Morto ou Vivo
Capítulo 82
Jack e Clark chegaram a Virginia Beach em vinte minutos e acharam um estacionamento público a um quarteirão da praia. Todas as compras dos jovens Salim haviam sido feitas no raio de três quarteirões.
— Então o que pensa em fazer? — perguntou Jack quando desceram.
— Eles se hospedaram em algum dos hotéis por aqui usando um novo cartão e fizeram algumas compras com o antigo. Vamos bancar os delegados novamente e mostrar as fotos deles por aqui.
Na hora seguinte os dois foram de hotel em hotel, verificando todos os que estavam na lista de Jack. Entravam no estacionamento do Holiday Inn na Atlantic com a 28 quando Jack disse:
— Eles estão aqui.
— Sim, onde?
— Na piscina. Nas duas cadeiras perto do trampolim.
— Já vi. Continue caminhando.
Os dois pararam no saguão. Clark passou, franziu os lábios.
— Se lembra da floricultura que passamos na rua 27? Volte lá, compre algumas margaridas ou coisa assim. E um daqueles envelopes para cartão também.
— Hã?
— Explico depois. Não volte pelo mesmo caminho. Me encontre atrás do estacionamento.
Em 15 minutos Jack estava de volta. Encontrou Clark no fundo do estacionamento, parado ao lado de uma lixeira.
— Os dois se registraram com os mesmos primeiros nomes, sobrenome Pasaribu — informou Clark. — O quarto deles está no lado norte, no sentido oposto à piscina.
— Então passamos a gazua na porta e entramos.
— As camareiras estão por lá. Flores funcionam melhor.
Jack subiu antes, levando as margaridas. Clark foi pelo lado oposto, pela escada, e parou no alto, fora da vista de quem estava no corredor. Quando Jack chegou à porta do quarto dos Salim, parou e bateu, esperou dez segundos e bateu novamente. Quatro portas abaixo, uma camareira saiu de outro quarto e pegou algumas toalhas do carrinho.
— Por favor, senhorita — disse Jack.
— Sim, senhor?
— Trouxe essas flores para minha namorada. Tenho que voltar para a base, mas queria deixá-las aqui para ela. O problema é que já entreguei meu cartão de entrada. Será que você pode abrir a porta? Coloco as flores na cama e saio em cinco segundos.
— Eu não posso fazer...
— Entro e saio em cinco segundos.
Uma pausa.
— Bem, ok.
Ela abriu a porta e ficou do lado.
Clark aproveitou a deixa e saiu de onde estava.
— Senhorita, ei, senhorita...
— Sim, senhor?
— Preciso de toalhas. — Clark foi até o carrinho e começou a remexer os suprimentos, derrubando barras de sabonete e frascos de xampu no chão. A camareira foi até lá.
— Deixe que eu pego, senhor.
Dentro do quarto dos Salim, Jack jogou as flores na cama e olhou em volta. Cartão de entrada, cartão de entrada... Percebeu um no cinzeiro, pegou-o e foi para a porta. Lá fora, chamou:
— Obrigado. — E foi rumo às escadas. Clark pegou suas toalhas e saiu na direção contrária, dando a volta até as escadas que Jack pegou. Esperaram até a camareira entrar no quarto que limpava, caminharam para a porta dos Salim, passaram o cartão e deslizaram para dentro.
— Como você sabia sobre o cartão? — perguntou Jack.
— Eles sempre oferecem dois cartões aos casais, e a maioria das pessoas leva os dois consigo... Mas não para a piscina.
— O que vamos procurar?
— Cartões de crédito e identificações. Além disso, qualquer coisa que atraia nossa atenção.
Saíram em três minutos. Clark ligou para o Campus enquanto caminhavam de volta para o carro.
— Eles têm mais quatro cartões de crédito e três passaportes para cada um — disse a Rick Bell. — Mando os detalhes para você via e-mail.
