Morto ou Vivo
Capítulo 8
A lgo que Driscoll e seus Rangers haviam aprendido muito tempo atrás era que as distâncias no mapa do Hindu Kush tinham pouca semelhança com a realidade no solo. Para ser justo, nem mesmo os cartógrafos da era digital tinham como calcular o impacto espacial de todas as subidas, descidas e curvas do terreno. Ao planejar a missão, ele e o capitão Wilson multiplicaram por dois todas suas estimativas, uma variável que geralmente funcionava, e, apesar de esse ajuste nunca estar longe da mente de Driscoll, compreender que sua trilha até a zona de aterrissagem de fato não seria de 3 quilômetros e sim de aproximadamente uns 6 era quase o suficiente para provocar uma fileira de xingamentos em seus lábios. Mas ele abafou o impulso. Não traria nada de útil para eles. Podia até provocar algum dano, mostrando uma debilidade diante da equipe. Mesmo que o olhar deles não estivesse o tempo todo fixado em Driscoll, cada um dos seus Rangers dependia das dicas que vinham dele. Tanto merda quanto atitude partiam dele para baixo.
Caminhando na ponta, Tait parou e levantou o punho fechado, fazendo a coluna escalonada parar. Driscoll caiu de cócoras, tal como o restante da equipe, quase em uníssono. Por toda a linha as M4 se apresentaram, cada homem assumindo um setor, olhares observando e ouvidos atentos. Estavam em um cânion estreito — tão estreito que Driscoll duvidava que a ravina de 3 metros de largura realmente se qualificasse como cânion —, mas tinham pouca escolha. Era ou seguir por esse atalho de 300 metros ou partir para mais 2 quilômetros adicionais de caminho e arriscar uma retirada à luz do dia. Não haviam visto nem ouvido nada desde a emboscada, mas isso não significava muita coisa. O CRO conhecia seu terreno melhor que ninguém, e sabia por experiência o quanto demorava para que soldados carregados o percorressem. Pior ainda, sabiam que havia um número delimitado de áreas de pouso a partir de onde o inimigo podia ser retirado. A partir daí, montar outra emboscada era questão apenas de fazer as contas e se movimentar mais rapidamente que seu inimigo.
Sem se virar, Tait passou a Driscoll o sinal de mão de venha cá. Driscoll assim o fez.
— O que houve? — sussurrou.
— Chegando ao final. Mais uns 30 metros.
Driscoll se virou, apontou para Barnes, levantou dois dedos e depois fez o sinal de venham cá. Barnes, Young e Gomes chegaram em dez segundos.
— Final da ravina — explicou Driscoll. — Vejam o que há para ver ali.
— Certo, chefe.
Os dois se movimentaram. Por trás de Driscoll chegou a voz de Collins:
— Como está o ombro?
— Ótimo. — Os seis comprimidos de ibuprofeno que Collins lhe dera embotavam a dor, mas cada movimento do cotovelo mandava ondas de dor aos seus ombros, costas e pescoço.
— Tire a mochila. — Collins não esperou que Driscoll respondesse e foi logo deslizando a correia pelo ombro dele. — O sangramento diminuiu. Está sentindo seus dedos?
— Sim.
— Movimente eles.
Driscoll lhe mandou o dedo do meio e riu.
— Que tal assim?
— Toque em cada dedo com o polegar.
— Jesus, Collins...
— Faça isso. — Driscoll obedeceu, mas cada um dos dedos se movia debilmente, como se estivesse enferrujado na junta. — Tire a mochila. Vou redistribuir sua carga. — Driscoll abriu a boca para protestar, mas o médico o cortou: — Olha, se ficar com essa mochila, pode praticamente contar com ter que amputar o braço depois. Há uma chance grande de você já ter danificado algum nervo e esses 30 quilos não ajudam em nada.
— Ok, ok...
