamente o livro:
- O Sumo Sacerdote romano cumpre com seus deveres. Seus agora bilhões de dizimistas não mais se contentam com os buracos narrativos cometidos pelos evangelistas. Eles não são mais os ingênuos ignaros agricultores, ferreiros, tecelões, pastores, os Am ha-Arez dos tempos bíblicos. Na minha Nazaré havia quinze rústicas habitações. Não havia polícia e sair à noite era temerário. Bandidos e ladrões de pomares eram comuns. Mas eu que lá vivi, afirmo: o povo era uma grande maioria de pobres, de gentalha, de ignorantes, de doentes, de leprosos, de incultos. Viviam até os quarenta anos os que tivessem sorte. Era um campo fértil para os sacerdotes. Os ricos viviam em Jerusalém, Tiberíades, Séforis, rodeados pelos Sumo Sacerdote, escribas, rabinos e grande número de escravos e escravas.
- Sobre o livro: são necessárias complementações e construções retóricas mais requintadas. Reconhece o Papa em sua obra literária que o ressuscitado descrito por Mateus e demais evangelistas possui carne e ossos no céu.
- Para tentar satisfazer aos seus dizimistas – continuou - o Papa diz que o corpo de carne e ossos não está ligado às leis da física. O corpo não é um corpo. Mas, ao mesmo tempo, o corpo com seus ossos e carne é um corpo. Qualquer estudante sabe que as leis da física resistem a todos os ataques de religiosos ou pessoas que ignoram o funcionamento do Cosmos. Insistir nesses ataques é um visível intento de não perder fiéis e, em consequência, diminuição de dízimos.
O Papa tudo ouvia no Vaticano, para onde fora levado por anjos com urgência. Mas nada respondeu.
A Máquina foi acionada e estampou:
- “Valentino escreveu que Jesus comia e bebia de maneira peculiar, não evacuando seus alimentos graças ao seu poder de continência. Mas isso invalidava a ressurreição – Paul Johnson, op. cit. p. 110. A teologia paulina legou um dilema aos teólogos cristãos: como explicar a divindade de Jesus de Nazaré e, ao mesmo tempo, manter a singularidade de Jeovah? Não haveria dois deuses? O espaço de manobra existente consistia em manipulações verbais, por trás das quais havia conceitos nebulosos. Consubstancial após a carne era um desses dispositivos”.
Jesus de Nazaré:
- Conceitos nebulosos são frases compostas por termos ambíguos ou vagos. Usam-se palavras que são casas com muitos hóspedes. É o caso bem típico da expressão papal usada em seu livro Jesus de Nazaré: Vastidão de Deus. É uma repetição dos métodos usados há dezoito séculos: consubstancial após a carne. Esses conjuntos de palavras são falaciosos, permita-se que o diga. Nada dizem, mas pretendem tapar, desde o século II e III desta Era, o buraco narrativo produzido pelos evangelistas.
- Jesus de Nazaré subiu, sim, mas com o que? Corpo? Espírito sem matéria alguma? As duas coisas? Ou uma novidade que o Papa rotula de paradoxo e experiência absolutamente única que ultrapassa os horizontes habituais da experiência. Diz o Sumo Sacerdote dos romanos que a ressurreição de Jesus de Nazaré teria sido resultado de um paradoxo. O termo usado há dois milênios – consubstancial após a carne – é agora simplesmente trocado por paradoxo de uma experiência que ultrapassa os horizontes habituais.
Jesus de Nazaré prossegue:
- Declaro que o buraco narrativo criado pelos apóstolos não foi sanado pelo livro Jesus de Nazaré. Ao mesmo tempo alerto que o procedimento dos sacerdotes de todos os tempos se repete: nunca deixar sem uma explicação quando os buracos narrativos são encontrados pelos rebanhos. Dezenas de páginas escritas nesse livro só mostram com ainda maior evidência: a confirmação de todo o milenar processo dizimatório.
Novamente a Máquina estampou: “Era sempre difícil distinguir entre os verdadeiramente inspirados, os auto-iludidos e os meros criminosos. No ano 250 a Igreja em Roma era rica o bastante para sustentar um Bispo, quarenta e seis presbíteros, sete diáconos, sete subdiáconos, quarenta e dois acólitos e cinquenta e dois exorcistas, leitores e porteiros. Dispunha de uma lista de caridade de mais de 1.500 membros. Inventários estatais mostram que vastas quantidades de bens foram confiscadas, ouro e prataria, vestimentas e ornamentos preciosos, provisões de alimentos e roupas, livros e dinheiro. Muitos Bispos da África abriam mão de seu ministério sagrado, desertaram seu povo, abandonaram a diocese, tentaram ganhar dinheiro, tomaram posse de propriedades por meios fraudulentos e envolveram-se em usura. Na Espanha há relatos de cristãos agindo como sacerdotes cívicos. Não se veem Bispos desejando ser transferidos de uma grande sede episcopal para outra menor: todos estão em chamas com o fogo da cobiça e são escravos da ambição. A História do Cristianismo - Paul Johnson, op. cit. p. 64 e 95 e.s.”.
O Mestre de Nazaré:
- Convido os juízes deste Tribunal do Juízo Final a meditarem sobre o que ocorreu após a morte de Jesus de Nazaré. Não se pode ter a menor dúvida de que o Grujuem é usado por todos os dizimadores que chegam a ser conhecidos por estarem em chamas com o fogo da cobiça e que os crédulos são facilmente levados à situação de doadores, de dizimistas, de vítimas de charlatães. Em seguida convido a todos para que a verdade seja extraída, não dos fatos históricos posteriores à minha morte, mas sim e unicamente do próprio texto bíblico.
Levantou-se do seu trono o Mestre, cobriu sua cabeça com um manto, pois começara a chover e a ventar. Prosseguiu:
- Temos que julgar com base exclusivamente no que se extrai do Livro Sagrado. Temos que examinar esse texto e, após remover a capa que esconde as reais intenções dos que escreveram - expor a verdade doa a quem doer. Só assim se saberá absolver ou condenar com sabedoria, equidade e justiça. Vamos descobrir a quem pertencem os personagens bíblicos, repita-se: aos verdadeiramente inspirados, aos auto-iludidos ou aos meros criminosos.
A Máquina:
- “A estranha teoria de Valentino invalidaria a maioria dos Evangelhos, desvalorizava a ressurreição e tornava a eucaristia uma bobagem. Os docetas, que pertenciam a essa escola, abordavam o tema de forma direta: uma vez que o corpo de Cristo era uma fantasmagoria, seus sofrimentos e morte não passavam de mera aparência: Se ele sofreu, não era Deus. Se era Deus, não sofreu. Os monarquianistas sugeriam que o próprio Pai desceu sobre a virgem Maria e tornou-se Jesus Cristo, uma formulação também conhecida como patripassianismo – op.cit. p. 110”.
Jesus de Nazaré leu o texto auxiliar da Máquina, sentou-se no trono molhado pela chuva fina que caía e, após meditar por minutos:
- Eu jamais poderia imaginar que, após minha crucifixão, tantas formas de dizimações fossem usadas pelos sacerdotes.
Lúcifer abriu suas grandes asas e alçou voo. Era inútil tentar impedi-lo.