Juízo Final: Odisséia dos Deuses

Horst Schadeck · Capítulo 33 de 96

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Juízo Final: Odisséia dos Deuses

Capítulo 32

 

Repórteres do Los Angeles Times haviam entregado telefones celulares para todos os vinte e oito juízes humanos, todos ressuscitados. Também aos anjos juízes foram trazidos celulares, após haverem eles reclamado.

Jesus de Nazaré recebeu a primeira chamada do solo terrestre. Era o líder assírio dos cento e oitenta e cinco mil inimigos de Israel que haviam sido mortos pelo anjo por determinação de Jeovah, como consta em II-Reis 19,35. O Mestre ordenou que subisse até o Juízo Final.

- Senhor Jesus de Nazaré: fomos ressuscitados por força do Novo Testamento. Queremos, portanto, ser admitidos no céu também e não aceitamos padecer nas fornalhas da Geena eternamente.

Jesus de Nazaré:

- Vocês não parecem preencher as condições para serem admitidos no céu. Em que pressupostos bíblicos vocês julgam poder se enquadrar para a subida ao céu?

- Nós não tivemos a oportunidade de crer em ti, já que havíamos morrido séculos antes da tua pregação. Nós fomos justos, embora Jeovah nos tenha levado à morte com a ajuda do seu anjo. Nós não tivemos a oportunidade de nos arrepender de pecados. Em nossas terras e em nossas leis os pecados judaicos nunca foram adotados pelos sacerdotes do país. Nós não blasfemamos contra o Espírito Santo porque este também só foi criado séculos após nossa morte. Nós fomos ricos, mas isto não era pecado em nossas leis. Nós tivemos nossos deuses, exatamente como os tinham os judeus.

Impaciente, Jesus interrompeu:

- Como pretendem que os cento e oitenta e cinco mil não-judeus ingressem no céu e passem a conviver com Jeovah? Vocês não cumprem com nenhum dos pressupostos para a admissão.

- Sim, nós temos a grande vantagem de não sermos judeus. Jeovah não nos pode condenar novamente. Somente você, Jesus de Nazaré, pode nos julgar.

- E qual é o seu pressuposto bíblico para isso?

- Está escrito que tu disseste: “Não vim para salvar os justos, mas os ímpios e pecadores”. Não somos pecadores, segundo as leis judaicas. Mas somos ímpios.

Jesus de Nazaré pareceu surpreso:

- Como posso ter certeza de que vocês foram ímpios, impiedosos?

- Porque assim eu o afirmo: éramos e somos soldados, bravos e guerreiros e não o afirmamos para jactar-nos.

Jesus de Nazaré espiou para ver o rosto de Jeovah. Mas este nada deixou transparecer.

- Pois diga aos cento e oitenta e cinco mil mortos pelo anjo por ordem de Jeovah que todos podem desde já dirigir-se ao céu.

Os Juízes Anjos protestaram imediatamente com grande veemência, mas se calaram quando Jesus de Nazaré se ergueu e foi até eles:

- Vocês mataram. Pecaram abominavelmente, transgredindo o mandamento de Jeovah: não matarás. Devo julgá-los também oportunamente.

O Anjo Gabriel:

- Isso não será possível, Mestre. Eu sou anjo de Jeovah. Além disso, está escrito por Mateus e seus colegas que nós somos juízes dos humanos. Não há previsão legal escrita que te permita julgar anjos.

- Como ousam se rebelar contra mim? Não basta que tantos anjos se revoltaram contra Jeovah e foram expulsos do céu, tendo o seu líder obtido o rótulo de Diabo? Querem agora se revoltar contra mim?

- Sim - respondeu o anjo Gabriel. Nós agora somos juízes e não podemos ser julgados por ninguém. Nós é que julgamos. Além disso, o que poderias fazer contra nós? Somos propriedade de Jeovah. Mateus não escreveu que você poderia pedir ao Altíssimo que lhe enviasse legiões de anjos, quando você ainda era simples humano peregrinando em Israel?

Jeovah interveio:

- Os anjos são meus desde que Israel surgiu com a criação de Adão e Eva e coloquei vários deles com espadas flamejantes nas portas do Éden. Lembram o que escreveu Moisés no Pentateuco? Portanto, ordeno a Jesus de Nazaré que se abstenha de julgar anjos. Além disso, não fala a Bíblia em julgar senão aos humanos - mortos e ressuscitados e aos que ainda não morreram - no Juízo Final?

A grande surpresa ocorreu agora. Estupefatos, viram chegar uma grande revoada de anjos estranhos. Não eram iguais aos ligados ao Grujuem. Seu líder pousou em frente à Jeovah, inclinou sua cabeça e saudou o deus judaico.

- Te saudamos,

Jesus de Nazaré:

- Voltemos aos julgamentos. Mais tarde provarei que os anjos serão julgados, sim, por imposição bíblica.

- Um momento. Ainda não proferi meu voto sobre os cento e oitenta e cinco mil inimigos de Israel mortos por minha ordem. Eu não os admito no céu. Não são judeus e não cumpriram com os mandamentos que transmiti a Moisés. Eu os declaro culpados e devem ser enviados às fornalhas da Geena para lá arderem eternamente.

O inimigo morto pelo anjo de Jeovah no campo dos assírios:

- Não pode o responsável pelas mortes ser juiz desses eliminados pelas armas. Quero arguir que Jeovah é completamente incompetente para nos julgar. O mesmo acontece com o anjo, que nos matou com sua espada poderosa.

Jesus de Nazaré:

- Acolho a arguição. Jeovah e os anjos não podem intervir no julgamento. Desde já também não reconheço competência para participar do julgamento aos vinte e seis apóstolos. Estes somente podem julgar as Doze Tribos de Israel. Obviamente que os inimigos mortos, no expressivo número de cento e oitenta e cinco mil, não são judeus. Que sejam levados ao céu - disse acenando para uma legião de anjos que aguardava postada cerca de mil metros acima do Tribunal aéreo do Juízo Final.

Jeovah esbravejou, levantou-se de seu trono e passou a caminhar em torno dos assentos celestiais. Foi até Jesus de Nazaré de dedo em riste:

- De que forma vou conviver com essas pessoas? Não vês quão terrível será nossa vida celestial? As nuvens serão insuportáveis. Nunca prometemos ressuscitar alguém. Nem eu, nem Moisés ou quaisquer outros sacerdotes do Velho Testamento. Nunca falei que tinha um filho chamado Jesus. Moisés escreveu, no livro de Gênesis, que meus filhos desceram para a Terra há muito mais de dois milênios e lá se uniram às mulheres descendentes de Adão e Eva. Em Sabedorias 12,7 e 12,5 há clara descrição de colônias de meus filhos. Mas nenhum deles tinha o nome de Jesus. Desceram muitos séculos antes do surgimento dos seguidores de Jesus de Nazaré.

Jesus de Nazaré:

- Está tudo escrito na Bíblia: “Eu não vim para salvar os justos, mas os ímpios e pecadores”. É o que esses cento e oitenta e cinco mil soldados ressuscitados são. O que posso fazer? Mateus escreveu -nada se pode mudar. Ou não é assim?