Barnes, Young e Gomez voltaram. Collins entregou a mochila a Barnes, que voltou pela fila redistribuindo o conteúdo. Young fez o relatório a Driscoll.
— Não vi nada, mas tem alguma coisa se mexendo por ali. Escutei um motor de caminhão mais ou menos a meio quilômetro a oeste.
— Ok, pode voltar para a fila. Collins, você também.
Driscoll desdobrou o mapa e ligou sua lanterna-caneta com protetor vermelho. Não era exatamente equipamento padrão, mas assim como o visor noturno era ótimo para a maioria das coisas, era uma merda para ler mapas. Alguns hábitos da velha escola são difíceis de abandonar; alguns jamais são abandonados.
Tait se aproximou. Driscoll passou o dedo pela ravina onde estavam. No final dela havia outro cânion margeado dos dois lados por platôs. O terreno, pensou Driscoll, não era muito diferente do bairro de uma cidade: os cânions eram as ruas principais; os platôs, as casas; as ravinas, os becos dos fundos. O que eles faziam essencialmente era cruzar rapidamente as ruas, usando os becos entre as casas para chegar ao aeroporto. Ou, nesse caso, ao heliporto. Mais dois cânions, mais uma ravina, pensou, depois subir para um platô ao lado para a zona de aterrissagem.
— Etapa final — observou Tait.
Que é onde a maioria dos cavalos de corrida desaba, pensou Driscoll, sem dizer nada.
Ficaram sentados na boca da ravina por 15 minutos, Tait e Driscoll observando o comprimento do cânion com os óculos de visão noturna, até ter certeza de que não havia outros olhos sobre ele. A equipe cruzou o cânion em duplas, até a ravina seguinte, enquanto os demais davam cobertura, e Tait e Driscoll bancavam policiais de trânsito. Young e seu prisioneiro passaram por último, e mal tinham escorregado na ravina mais distante quando um par de faróis apareceu no leste. Outro UAZ, Driscoll percebeu imediatamente, mas esse se movia sem pressa.
— Parem — ordenou Driscoll. — Jipe se aproximando do leste.
Como o que encontraram antes, esse UAZ portava uma metralhadora NSV 12,7 milímetros na plataforma, mas Driscoll contou apenas um homem manobrando-a. A mesma coisa na cabine: um motorista e ninguém mais. Eles dividiram suas forças na esperança de interceptar o inimigo. As táticas de pequenas unidades frequentemente eram questão de instinto tanto quanto de regras, mas seja lá quem tivesse despachado aquele jipe cometera um erro. O UAZ continuou avançando, os pneus esmagando o pedregulho, os faróis balançando pelo cânion.
Driscoll captou a atenção de Tait e expressou com a boca, mas em silêncio, motorista, e recebeu um aceno em resposta. Driscoll sussurrou no rádio: “Segurem fogo”, e recebeu um clique duplo como resposta.
O UAZ estava agora a 20 metros, perto o suficiente para Driscoll ver claramente o rosto do artilheiro no brilho esverdeado do visor noturno. Apenas um garoto, talvez 18 ou 19 anos, com uma barba esparsa. O cano da NSV apontava diretamente para o fundo do cânion, não transversalmente, como deveria ser. O preguiçoso só faz morrer, pensou.
O UAZ emparelhou com a boca da ravina e parou. Na cabine, o motorista se inclinou para um lado, procurando algo, e levantou com uma lanterna. Apontou para fora da janela do passageiro. Driscoll enquadrou as retículas da mira logo acima da orelha esquerda do artilheiro. Apertou o gatilho, suave, suave, e a M4 deu um coice. Nos óculos de visão noturna apareceu um halo de vapor em volta da cabeça do artilheiro. Ele caiu direto embaixo da plataforma do caminhão. O motorista foi abatido uma fração de segundo depois, sua lanterna dançando loucamente antes de cair no assento.
