Juízo Final: Odisséia dos Deuses
Capítulo 47
Jesus de Nazaré possuía o trono mais imponente. Era de marfim, ecologicamente incorreto. Custara a vida de dezenas de elefantes. Era revestido de ouro puro e tinha sete degraus, com um escabelo de ouro fixado no trono. Nos dois lados do assento havia encostos flanqueados por leões. Era extremamente pesado e os serafins tinham que revezar-se de meia em meia hora para sustentá-lo no ar.
As enormes asas desses serafins mediam pouco mais de dez metros de envergadura. Era a maior ave existente no planeta. Segundo o narrador bíblico Isaías, em 6,1-3, duas das seis asas serviam para ocultar o rosto. Com outras duas asas o serafim escondia os dois pés. Para voar utilizava aparentemente só as duas asas restantes. No caso do pesado trono, o serafim era obrigado a bater todas seis asas.
Fez o Mestre um sinal para que Paulo de Tarso se aproximasse:
- De um obscuro soldado que havia ingressado no exército do país inimigo, do império romano, Paulo de Tarso se transformou rapidamente em uma celebridade. Passou a ser igual ou mais importante que o Sumo Sacerdote do seu país, Israel. Passou a ser mais importante que Moisés!
Também dois querubins se aproximaram para auxiliar a Jesus de Nazaré. Ele dirigiu-se ao primeiro:
- Cherub! Querubim! Vem até aqui! Vejo que tens a inteligência humana e és um grande escravo celestial. És poderoso como o leão e tens a agilidade da águia. Tens mãos humanas e quatro asas. Tens quatro rostos: de leão, de boi, de águia e de humano, como bem o descreve o profeta e sacerdote Ezequiel nos capítulos um e dez, do Velho Testamento e consta em incontáveis outros livros bíblicos.
Apertou as mãos do fiel servo de Jeovah e voltou-se novamente para Paulo de Tarso:
- Você passou a dizer que as leis de Moisés estavam suplantadas pelas novas regras cristãs. Os pecadores não mais seriam castigados, mas, se aderissem a ele, Paulo, e sua mensagem - seriam perdoados e obteriam a garantia de uma ressurreição após sua morte. Após subiriam para as nuvens, para o céu, para junto de Jeovah, o Senhor dos Exércitos, que passou a ser conhecido pelos cristãos com o nome de Deus. Simplesmente Deus.
- Quem não aderisse a Paulo, teria o fogo e as fornalhas como castigo. Estou certo, Paulo de Tarso?
Paulo de Tarso silenciava.
Jesus de Nazaré:
- O terror era imposto aos que eram visitados por Paulo de Tarso, pelos apóstolos e pelos sacerdotes judeus. Veja o que escreve a Bíblia em Eclesiástico 39,36: "Como também os dentes dos animais, os escorpiões, as serpentes, e a espada vingadora destinada ao extermínio dos ímpios". E em Eclesiastes 41,8: "Os filhos dos pecadores tornam-se objeto de abominação, assim como os que frequentam as casas dos ímpios".
Paulo de Tarso:
- Jeovah, pelo que escreveram dele, era impiedoso. Lembro que teria dito, segundo escreve o sacerdote narrador bíblico em Deuteronômio 32,42: "De sangue embriagarei as minhas setas". E em 32,25 já escrevera: "Por fora devastará a espada, e por dentro o pavor; tanto ao mancebo como à virgem, assim à criança de peito como o ancião". Aproveito para formular uma pergunta: se o pai proferia tais ameaças e as executava sem piedade, por que o filho, Jesus de Nazaré, e seus seguidores não poderiam proferir as ameaças de fornalhas para os que não tivessem fé no nome dele? Aliás, eu escrevi sobre isso para Timóteo, na minha segunda carta para ele, em 4,2, assim, nobre Mestre Jesus de Nazaré: "Pregar a Palavra - Prega a palavra, insiste oportuna e inoportunamente, repreende, ameaça".
