Morto ou Vivo

Tom Clancy · Capítulo 34 de 92

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Morto ou Vivo

Capítulo 34

 

No arrondissement de Montparnasse em Paris, Shasif Hadi estava sentado bebericando seu café e fazendo o melhor possível para não parecer nervoso.

Como prometido, sua conexão em Topanga Beach entrara em contato no dia seguinte ao encontro dos dois e lhe dera instruções sobre onde recolher os pacotes de volta, cada um dos quais encontrou em caixas postais alugadas na área de Los Angeles. Não ficou surpreso ao constatar que cada pacote continha apenas um CD-ROM sem rótulo, mas se surpreendeu ao achar uma nota escrita à máquina presa em um deles — “Indiana Café, Montparnasse, Av. Maine, 77” — juntamente com data e hora. Hadi não sabia se a nota indicava que deveria fazer novamente o simples papel de mensageiro ou algo mais.

Argelino de nascimento, Hadi emigrou para a França no começo da adolescência, quando seu pai se mudou à procura de emprego. Hadi falava bom francês, com o sotaque de pied-noir, os “pés-negros”, nome dado duzentos anos antes aos cidadãos da então colônia francesa no norte da África, que deixou de existir no começo dos anos 1960, depois de uma sangrenta e demorada guerra colonial e civil que a República Francesa mais abandonou do que foi derrotada. Mas a Argélia não exatamente floresceu, de modo que os árabes exportaram milhões de seus cidadãos para a Europa, onde foram recebidos a contragosto, principalmente na última década do século XX, quando descobriram sua identidade islâmica em um país que ainda mantinha a ideia da miscigenação. Fale a língua (pronuncie corretamente as palavras), adote os costumes e você vira francês, e a raça francesa não se importava tanto com a cor da sua pele. Ainda que nominalmente fosse um país católico, os franceses não se importavam com que igreja você frequentasse, pois não eram uma nação de igrejeiros, tampouco. Mas o islamismo mudou isso. Talvez lembrando a vitória de Charles Martel na Batalha de Tours no ano de 732, eles sabiam que haviam guerreado contra os muçulmanos, mas reclamavam principalmente do fato destes imigrantes rejeitarem sua cultura, adotando modos de vestir e costumes que não caíam bem para os bons-vivants bebedores de vinho, e, assim, escapavam da integração. E por que algum homem ou alguma mulher não iria querer virar francês?, perguntavam-se. Desse modo, a miríade de agências policiais francesas ficava de olho nessas pessoas. Hadi sabia disso e, portanto, se esforçava para se integrar, na esperança de que Alá compreendesse e o perdoasse com sua infinita misericórdia. Além disso, ele dificilmente era o único muçulmano que bebia álcool. A polícia francesa reparara nisso e, por consequência, o ignorava. Ele tinha emprego, como balconista de uma loja de vídeos, se dava bem com seus colegas de trabalho, vivia em um apartamento modesto, mas confortável, na rue Dolomieu, no 5º arrondissement (“distrito”, em Paris), dirigia um sedan Citroën, e não criava problemas com ninguém. Ninguém notava que ele levava uma vida um tanto acima dos seus ganhos. Os policiais franceses eram bons, mas não perfeitos.

Também não notaram que ele viajava um pouco, principalmente dentro da Europa, e em algumas ocasiões se encontrava com pessoas de fora do país, geralmente em um bistrô confortável. Hadi gostava em particular de um tinto leve do vale do Loire, sem saber que o vinhateiro era um judeu que apoiava com vigor Israel. Infelizmente, o antissemitismo estava mais uma vez vivo na França, agradando os 5 milhões de muçulmanos que viviam lá.

— Você se importa que eu me sente aqui? — disse uma voz perto do ombro de Hadi.

Hadi se virou.

— Fique à vontade.

Ibrahim se sentou.

— Como foi a viagem?

— Sem problemas.

— Então, o que você trouxe para mim?

