Juízo Final: Odisséia dos Deuses

Horst Schadeck · Capítulo 44 de 96

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Juízo Final: Odisséia dos Deuses

Capítulo 43

 

O Mestre parecia cada vez mais interessado em desvendar os escritos de seus seguidores. Foi até Lucas e leu, em 16,9-14:

“No primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria Madalena, de quem tinha expulsado sete demônios; mais tarde ele apareceu sob outra forma a dois entre os que iam para o campo; por fim apareceu entre os onze, quando estavam sentados à mesa”. Lucas – como explicas que Jesus de Nazaré, ressuscitado, voltando a ser de carne e ossos, como Lázaro e como os que ressuscitaram de túmulos no dia da morte de Jesus de Nazaré, teria aparecido e, em consequência, desaparecido, durante os quarenta dias em que ficou na Terra, antes de subir para as nuvens? Onde ele obteve água e alimentos? Onde ele dormia? Por que vocês não o acolheram em suas casas, ou o acompanharam – como sempre fizeram antes da morte dele? E, importante, suas roupas também desapareciam? Suas sandálias? Túnica? Manto? Capa?

Lucas:

- Escrevi o que me relataram.

Jesus de Nazaré:

- E te disseram também o que escreveste em 16,19: “Depois que o senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus”? Quem o levou e como Jesus de Nazaré foi elevado ao céu? Como sabes que ele está sentado à direita de Jeovah? O trono é visível? E quem o ocupa, é passível de ser reconhecido, do solo terrestre? O Jesus Celestial, aquele que já existia antes do Big Bang ou da Criação Bíblica, mencionado pelo evangelista João, já ocupa um trono? O Jesus Espírito, aquele que subiu em forma de espírito, no dia da crucifixão, ocupa um trono também, ou espíritos não possuem carne e ossos para poderem assentar-se?

Lucas, o grande sábio grego, médico renomado, sacerdote por excelência a prestar apoio ao dizimista maior, seu mestre Paulo de Tarso:

- O evangelista João deve explicar de que forma ficou sabendo da existência desse dito filho de Jeovah. Jesus de Nazaré certamente que tem condições de ocupar um trono, já que foi visto subindo com seu corpo e vestimentas, em Betânia, sendo erguido para as nuvens e afirmando que tomaria vinho com seus apóstolos lá no alto, em um dia não definido. Os demais filhos de Jeovah, aqueles que desceram para casar com as mulheres belas da Terra, irmãos de Jesus Celestial, possuem corpos – sim – já que engravidaram as terráqueas, como se lê no Livro de Gênesis, em 6,1 e 2 e em outras passagens dos livros escritos por Moisés, Jó e outros sacerdotes.

Jesus de Nazaré voltou a perguntar:

- E não indagaste dessas pessoas quem teriam sido as criaturas que conduziram Jesus de Nazaré para o céu? Por que ele não subiu sozinho? Os que o ergueram possuíam asas para levá-lo? Eram anjos?

- Não sei responder a isso - respondeu Lucas. Ele não possuía asas, logo deve ter obtido a ajuda de anjos, que as possuem, já que não existiam balões ou aeronaves.

Jesus de Nazaré:

- Escreveste que Jesus de Nazaré está sentado à direita de Deus. Como os mencionados onze sacerdotes poderiam saber que Jesus de Nazaré ocupou um trono e, mais precisamente, à direita de Jeovah? Deus nunca foi visto por ninguém, não é isso que se diz na Bíblia, no evangelho de João? Ora, se Jesus fosse visto sentado ao lado de Jeovah, obviamente que este obrigatoriamente também teria que ser visto, não te parece lógico? E, nesse caso, não teriam que ser avistados os demais filhos e talvez filhas do deus judaico, habitantes das nuvens? E os dez milhões de anjos, não teriam que ser percebidos também, juntamente com suas espadas de fogo e trombetas?

O evangelista grego, Lucas, médico conhecido por Lucarno, nada respondia. E Jesus prosseguiu:

- Como você explica que esses tronos não caem das nuvens? Quem teria visto Jesus de Nazaré sentado ao lado de Jeovah, em um trono, obviamente que poderia explicar se os tronos eram sustentados por anjos, o que confirma, mais uma vez, a existência de corpos com carne e ossos nessas aves humanóides.

Jesus de Nazaré foi até Mateus:

- Certamente anjos não são espíritos, como opina Paulo de Tarso. Você escreveu, em 26,53: "Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos?" Obviamente que os anjos têm carne e ossos, além de penas, já que podem combater e em diversas passagens bíblicas eles descem com espadas e matam os humanos que desagradam a Jeovah. De nada adiantariam para Jesus de Nazaré invocar as mais de doze legiões de anjos se estes não possuíssem músculos para manejar as espadas nos combates. Além disso, eles tocam trombetas, como o fazem os sacerdotes do Velho Testamento.

Uma péssima notícia apareceu na tela da Máquina. O governo de Israel pretendia expulsar o Juízo Final de seu território. É que centenas de bilhões de estrangeiros invadiam o país. Todos vinham em busca de uma esperança para suas vidas, transformadas em terríveis pesadelos.

Jeovah sorriu. Não escondia sua satisfação. Apanhou seu celular e ligou para o premier de Israel:

- Quero transmitir ao meu povo: concordo com a expulsão de todos os que adotam outros deuses além de mim. Israel para os israelenses. Os gentios que cuidem de seus deuses em seus territórios. A liberdade religiosa deve imperar para todos os povos.

O primeiro ministro respondeu visivelmente surpreso:

- Nosso Parlamento irá decidir. Há forte pressão dos Estados Unidos, Rússia, Inglaterra, Itália, França e Espanha para que seja permitida a continuidade do julgamento criado nos livros escritos para o rebanho de gentios.

Paulo de Tarso mostrou-se muito preocupado. O seu rebanho não pertencia efetivamente a Jeovah. O deus israelita, juntamente com o restante dos integrantes do Grujuem, passara a ser usado por empréstimo pelos gentios, concorrentes religiosos, como tantas vezes já se evidenciara no julgamento aéreo.

Judas Iscariotes também estava apreensivo. Falou, sussurrando ao ouvido de Jesus de Nazaré:

- Mestre, estamos presos aos dizimadores. Sugiro que devemos pedir asilo ao governo de Israel. Se nos levarem daqui para Roma, por exemplo, estaremos nas mãos de gentios, de incircuncisos.

- Ficar será pior, Judas. Jeovah está contra nós. Tal qual eram contra nós os sacerdotes dele, em nossos tempos de vida na Terra.