- Ameaçar é extremamente útil – dizia Paulo de Tarso. Ameaçar eu mandei. Com fogo. Com o fogo purificador. Com o fogo e o enxofre usado por Jeovah em Sodoma e Gomorra. Com o fogo que exterminou os hereges. Com o fogo, método que a Inquisição imitou, séculos depois, para realizar essas suas divinas funções purificadoras, tão úteis para eliminar os hereges, aos que não se dobram às regras da ekklesia romana e aos declarados apóstatas.
Jesus de Nazaré:
- Pelo que escreveram - dizes bem. Escreveram que eu, Jesus de Nazaré, seria filho de um ser de tamanha crueldade. Após, te tornares sacerdote, deixando de ser simples soldado dos inimigos de Israel. Também escreveste e confessaste a concorrência que te faziam outros dizimistas. Em Atos 19,11 e seguintes está escrito: "Deus realizava, por meio de Paulo, milagres extraordinários. Bastava aplicar aos enfermos os aventais que lhe haviam tocado o corpo, para que desaparecessem as enfermidades e saíssem os espíritos malignos". E ensinavas aos teus pregadores como agir com seus clientes - termo usado pelo Velho Testamento para os que fornecem os dízimos e terras - repito. Deviam ameaçar.
- Sabias que ameaçar é crime? – continuou. Sabias que proferir ameaças é punido com prisão? E sabias que, se obtiveres ganhos da vítima com essas ameaças, cometes o crime de extorsão? E sabias que incentivar alguém a cometer esses delitos, pode estar praticando o ilícito conhecido como apologia ao crime, com penas de encarceramento bastante altas?
Jesus de Nazaré respirou com dificuldade, pois o vento era forte e frio. Continuou:
- Esses escritos de nada servem. Jeovah e seus sacerdotes, em todo o Velho Testamento, que abarca vários milênios de história judaica, não relatam curas e supostos milagres. Pelo contrário, escreveram que ele, seu deus, era extremamente cruel e, ao invés de curar, criava as mais terríveis doenças para os que não obedeciam aos sacerdotes. Ele teria enviado, por incontáveis vezes, doenças como a tísica, chagas, tumores, hemorroidas, chuvas de granizo, raios, esterco no rosto e gafanhotos para destruir plantações, fogo, anjos com espadas. Já as curas são corriqueiras, feitas por pastores evangélicos ou sacerdotes romanos exorcistas, antigos ou modernos. Os ditos espíritos malignos, hoje todos sabem - pois assim me relatam - nada mais eram do que doenças mentais, epilepsias, surdez, cegueira, mudez, depressão, esquizofrenia e muitas outras enfermidades e que podem ser curadas por psiquiatras, exorcistas e até com o uso de placebos. Mas o texto seguinte é que é novamente mais revelador.
Jesus de Nazaré parecia ler com dificuldade. Talvez necessitasse de óculos, eis que passados dois mil anos no frio e na umidade das nuvens, um natural envelhecimento das córneas e dos nervos oculares se estabelecera. Afinal, ele subira com carne e ossos, como bem atestou o apóstolo Tomé, como já constatamos. Continuou:
- “Até exorcistas judeus ambulantes tentaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre aqueles que tinham espíritos malignos e diziam: Esconjuro-vos por Jesus, que Paulo prega. Eram os sete filhos de Cevas, um Sumo Sacerdote judeu, que agiam assim” – Atos 19,13. Está cristalinamente claro que se tratava de concorrência, Paulo de Tarso. Querias dizimar sozinho? Os sete judeus, irmãos de sangue de Jesus de Nazaré, os que eram conhecidos cristãos ebionitas, eles estavam proibidos de seguir as ordens de Jesus Cristo de Nazaré? Só porque eram judeus, exatamente como os doze apóstolos? Ou era porque você considerava Pedro e os demais apóstolos israelitas como seus concorrentes? Você ataca a esses seguidores de Jesus de Nazaré. Mas ataca igualmente os judeus que continuavam fiéis ao seu deus Jeovah?
Paulo de Tarso:
- Certamente, Mestre. Mas a concorrência não visava obter dinheiro, como o fez o apóstolo Pedro com Ananias e sua mulher Safira.