Hadi tirou do bolso do paletó os CD-ROM, que entregou ao outro sem nenhuma tentativa de disfarçar a transferência. Tentar parecer inconspícuo era muitas vezes conspícuo por si só. Além disso, se o estranho casual ou mesmo um experimentado agente alfandegário, diga-se de passagem, vissem o conteúdo de cada CD, só descobririam uma apresentação digital de slides das férias de verão de alguém.

— Você olhou isso? — perguntou Ibrahim.

— Claro que não.

— Algum problema com a alfândega?

— Não. Na verdade fiquei surpreso com isso — disse Hadi.

— Somos 5 milhões aqui. Não podem vigiar todos nós, e mantenho um perfil discreto. Eles acham que um muçulmano que bebe álcool não é perigo para eles.

Manter um perfil discreto significava jamais frequentar uma mesquita e não ir a lugares usados por fundamentalistas islâmicos, chamados de “integristas” pelos franceses, porque o termo “fundamentalista” era localmente usado para designar os fanáticos cristãos, que provavelmente andavam bêbados demais para constituir ameaça para alguém, pensou Hadi. Infiéis.

— Mencionaram a possibilidade de uma mudança na minha atuação — adiantou Hadi.

Os dois estavam em uma mesa de calçada. Havia pessoas em um raio de 3 metros, mas também havia o barulho de trânsito e o alvoroço comum das grandes cidades. Os dois sabiam que não podiam se inclinar sobre a mesa em atitude conspiradora. Isso tinha sumido com os filmes da década de 1930. Era muito melhor beber vinho anonimamente, fumar e virar a cabeça para olhar as mulheres passando com seus vestidos chiques e pernas despidas. Os franceses entendiam isso muito bem.

— Se você estiver interessado — respondeu Ibrahim.

— Estou sim.

— Vai ser diferente do que você se acostumou. Há um pouco de risco.

— Se for da vontade de Deus.

Ibrahim olhou fixamente para ele por alguns segundos, depois assentiu.

— Sua viagem ao Brasil... Quantas vezes você esteve lá?

— Sete, nos últimos quatro meses.

— Gostou de lá?

— Acho que foi suficientemente bom.

— Bom o suficiente para voltar se lhe pedirem?

— Certamente.

— Temos alguém lá. Gostaria que você se encontrasse com ele e arranjasse acomodações.

Hadi assentiu.

— Quando viajo?

 

— Consegui — disse Jack, entregando as páginas.

Bell pegou e se inclinou na poltrona.

— França? — perguntou. — O anúncio de nascimento?

Explorando suas suspeitas sobre a súbita mudança no protocolo de comunicações da CRO, Jack revisou e cruzou as referências até conseguir identificar uma das chaves alfanuméricas, revelando um novo nome na lista de distribuição de e-mails.

— Sim. Seu nome é Shasif Hadi. Parece que mora em Roma, não sei exatamente onde, mas é muçulmano, provavelmente de origem argelina, e provavelmente fazendo o melhor possível para ficar abaixo do radar. Andou passando muito tempo em Paris.

Bell deu uma risadinha.

— Os italianos nem devem ter ideia de que ele exista.

— E eles são bons? — perguntou Jack.

— Os italianos? Os serviços de inteligência deles são de primeira linha, e historicamente não se importam de fazer trabalho pesado. A polícia deles também é bastante eficiente. Os caras não têm tantas restrições quanto os nossos rapazes. São melhores na localização de pessoas e na investigação do pano de fundo do que permitimos ao nosso pessoal. Podem instalar os grampos de forma administrativa, sem ordem judicial, diferente da gente. Eu evitaria chamar a atenção deles se estivesse contra a lei. É o velho estilo europeu; eles gostam de saber o máximo possível sobre as pessoas e o que elas andam fazendo. Se seu nariz estiver limpo, eles o deixam em paz. Se não, podem tornar sua vida bem difícil. O sistema legal deles não é como o nosso, mas no todo é bem justo.

