Morto ou Vivo

Tom Clancy · Capítulo 80 de 92

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Morto ou Vivo

Capítulo 80

 

— Fisgamos ele — disse Chavez, desligando o telefone via satélite. — Estará às duas da tarde em um cyber café na rua Bráulio Cordeiro.

— Ótimo, onde diabos é isso? — replicou Dominic, desviando o carro quando um táxi passou por eles, o motorista buzinando e gritando. — Não que isso importe. Não vamos chegar lá inteiros mesmo.

Chavez passava o dedo seguindo um mapa da cidade.

— Continue no rumo leste. Eu copiloto você.

— Suponho que não vamos agarrá-lo lá?

— Não. Primeiro temos que ter certeza de que está sozinho. Dissemos a ele para quebrar o contato, mas quem sabe? Além disso, vamos precisar de alguma privacidade para fazer o que temos que fazer.

— Que é?

— O que for preciso.

Dominic soltou um sorriso sombrio.

 

Acharam o café e deram duas voltas pelo quarteirão para fazer o levantamento ambiente, depois acharam uma vaga de estacionamento 50 metros ao norte, do outro lado de um cruzamento. Saíram e caminharam para o sul. Entre uma farmácia e um borracheiro encontraram um beco que levava a um ferro-velho cheio de máquinas de lavar enferrujadas, eixos de carros e pilhas de velhos canos de esgoto. Chavez foi na frente até o final do quintal e por trás de um monte de lixo. Através de um muro feito com tábuas bem espaçadas, podiam ver a entrada do café do outro lado da rua.

— Merda — disse Chavez.

— O quê?

— Acabei de notar aquela calçada do lado ao café.

— Entrada dos fundos, talvez — disse Dominic. Olhou o relógio. Ainda faltavam vinte minutos. — Vou dar uma volta e ver se consigo dar uma olhada.

 

Dez minutos mais tarde, o telefone de Chavez tocou. Ele apertou o botão de resposta.

— Pode falar.

— Existe uma porta dos fundos, mas há uma lixeira fechando a entrada — disse Dom.

— Ruim em caso de incêndio, bom para nós. Volte para cá.

Chavez mal tirou o dedo do botão quando um Chevrolet Marajó verde diminuiu a marcha diante do café. Apesar do ângulo oblíquo, Chavez percebeu um único sujeito sentado atrás do volante. O Marajó avançou, depois freou e começou a dar a ré para estacionar.

— Dom, onde você está?

— Quase no cruzamento.

— Diminua a marcha. Pode ser nosso homem.

— Entendido.

Mais adiante, o motorista do Marajó saiu e foi na direção do café.

Chavez apertou o botão.

— É o nosso homem. — Descreveu o carro de Hadi para Dominic, e depois falou: — Volte para o Hyundai. Ele não deve demorar muito.

A resposta veio na forma de um clique duplo. Entendido. Ligou para o Campus. Sam Granger atendeu.

— Ele entrou — disse Chavez.

— A mensagem subiu. Estamos mandando Hadi para um salão de bilhar na esquina entre as travessas Roma e Alegria, na entrada sul da Rocinha.

— Hora?

— Às sete.

Chavez desligou. Passaram dez minutos, e depois Hadi saiu do café. Olhou para os dois lados da rua, foi até seu carro e entrou.

— Movimentando — disse Chavez. Ele correu pelo quintal, desceu o beco e saiu na rua. À sua esquerda, o Marajó de Hadi foi até o cruzamento e parou.

— Estou vendo ele — disse Dominic.

Hadi dobrou à esquerda.

— Estou chegando em você — disse Dominic pelo rádio.

— Negativo. Fique aí. — Chavez correu pela rua e alcançou o Hyundai em trinta segundos. — Muito bem, adiante. À esquerda no cruzamento, depois dobre à esquerda e pare no sinal.

Dominic fez como instruído. Quando chegaram no sinal, Hadi passou na frente deles, na direção norte. Dominic deixou dois carros passarem, e depois seguiu.

 

Quinze minutos depois.

— Tem alguém atrás de nós — disse Dominic. — Ou de Hadi.

Chavez olhou pelo espelho lateral.

— Lancia azul?

— E mais dois atrás. Um compacto Fiat verde, e um Ford Corcel vermelho.

— Que porra é essa? Tem certeza?

— Vi o Fiat e o Ford darem duas voltas no quarteirão quando rodeei para ir por trás do café. Não podem ser policiais.

— É? Por quê?

— Policias agiriam melhor que isso. Eles estão fazendo a porra de um comboio.

Chavez verificou o mapa.

— Vamos olhar as caras.

Dominic diminuiu perto de uma vaga de estacionamento e ligou o alerta. Atrás dele, o Lancia buzinou. Chavez colocou a mão pela janela e acenou para que passasse. Quando o veículo desviou e ultrapassou, Chavez deu uma olhada.

— Parecem ser do mesmo grupo étnico de Hadi. Você acha que são seus parceiros de crime?

— Pode ser. Talvez Hadi não tenha conseguido cortar a ligação.

Dominic deixou passar o terceiro carro, o Corcel, depois esperou cinco segundos e saiu atrás dele.

 

O terceiro dia de viagem de Musa transcorreu suavemente como os dois primeiros, e no final da tarde ele chegou à sua última parada de pernoite: Winnemucca, em Nevada. População: 7.030 habitantes; 563 quilômetros a noroeste de Las Vegas.