Jesus de Nazaré:
- Logo em seguida está escrito por você, em Atos 19,15: "Mas o espírito maligno respondeu-lhes: Conheço e sei quem é Paulo. Mas vós, quem sois? E o homem possuído do espírito maligno atirou-se sobre eles, apoderou-se de dois e os maltratou de tal maneira que, nus e feridos, tiveram que fugir daquela casa. Esse caso tornou-se conhecido de todos os gregos e judeus de Éfeso; todos ficaram com muito medo e o nome do Senhor Jesus foi glorificado. Muitos dos que receberam a fé vinham confessar publicamente suas práticas supersticiosas".
- Está claro que teus escritos têm o mesmo objetivo dos escritos de Pedro, quando diz ter provocado a morte de Ananias e sua mulher Safira. Supostamente não entregaram a Pedro todo o dinheiro produto da venda de suas terras. E mostras que continuas desprezando os Sumo Sacerdotes. Mostras que são teus concorrentes até mesmo na hora de curar enfermos mentais. Ou seja, tudo gira em torno da obtenção de ovelhas para teu rebanho. Usas de um suposto espírito maligno e logras obter mais ovelhas atemorizadas e Éfesos. Medo. Muito medo. O que segue? Muitos dízimos. A glória.
- Meu querido Mestre - respondeu Paulo de Tarso. Volto a dizer: sempre houve e sempre haverá concorrência entre sacerdotes e entre eles e outras seitas. Leio mais:
-"E muitos dos que tinham exercido artes mágicas traziam os seus livros e os queimavam diante de todos, chegando a calcular-se o valor em cinquenta mil moedas de prata. Assim a palavra do Senhor ia crescendo e se firmando com grande poder" – Atos 19,19.
Antes que alguém falasse, Paulo de Tarso voltou ao debate:
- Lembram o que está escrito em II-Reis 17,29 no Velho Testamento? "(Apesar disso) cada nação conservou seu próprio deus, que colocou nos santuários dos lugares altos estabelecidos pelos samaritanos; cada povo colocou os seus deuses no lugar em que habitava". Eu pergunto: por que os gentios não poderiam adotar também um novo deus? Eu sou seu grande líder, eu sou o vencedor, meu rebanho é imenso.
Jesus de Nazaré:
- Isso não é verdadeiro, segundo Mateus escreveu em 1,21: "Maria dará à luz a Jesus de Nazaré, porque ele salvará seu povo de seus pecados". Jesus de Nazaré e Jeovah somente salvam seu povo, Israel. Não salvam os gentios ou os goin como escreveu também alguém que se disse ser um Mateus, nos anos 90 da Era atual.
Jesus de Nazaré percebeu que os textos lidos não agradaram a Paulo e continuou:
- Enquanto vocês dizem realizar milagres, os sacerdotes concorrentes são desqualificados e chamados de exorcistas judeus ambulantes, ou de mágicos. O exorcismo, no entanto, é praticado pelos sacerdotes atuais. Parece que copistas modificaram esse texto, tentando valorizar os atos de sacerdotes ligados a Paulo de Tarso.
Jesus de Nazaré ergueu os braços em direção ao helicóptero de Sara Moshê. Respirou fundo e sorriu:
- Vou agora revelar o mais notável dos buracos narrativos existentes nos relatos bíblicos. Peço que o mundo preste muita atenção ao que vou dizer.
Apanhou a Bíblia e consultando-a brevemente, falou quase inaudivelmente:
- Os evangelistas, Paulo de Tarso e Êxodo, 22,18 afirmam que feiticeiras devem ser mortas. Elas são mulheres. Ninguém fala em queimar feiticeiros. Por que essa discriminação? Os homens podem praticar atos considerados feitiçaria, sem que seja punido com a morte? Jesus de Nazaré teria praticado a maior de todas as feitiçarias – ressuscitar pessoas, como Lázaro. Pode existir feitiçaria maior do que essa? Ele praticou atos de magia? Sim! Multiplicar uma cesta de peixes para alimentar milhares de pessoas – isso não é magia? Multiplicar pão e vinho para centenas de pessoas – isso não é feitiçaria? Se a dita feiticeira curasse, deveria ser queimada? Curar leprosos com um toque da mão – pode haver ato de feitiçaria maior? Matar uma grande árvore, a figueira, com uma simples maldição – isso não é um ato de feitiçaria? A ressurreição de Jesus de Nazaré – não é esse um claro ato de feitiçaria? Ou de magia? Ou de milagre? Jesus de Nazaré foi levado à fogueira por tais atos?