“Eles ficam de olho na população muçulmana porque andaram escutando alguns murmúrios, mas não muito mais que isso. Mas você está certo: se esse sujeito está na jogada, deve saber como manter a cabeça baixa, beber seu vinho, comer seu pão e ver TV como todo mundo. Eles já tiveram problemas com terrorismo, mas não muito sério. Se você recuar até a OES nos anos 1960, sim, esse foi um problema sério, e muito assustador, mas lidaram com muita eficiência com o assunto. E também sem piedade. Os italianos sabem como fazer as coisas que têm que ser feitas. Então esse Hadi... está estático?”

— Não, andou viajando muito nos últimos seis meses. Olhe: Europa ocidental, América do Sul...

— Especificamente onde?

— Caracas, Paris, Dubai...

— Além disso e do e-mail, o que faz você pensar que ele seja quente? — perguntou Bell. — Você sabe, uma vez recebi uma ligação da Comcast. Aparentemente eu andava acidentalmente pegando carona no wi-fi da internet do meu vizinho. E não tinha a menor ideia disso.

— Não é o caso aqui — contrapôs Jack. — Chequei e rechequei isso; é a conta de Hadi. Ela se origina em um ISP alemão baseado em Monte Sacro, um subúrbio de Roma, mas isso não quer dizer nada. Pode ser acessado de qualquer lugar da Europa. A questão é: por que mandar isso criptografado pela internet quando poderia fazê-lo pelo telefone ou encontrando o sujeito em um restaurante? Obviamente o remetente acha que é um assunto sensível. Talvez não conheça Hadi de vista, ou não queira fazer ligações telefônicas ou uma entrega disfarçada, ou talvez não saiba fazer isso. Esses sujeitos se amarram na internet. É uma fraqueza operacional que tentam transformar em virtude. Têm uma organização pequena e que não é profissionalmente treinada. Se esses sujeitos fossem da KGB dos velhos tempos, nós estaríamos na merda, mas eles estão usando a tecnologia para compensar suas debilidades estruturais. São poucos, e isso os ajuda a se esconder, mas precisam usar a tecnologia eletrônica ocidental para se comunicar e coordenar suas atividades, e isso é ótimo, mas sabemos que eles também estão fora da Europa. Cruzar fronteiras tecnológicas pode ser escorregadio. Razões a mais para usar mensageiros para transmitir as instruções mais sérias.

“Se fossem um Estado-nação, teriam melhores recursos, mas então seríamos capazes de localizá-los e conhecer sua cadeia de comando com mais eficiência. Boas notícias e más notícias. Você pode usar uma escopeta contra um vampiro, mas não contra um mosquito. O mosquito não pode nos machucar de verdade, mas pode tornar nossas vidas miseráveis. Nossa vulnerabilidade é valorizarmos a vida humana muito mais que eles. Se não fosse assim, eles não poderiam nos atingir, mas somos assim e isso não vai mudar. Eles tentam usar nossas fraquezas e nossos princípios fundamentais contra nós mesmos, e é difícil usarmos o que dispomos contra eles. A menos que consigamos identificar esses pássaros, eles vão continuar nos picando, esperando nos deixar loucos. Enquanto isso, vão tentar alavancar suas habilidades, e nossa tecnologia, contra nós.

— Então: recomendações?

— Vamos esquadrinhar a conta ISP do sujeito se pudermos, e ver o que aparece nas finanças dele. Seguir o dinheiro. Em um mundo ideal poderíamos pedir a cooperação do BND alemão, mas não podemos fazer nada disso. Droga, não podemos nem mesmo pedir à Agência que faça isso para nós, não é?

E com essa pergunta, Jack havia identificado o verdadeiro problema do Campus. Como não existia, não poderia irradiar suas descobertas para a comunidade oficial de inteligência e daí seguir as coisas através dos canais convencionais. Mesmo se descobrissem petróleo no Kansas e enriquecessem pessoas, algum burocrata ou outro revisaria a notícia só para descobrir quem a enviou, e desse modo estouraria a cobertura do Campus. Ser supersecreto é tanto uma desvantagem quanto uma vantagem. Ou mesmo mais. Poderiam transmitir um pedido de pesquisa para Fort Meade como se fosse uma pergunta da Agência, mas até mesmo isso era perigoso, e precisava ser aprovado pelo próprio Gerry Hendley. Bom, tinha-se que engolir o doce junto com o amargo. Em um mundo onde duas ou mais cabeças eram, de fato, melhores do que apenas uma para solucionar um problema, o Campus estava sozinho.