Driscoll e Tait se movimentaram, cruzando até o caminhão e levando vinte segundos para apagar a lanterna e se certificar de que nenhum dos dois estava vivo antes de seguir para a ravina. Um motor acelerou a oeste. Os faróis os alcançaram. Driscoll não parou para ver, mas gritou “Mexam-se, mexam-se!” e continuou avançando com Tait um passo à frente. Outra NSV começou a tossir rápido, salpicando o chão e as rochas ao redor, mas Driscoll e Tait já estavam na ravina. Na ponta, Gomez penetrava no fundo da ravina. Driscoll assinalou para que Tait continuasse e acenou chamando Barnes. “SAW”, ordenou, e Barnes caiu de bruços ao lado de um matacão, esticou as pernas da SAW, e firmou o cabo no ombro. Eles podiam ver as luzes se aproximando na boca do barranco. Driscoll puxou uma granada do cinturão e retirou o pino. Lá no cânion se ouviu o barulho de pneus derrapando, e a poeira cobriu a boca da ravina. Driscoll deixou o pino cair, contou um um, mil, dois um, mil, deixando a granada esquentar e depois a jogou pelo alto na direção do cânion. O UAZ girou e parou. A granada explodiu 3 metros acima da cabine. Barnes abriu fogo com a SAW, regando as portas e as laterais. Na plataforma, o cano da NSV cuspiu fogo, mas silenciou um instante depois quando a fuzilada da SAW derrubou o artilheiro. As engrenagens do UAZ emperraram e logo eles estavam se movimentando novamente para fora da visão.
— Vai — ordenou Driscoll, esperou Barnes pegar uma dianteira, e virou-se para segui-lo.
Quando os dois alcançaram a coluna, Gomez já havia dividido a equipe, metade cruzando o cânion, por trás da cobertura e fazendo vigilância, e outra metade esperando na boca da ravina. Driscoll abriu caminho pela fila até Gomes.
— Atividade?
— Motores, sem movimento.
Do outro lado do cânion, 30 metros a oeste da linha de vigilância, havia uma rampa natural que subia pelo lado do platô. Com certeza era obra humana, pensou Driscoll, mas o tempo e a erosão fizeram coisas estranhas com o terreno. E ninguém ia ficar reclamando dessa estranheza, que simplesmente tornava mais fácil a corrida final para a área de aterrissagem.
— Peterson, ponha o Lâmina na linha e diga que estamos prontos. E que a coisa vai esquentar.
O Chinook deles estava orbitando, esperando o sinal. Como a maioria das coisas em combate e certamente a maioria das coisas no Afeganistão, a zona de aterrissagem estava abaixo do desejável, em parte devido ao terreno e em parte devido às compensações no projeto do Chinook: um teto operacional alto, mas uma área de pouso grande. O 47 podia chegar até as tropas na altitude, mas precisava de uma boa área para embarcá-las. No caso deles, a zona de aterrissagem estava embainhada a oeste e ao sul por ravinas e espinhaços tão próximos que disparos de armas leves podiam alcançá-lo.
— Lâmina, aqui é a Foice, câmbio.
— Adiante, Foice.
— Prontos para a retirada. Ventos de três a seis horas do norte para o sul. Zulu alfa quente; composição e direção desconhecidas.
— Entendido, Zulu alfa quente copiado. Em três minutos no local. — Dois minutos depois: — Foice, Lâmina entrando, sinalize a localização.
— Entendido, aguarde — disse Driscoll, e depois comunicou a Barnes pelo rádio: — Iluminação química, Barnes.
— Entendido, chefe. Já tenho azul, amarelo, vermelho.
A iluminação química começou a brilhar pelo cânion, depois disparou pelo ar e caiu sobre o platô. Driscoll teria preferido luzes infravermelhas estroboscópicas, mas o depósito estava com falta delas quando saíram.
Driscoll chamou:
— Lâmina, Foice, soltei azul, amarelo e vermelho.