Sentou-se no trono o Mestre. Parecia extremamente cansado, mas prosseguiu:
- Para os sacerdotes evangelistas, seus concorrentes eram pessoas “supersticiosas, praticantes de magia e judeus exorcistas ambulantes”. Mas o seu patrimônio maior dentro da escala de valores do Grujuem - Jesus de Nazaré - deveria ser exaltado pelos atos de feitiçaria que praticaria com espetacular eficiência. Mulheres que fazem chás para curar enfermos: morram! Exorcistas judeus: morram! Jesus de Nazaré, por ser varão: viva!
Relâmpagos cortavam o céu. Chuva e ventos encharcaram as vestimentas de todos. Anjos batiam suas asinhas com grande dificuldade.
- E por que assim escrevem os narradores bíblicos do Novo Testamento? Porque necessitam de um ídolo! Assim como Moisés teve que valer-se de uma divindade que ele dizia ser invisível, que não pudesse ser contestada pela massa ignara, pelos Am ha-Arez! Jesus de Nazaré – escreveram – desapareceu também nas nuvens de Betânia! Jeovah matava com o uso de chagas, úlceras, lepra, tísica, tumores, hemorroidas. Jesus de Nazaré prometia – escreveram - o fogo da Geena e de outros locais para quem ousasse não crer nos apóstolos e evangelistas e, claro, alimentar os discípulos! Que não trabalhavam! Que viviam no ócio, perambulando e interpelando pessoas em suas casas! Que abandonaram suas famílias, seus filhos e seus mortos insepultos para simplesmente seguir – para onde? -um judeu perseguido pelas autoridades governamentais e religiosas!
Sara Moshê noticiou: “Nada mais espantava a humanidade viva e a ressuscitada. O Mestre judeu foi claro, incisivo, implacável e objetivo. Não se atemorizou com o que diriam seus conterrâneos israelitas partidários de Jeovah ou os seguidores dos evangelistas e de Paulo de Tarso”.
O apóstolo dos gentios, no entanto, parecia muito à vontade:
- Parece ser lógico, mas nada disso importa. Nossos dizimistas ultrapassam atualmente a mil milhões, e isso é o que interessa. Podes ver que nós conseguimos vencer os sacerdotes da deusa Artemis. E relatei isso logo adiante, resumidamente, em Atos 19,27 e seguintes: "Com a atuação de Paulo e seus companheiros, a grande deusa Artemis poderá perder o prestígio, vindo a despojar-se de sua majestade, ela que toda a Ásia e o mundo inteiro veneram. Partiu Paulo, após grandes tumultos, para a Grécia, onde os judeus lhe armaram ciladas, voltando para a Macedônia". Eram os judeus, teu povo, que me armavam ciladas. Que culpa tenho?
Paulo de Tarso apanhou a Bíblia Sagrada. Ele parecia saber exatamente o que procurava:
- Pois agora, com muito pesar, devo dizer-te, querido Mestre, que tu eras um rabino, um sacerdote judeu, como escreve claramente o evangelista João, em 9,2 e 19,16. E vou ler em Mateus 23,15, o que tu terias dito: "Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que percorreis mar e terra a fim de converter uma só pessoa, para, depois de convertida, a tornar merecedora do Inferno duas vezes mais do que vós mesmos!".