— Receio que não, Jack — respondeu Bell. — Bem, a menos que esse Hadi esteja na lista de alguém por acidente ou o próprio e-mail seja inócuo, eu diria que estamos sacando um mensageiro.

Apesar de não ser o meio mais rápido de comunicação, mensageiros eram os mais seguros. Dados criptografados e mensagens, facilmente escondidos em um documento ou em um CD-ROM, eram coisas que o pessoal da segurança dos aeroportos não estava preparado para descobrir. A menos que se saiba a identidade do mensageiro — o que talvez tivessem agora —, os bandidos podiam estar planejando o fim do mundo e os mocinhos jamais tomariam conhecimento disso.

— Concordo — disse Jack. — A menos que ele esteja trabalhando para a National Geographic, tem alguma coisa aí. Ele é operacional ou está dando suporte.

O garoto pensava operacionalmente e isso, também, não era uma característica ruim, pensou consigo mesmo Rick Bell.

— Muito bem — disse Bell a Jack. — Coloque isso no topo da sua lista e me informe imediatamente.

— Certo — falou Jack e se levantou. Caminhou na direção da porta, e depois voltou.

— Alguma coisa na sua mente? — perguntou Bell.

— Sim. Quero sentar e ter uma conversa com o chefe.

— Sobre o quê?

Jack lhe disse. Bell tentou manter a surpresa longe do rosto. Cruzou os dedos e olhou Jack.

— De onde veio isso? O caso do MoHa? Porque aquilo não é a vida real, Jack. Trabalho no campo é...

— Eu sei, eu sei. Só quero sentir que estou fazendo alguma coisa.

— Mas você está.

— Você sabe o que quero dizer, Rick. Fazer alguma coisa. Ando pensando muito nisso. Pelo menos me ponha na mesa diante de Gerry.

Bell considerou o assunto, depois sacudiu os ombros.

— Muito bem. Vou cuidar disso.

 

Quinze mil quilômetros e nem a porra de uma cerveja, pensou Sam Driscoll, mas só por um instante, pois se lembrou mais uma vez que podia estar fazendo a viagem de volta para casa dentro de um saco plástico. Alguns centímetros para um lado ou para o outro, disseram os médicos, e o estilhaço teria rasgado ou a veia braquial, ou a cefálica ou a veia basílica, e ele poderia ter perdido todo o sangue antes mesmo de chegar ao Chinook. Mas perdi dois pelo caminho. Barnes e Gomez tinham levado o grosso do RPG. Young e Peterson levaram alguns estilhaços nas pernas, mas conseguiram subir a bordo do Chinook por conta própria. Dali foi um pulo até a base avançada em Kala Gush, onde ele se separou da equipe, menos do capitão Wilson e sua perna quebrada, que o acompanhou primeiro até a Base Aérea de Ramstein, e depois para o Brooke Army Medical Center, em Fort Sam Houston. O resultado foi que os dois precisavam do tipo de cirurgia ortopédica na qual Brooke era especializado. E Demerol. As enfermeiras dali eram realmente boas com os remédios para dor, que ajudava muito a esquecer que cinco dias antes ele tinha um pedaço do granito do Hindu Kush enfiado no ombro.

A missão fora um fracasso, pelo menos em termos do objetivo principal, e os Rangers não estavam acostumados a fracassar, seja por culpa deles ou não. Se considerasse que a informação estava correta e o alvo deles estivesse em algum momento naquela caverna, tinha escapulido de lá provavelmente um dia antes da chegada deles. Ainda assim, Driscoll se lembrou, em função da tempestade de merda que caíra sobre eles no caminho de volta para a zona de pouso, de que podia ter sido pior. Havia perdido dois homens, mas voltou com 13. Barnes e Gomez. Puta merda.