Além do novo hotel em Virginia Beach e ainda mais refeições no McDonald’s e frappuccinos da Starbucks, os Salim tinham apenas mais um débito: um carro alugado na Budget. Jack e Clark dirigiram de volta para o Holiday Inn e acharam o Intrepid platina no estacionamento dos fundos.
— Agora esperamos — disse Clark.
Um pouco antes das duas horas da tarde, Citra e Purnoma desceram pelas escadas dos fundos do hotel e entraram no Intrepid.
Da Virginia Beach seguiram para a 264 na direção leste, através de Norfolk, e depois para Portsmouth pela 460, antes de dobrar para o norte e pegar o túnel para cruzar a Hampton Roads Bay. Do outro lado, saíram pela Terminal Avenue e depois pela Jefferson até o King Lincoln Park no extremo sul da Newport News Point. Clark os seguiu até o estacionamento e observou os Salim descerem e entrarem no parque. Deixaram os irmãos assumir uma distância de 100 metros, saíram do carro, se separaram e seguiram os dois.
O parque tinha apenas uns 400 metros. No meio do caminho, Clark e Jack se encontraram nas quadras de basquete, onde um joguinho acontecia.
— Que diabos estão fazendo? — perguntou Jack. O parque era cercado de água pelos dois lados. — Eles simplesmente trocaram a capital do sol e do surf da Virginia por isto aqui.
— Isso não está certo — concordou Clark.
Os Salim alcançaram o final do parque, onde ele formava uma flecha entre a praia e a Jefferson Avenue. Enquanto os dois observavam, a garota tirou uma câmera e começou a fotografar; não o oceano, e sim o outro lado da rodovia.
— O terminal de cargas — murmurou Clark.
— Estão fazendo reconhecimento — informou Clark a Hendley e os demais pelo telefone, uma hora mais tarde. Eles simplesmente seguiram o Intrepid dos Salim de volta ao hotel e estavam sentados na Atlantic Avenue, a um quarteirão de distância, de onde podiam ver todos os carros que iam e vinham. — O Newport News Marine Terminal. Não sabemos exatamente em que estão interessados, mas tiraram dezenas de fotos.
— Algum navio militar atracado ali? Químicos, depósito de combustível?
— Nada — respondeu Clark. — Já verifiquei. A maioria é de navios contêineres com carga seca. Seguimos os dois desde a manhã. Fora a piscina e o terminal, não foram a nenhum outro lugar, e ninguém foi até o quarto deles.
— Se estiverem pesquisando alvos, isso pode continuar por semanas — disse Granger. — E nós realmente não estamos preparados para grandes vigilâncias. Acho melhor darmos a dica para o FBI e deixar o caso com eles.
— Nos dê mais um dia — pediu Clark. — Se nada acontecer, puxamos o carro e voltamos para casa.
No Claridge Inn em Saint George, em Utah, Frank Weaver tomava uma chuveirada para tirar a sujeira de um dia de trabalho, esperando assistir a uma maratona de Law & Order na TNT, quando escutou uma batida em sua porta. Ele se enrolou na toalha e atravessou o quarto.
— Quem é?
— Recepção, Sr. Weaver. Temos um problema com seu cartão de crédito.
Weaver destrancou a porta e abriu uma fresta. A porta se abriu com um estouro e bateu na parede. Dois homens entraram, um fechando a porta, o outro dando duas passadas na direção de Weaver, que recuou pelo quarto, mas não rápido o suficiente. Sentiu algo duro fazendo pressão em seu plexo solar, depois uma martelada, então outra. Sentiu que estava caindo de costas. Quicou na cama e depois rolou pelo chão até ficar deitado de costas. Levantou a cabeça, olhou seu peito. Logo abaixo do esterno, dois buracos da grossura de um lápis estavam borbulhando sangue. O homem que atirara nele avançou e ficou por cima, uma perna de cada lado de seu peito. Frank Weaver viu o cano da pistola descendo na direção do seu rosto e fechou os olhos.