— Entendido, estou vendo.
Eles já escutavam o barulho dos rotores do Chinook. Então:
— Foice, aqui é Lâmina. Percebo aproximação de veículos 300 metros a oeste de vocês e se aproximando. Conto dois UAZ, câmbio.
Merda.
— Caiam fora, caiam fora. Marquem a zona de aterrissagem e se mantenham em órbita.
A única outra opção seria fazer com que os artilheiros do Chinook iluminassem os UAZ, mas fazer isso em altitude seria como um sinal luminoso de “aqui estamos nós” para outras unidades inimigas na área. O piloto do Chinook devia ter suas próprias RDE, ou regras de engajamento, mas, enquanto ele e seus Rangers estivessem em cena e na merda, Driscoll é quem tinha que dar a ordem. O fato de os UAZ não estarem correndo na direção deles era sinal de que sua unidade ainda não fora localizada. Até então tinham tido sorte com essas coisas e não adiantava forçar a situação.
— Entendido, caindo fora — respondeu o piloto do Chinook.
Para Barnes:
— Temos companhia a oeste. Abafe essa iluminação. Todo mundo abrigado. — Atrás dele, a coluna toda se agachou.
Ele recebeu um clique duplo em resposta e alguns instantes depois viu um par de figuras agachadas subindo no platô. As luzes químicas se apagaram.
No cânion abaixo, as luzes dos UAZ haviam estacionado. Bem de longe, Driscoll escutou os motores sem silenciadores. Uns bons trinta segundos se passaram, e então os motores aceleraram e os jipes começaram a se mover, separando-se numa linha escalonada enquanto se dirigiam para o cânion. Mau sinal, pensou Driscoll. Quando se movimentavam, os UAZ tendiam a fazê-lo em formação de fila única. Só quando esperavam encontrar problemas é que escalonavam.
— Cobertura — avisou Driscoll a equipe pelo rádio. — Os babacas estão caçando. — Depois para o Chinook: — Lâmina, Foice, fiquem por perto. Podemos precisar de vocês.
— Entendido.
Precedidos pelos faróis que balançavam no terreno irregular, o barulho dos pneus dos UAZ esmagando o terreno continuava pelo cânion, até que o primeiro jipe emparelhou com a ravina onde Driscoll e sua coluna se escondiam. Os freios chiaram. O UAZ parou; o segundo, se arrastando a uns 10 metros atrás dele, também parou. Um holofote apareceu na janela do passageiro e percorreu as paredes, pausando quando chegou na ravina. Mexa-se, babaca, pensou Driscoll. Aqui não tem nada para ver. O holofote girou, passando pela janela do motorista e pesquisando a ravina oposta. Depois de sessenta segundos, o holofote apagou. A transmissão do UAZ líder engatou e gemeu, depois começou a avançar para além da linha de visão de Driscoll.
— Quem tem visão? — perguntou pelo rádio.
— Achei o cara — respondeu Barnes. — A uns 50 metros de distância, continuando para o leste. — Depois: — Agora são 100 metros... Estão parando.
Driscoll se ergueu e foi caminhando agachado para fora da ravina, tomando cuidado para ficar próximo à parede rochosa até que pudesse ver os UAZ estacionados. Deitou de bruços e olhou pelo visor noturno. Cada caminhão havia se posicionado nos lados sul e norte do cânion. Os faróis e os motores desligados. Posição de emboscada.
— Todo mundo quieto e em silêncio — ordenou Driscoll, depois chamou o Chinook na linha: — Lâmina, Foice.
— Prossiga.
— Nossos UAZ tomaram posição no lado leste do cânion.
— Entendemos, estamos vendo. Tome nota, Foice, estamos a oito minutos da hora H.
