Morto ou Vivo
Capítulo 80
— Fisgamos ele — disse Chavez, desligando o telefone via satélite. — Estará às duas da tarde em um cyber café na rua Bráulio Cordeiro.
— Ótimo, onde diabos é isso? — replicou Dominic, desviando o carro quando um táxi passou por eles, o motorista buzinando e gritando. — Não que isso importe. Não vamos chegar lá inteiros mesmo.
Chavez passava o dedo seguindo um mapa da cidade.
— Continue no rumo leste. Eu copiloto você.
— Suponho que não vamos agarrá-lo lá?
— Não. Primeiro temos que ter certeza de que está sozinho. Dissemos a ele para quebrar o contato, mas quem sabe? Além disso, vamos precisar de alguma privacidade para fazer o que temos que fazer.
— Que é?
— O que for preciso.
Dominic soltou um sorriso sombrio.
Acharam o café e deram duas voltas pelo quarteirão para fazer o levantamento ambiente, depois acharam uma vaga de estacionamento 50 metros ao norte, do outro lado de um cruzamento. Saíram e caminharam para o sul. Entre uma farmácia e um borracheiro encontraram um beco que levava a um ferro-velho cheio de máquinas de lavar enferrujadas, eixos de carros e pilhas de velhos canos de esgoto. Chavez foi na frente até o final do quintal e por trás de um monte de lixo. Através de um muro feito com tábuas bem espaçadas, podiam ver a entrada do café do outro lado da rua.
— Merda — disse Chavez.
— O quê?
— Acabei de notar aquela calçada do lado ao café.
— Entrada dos fundos, talvez — disse Dominic. Olhou o relógio. Ainda faltavam vinte minutos. — Vou dar uma volta e ver se consigo dar uma olhada.
Dez minutos mais tarde, o telefone de Chavez tocou. Ele apertou o botão de resposta.
— Pode falar.
— Existe uma porta dos fundos, mas há uma lixeira fechando a entrada — disse Dom.
— Ruim em caso de incêndio, bom para nós. Volte para cá.
Chavez mal tirou o dedo do botão quando um Chevrolet Marajó verde diminuiu a marcha diante do café. Apesar do ângulo oblíquo, Chavez percebeu um único sujeito sentado atrás do volante. O Marajó avançou, depois freou e começou a dar a ré para estacionar.
— Dom, onde você está?
— Quase no cruzamento.
— Diminua a marcha. Pode ser nosso homem.
— Entendido.
Mais adiante, o motorista do Marajó saiu e foi na direção do café.
Chavez apertou o botão.
— É o nosso homem. — Descreveu o carro de Hadi para Dominic, e depois falou: — Volte para o Hyundai. Ele não deve demorar muito.
A resposta veio na forma de um clique duplo. Entendido. Ligou para o Campus. Sam Granger atendeu.
— Ele entrou — disse Chavez.
— A mensagem subiu. Estamos mandando Hadi para um salão de bilhar na esquina entre as travessas Roma e Alegria, na entrada sul da Rocinha.
— Hora?
— Às sete.
Chavez desligou. Passaram dez minutos, e depois Hadi saiu do café. Olhou para os dois lados da rua, foi até seu carro e entrou.
— Movimentando — disse Chavez. Ele correu pelo quintal, desceu o beco e saiu na rua. À sua esquerda, o Marajó de Hadi foi até o cruzamento e parou.
— Estou vendo ele — disse Dominic.
Hadi dobrou à esquerda.
— Estou chegando em você — disse Dominic pelo rádio.
— Negativo. Fique aí. — Chavez correu pela rua e alcançou o Hyundai em trinta segundos. — Muito bem, adiante. À esquerda no cruzamento, depois dobre à esquerda e pare no sinal.
Dominic fez como instruído. Quando chegaram no sinal, Hadi passou na frente deles, na direção norte. Dominic deixou dois carros passarem, e depois seguiu.
Quinze minutos depois.
— Tem alguém atrás de nós — disse Dominic. — Ou de Hadi.
Chavez olhou pelo espelho lateral.
— Lancia azul?
— E mais dois atrás. Um compacto Fiat verde, e um Ford Corcel vermelho.
— Que porra é essa? Tem certeza?
— Vi o Fiat e o Ford darem duas voltas no quarteirão quando rodeei para ir por trás do café. Não podem ser policiais.
— É? Por quê?
— Policias agiriam melhor que isso. Eles estão fazendo a porra de um comboio.
Chavez verificou o mapa.
— Vamos olhar as caras.
Dominic diminuiu perto de uma vaga de estacionamento e ligou o alerta. Atrás dele, o Lancia buzinou. Chavez colocou a mão pela janela e acenou para que passasse. Quando o veículo desviou e ultrapassou, Chavez deu uma olhada.
— Parecem ser do mesmo grupo étnico de Hadi. Você acha que são seus parceiros de crime?
— Pode ser. Talvez Hadi não tenha conseguido cortar a ligação.
Dominic deixou passar o terceiro carro, o Corcel, depois esperou cinco segundos e saiu atrás dele.
O terceiro dia de viagem de Musa transcorreu suavemente como os dois primeiros, e no final da tarde ele chegou à sua última parada de pernoite: Winnemucca, em Nevada. População: 7.030 habitantes; 563 quilômetros a noroeste de Las Vegas.