Paulo exibia um ar de triunfo:
- Você, prezado mestre Jesus de Nazaré, foi e é um rabino! Você atacava os sacerdotes fariseus e os escribas e os acusavas de serem sacerdotes de nível inferior! E chegavas ao ponto de dizer que os seus dizimistas iriam para o Inferno! Isso é uma claríssima disputa por adeptos, por ovelhas, por rebanhos de doadores! E esses teus adversários, fariseus, também pediam aos seus fiéis que acreditassem na ressurreição dos mortos, ao contrário do que diziam os sacerdotes saduceus. E dizias a esses sacerdotes fariseus que eles conseguiam poucos adeptos, a tal ponto de terem que percorrer mar e terra para obter a conversão de um só crédulo.
Jesus de Nazaré:
- Isso está escrito na Bíblia Sagrada, bem o sei. No entanto, nunca escrevi nada. Mas você, que não me conheceu pessoalmente, você que se autonomeou sacerdote cristão, você acredita que eu, o arauto do amor ao próximo, iria proferir injúrias e agressões verbais tão infames como as que foram escritas? Eu sou o amor, a fraternidade, o perdão. Como posso desejar que meus irmãos, embora pertencentes a outras seitas religiosas, sejam queimados nas fornalhas do Inferno e da Geena, como escreveu Mateus?
Jesus de Nazaré ordenou que o apóstolo Mateus se aproximasse:
- Mateus, tu te tornaste meu discípulo, abandonando tua profissão de arrecadador de impostos do Estado judaico. Mas as últimas informações que agora me foram dadas por pesquisadores vivos, são a de que você nada escreveu. O verdadeiro evangelista seria um grego que escreveu o evangelho de Mateus somente no ano noventa da Era atual, quando você já tinha morrido. Que dizes?
Mateus:
- Pois devo concordar com isso. Eu jamais poderia te descrever como um ser humano perverso, capaz dessas injúrias contra sacerdotes concorrentes.
Jesus de Nazaré:
- Fico feliz que o digas. Os dados históricos mostram que o evangelho de Mateus foi escrito por homônimo somente no ano 90 da Era atual, após a expulsão dos cristãos das sinagogas, na Assembleia Sinagogal de Jâmnia, no ano 85, da Era atual, quando já não mais estavas entre os vivos.
Era a Máquina novamente assessorando o Juízo Final. Mas havia certa preocupação com ela. Num dos temporais mais violentos ela fora atingida pela água da chuva. Também a neblina da noite causava estragos.
Os mais de dez milhões de anjos, por outro lado, se mantinham firmes em sua missão. Sara Moshê recebera e-mails com inúmeras críticas de dirigentes de associações de direitos humanos. Afirmavam que se tratava de trabalho escravo. Não tinham horas de descanso adequado. Não eram remunerados e com isso as leis trabalhistas de praticamente todos os povos estavam sendo descumpridas. Não lhes dão vale-refeição, insalubridade, férias, décimo-terceiro salário e remuneração condigna.
Centenas de anjos foram abatidos a tiros enquanto tentavam carregar cordeiros. Helicópteros militares seguiam os bandos alados e despejavam cargas mortíferas de suas metralhadoras nas brancas asas de belas anjas. Nos vinhedos de Bordeaux vários adolescentes desatentos foram mordidos por faces de leões de querubins.
Nas fazendas com criadouros de frangos da Espanha o ataque de águias de querubins causava tanta devastação que a maioria dos telhados foram eletrificados pelos habitantes para protegerem os seus preciosos alimentos.
No lago de Genesaré surgiram anjos pescadores. No Mar Mediterrâneo, em frente à Cesareia, na Samária, anjos se aventuravam a pescar até mais de vinte milhas da costa. Mergulhavam com grande habilidade e voltavam com os raros peixes que restavam. O Rio Jordão não poderia estar mais belo. Em milhares de anos nunca miríades de anjos haviam descido como agora. Suas asas brancas por vezes tocavam a água e logo subiam numa sinfonia em que pareciam bailarinas de grandes óperas.
Veio ordem do Ministério da Guerra de Israel. Imediatamente o Tribunal foi elevado para uma altitude de oito mil metros. É que mísseis seriam disparados de vários países. E de fato, em torno das três horas da manhã o céu se iluminou. As bombas chegavam sibilando enquanto os anjos ameaçavam deixar cair os humanos normais, desprovidos de asas, faces de leão, de águia e de boi.