A porta abriu e o capitão Wilson rolou para dentro em sua cadeira de roda.

— Tem um tempinho para um visitante?

— Pode apostar que sim. Como está a perna?

— Ainda quebrada.

Driscoll deu uma risadinha.

— Vai ficar assim por algum tempo, senhor.

— Sem pinos ou placas, entretanto, de modo que a coisa vai indo para mim. E quanto a você?

— Não sei. Os médicos estão ariscos. A cirurgia foi bem, sem danos vasculares, o que seria uma droga de azar. Juntas e ossos são mais fáceis de emendar, acho. Teve notícias dos rapazes?

— Sim, estão bem. Desfrutando de uma merecida folga.

— Young e Peterson?

— Ambos muito bem. Serviço leve por algumas semanas. Escute, Sam, tem alguma coisa acontecendo.

— Sua cara me diz que não é uma visita de Carrie Underwood.

— Receio que não. Investigação criminal. Dois agentes lá no Batalhão.

— Nós dois?

Wilson assentiu.

— Requisitaram nossos relatórios pós-ação. Há algo que eu deva saber, Sam?

— Não, senhor. Levei uma multa de estacionamento no ginásio mês passado, mas fora isso tenho sido um bom rapaz.

— E tudo kosher lá na caverna?

— Merda padrão, major. Como escrevi.

— Bem, de qualquer modo eles virão hoje à tarde. Jogue às claras. Deve funcionar.

 

Driscoll não demorou mais que um minuto para sacar que a corja da investigação queria: sua cabeça. Quem, ou por que, ele não sabia, mas alguém tinha apontado o dedo para ele por conta do que acontecera na caverna.

— E quantas sentinelas vocês encontraram?

— Duas.

— Ambas abatidas?

— Sim.

— Muito bem, então vocês entraram na caverna propriamente dita. Quantos dos ocupantes estavam armados? — perguntou um dos investigadores.

— Depois que policiamos tudo, contamos...

— Não, queremos saber quando vocês entraram na caverna. Quantos deles estavam armados?

— Defina “armado”.

— Não banque o espertinho, sargento. Quantos homens armados vocês encontraram quando entraram na caverna?

— Está no meu relatório.

— Três, correto?

— Parece que sim — respondeu Driscoll.

— E os demais estavam dormindo.

— Com o AK embaixo do travesseiro. Vocês não estão entendendo nada. Estão falando sobre prisioneiros, certo? Não funciona assim, não no mundo real. Se você se envolve em um tiroteio dentro de uma caverna com apenas um bandido, você termina com Rangers mortos.

— Você não tentou incapacitar os homens adormecidos?

Driscoll sorriu com o comentário.

— Diria que eles ficaram completamente incapacitados.

— Você atirou neles enquanto dormiam.

Driscoll suspirou.

— Rapazes, por que não dizem logo o que vieram dizer?

— Como queira, sargento. Há evidências suficientes no seu relatório pós-ação para acusá-lo do assassinato de combatentes desarmados. Adicionalmente, teremos as declarações do restante da sua equipe...

— Que vocês ainda não tomaram oficialmente, certo?

— Não, ainda não.

— Porque sabem que isso é um monte de merda, e preferem colocar minha cabeça no cepo gentil e calmamente em vez de armar confusão. E por que estão fazendo isso? Eu estava fazendo meu trabalho. Façam seu dever de casa. O que nós fizemos foi procedimento padrão. Ninguém dá aos babacas a oportunidade de apontar as armas para nós.

— E aparentemente você não deu a eles a oportunidade para que se rendessem, não foi?

— Deus Todo-Poderoso... Cavalheiros, esses idiotas não se rendem. Em matéria de fanatismo, eles fazem os pilotos camicases parecerem um bando de frouxos. O que vocês estão falando aí só faria com que vários dos meus homens morressem, e isso eu não admito.

— Sargento, está admitindo agora que executou preventivamente os homens dentro daquela caverna?

— O que estou dizendo é que acabamos com essa conversa até que eu fale com meu advogado do Serviço de Defesa.