Oito minutos até o Chinook estar no ponto de ou vai, ou racha para regressar. Um atraso para além dessa hora significaria falta de combustível para regressar à base. Para os Rangers, trabalhar com margens estreitas era rotina, mas existem algumas coisas que não se pode foder impunemente, e uma dessas é a carona de volta para casa.
— Compreendido. Engajem os UAZ. Tudo que estiver sobre rodas é de vocês.
— Entendido, engajando.
O Chinook apareceu por cima do platô, as luzes de navegação piscando enquanto baixou o trem de aterrissagem e começou a deriva para o leste baixando pelo cânion. Driscoll pôde ver o artilheiro da porta girando o minicanhão. O sargento mandou pelo rádio:
— Gomez, ponha seus homens subindo pela rampa.
— Entendido, chefe.
— Focando o alvo — anunciou o piloto do Chinook. — Engajando...
O Dillon M134 abriu fogo, banhando o lado do Chinook de alaranjado. A barragem durou menos de dois segundos, depois outra, e mais uma, e depois o piloto voltou.
— Alvos destruídos.
Com uma taxa de 3 mil disparos por minuto, nesses cinco segundos mais ou menos o minicanhão havia derramado 250 balas calibre 7,62 milímetros nos UAZ que se aproximavam. O Chinook reapareceu, deslizou de lado para a zona de aterrissagem e tocou o solo. A rampa desceu.
Gomez anunciou:
— Cobertura de cima, Papai Noel.
— Entendido, movendo para você.
Driscoll deu a ordem e mais uma vez, em pares, o restante da equipe cruzou o fundo do cânion, pulando de cobertura a cobertura até que Driscoll e Tait tivessem atravessado e caminhassem para a rampa.
— Alvo! — Driscoll ouviu por cima do capacete. Não era dos seus homens, percebeu, e sim de alguém a bordo do Chinook. — Na cauda, sete horas! — Do oeste do platô veio o matraquear de armas automáticas: — AK-47, rapidamente seguidas pelos disparos das M4.
Driscoll e Tait alcançaram o topo da rampa, deitaram de bruços e rastejaram pelos últimos metros. Uns 50 metros adiante, de dentro de uma ravina e por cima da crista, canos de armas relampejavam. Driscoll contou pelo menos três dúzias. Abaixo, no cânion, mais quatro pares de faróis apareceram. Mais UAZ.
A voz de Peterson:
— RPG, RPG...
À direita deles passou algo brilhando. O chão ao lado do Chinook explodiu.
— Afastem-se, afastem-se — comunicou o piloto, e depois fez algo que Driscoll jamais vira. Totalmente à vontade, o piloto levantou, ficou estacionário a 2 metros de altura, depois girou o leme, deixando a porta do artilheiro em posição. — Abaixem a cabeça, abaixem a cabeça! — O Dillon abriu fogo, fazendo um arco de chama pela ravina e pela crista.
— Corredor! — Driscoll escutou como se viesse de longe. — Sentido oeste!
Iluminado pelos tracejadores do Dillon, o prisioneiro deles, ainda algemado, corria na direção da descida. Tait murmurou:
— Estou com ele na mira, Papai Noel.
— Abata.
O M4 de Tait disparou e o prisioneiro foi abatido. O fogo de AK-47 decresceu e depois parou. Driscoll chamou:
— Lâmina, temos UAZ no cânion. Duzentos metros e se aproximando. Três horas sua.
— Entendido — respondeu o piloto, e fez o Chinook girar. Mais uma vez, o minicanhão disparou. Só precisou de dez segundos. A poeira começou a se espalhar, revelando quatro UAZ demolidos.
— Contagem de cabeças — ordenou Driscoll. Sem resposta. — Contagem de cabeças! — repetiu.
Collins respondeu:
— Dois mortos em combate, Papai Noel, e dois feridos.
— Filhos da puta.
O piloto chamou; calmamente, pensou Driscoll:
— Foice, o que acha do pessoal subir a bordo e nós irmos para casa antes que nossa sorte acabe?