Morto ou Vivo
Capítulo 48
Jack escutou no computador a melodia que anunciava a chegada de um e-mail. Olhou de imediato, e conferiu novamente.
— Olá... — Pegou o telefone, ligou para Rick Bell e lhe contou o que tinha, e alguns instantes depois estavam na sala de conferências com Sam Granger.
— Conte a ele, Jack — indicou Bell.
— Sabe o sujeito que achamos que pode ser um mensageiro do CRO?
— Hadi?
— Certo. Achei algo sobre as finanças dele; um cartão de crédito. Está se movimentando, agora mesmo. Um avião 747 da Alitalia que saiu do Aeroporto Da Vinci em Roma para Pearson, em Toronto.
— E de lá?
— Chicago, mas nada além disso em seu cartão de crédito, ainda.
— Ou é o destino ou uma parada de despiste — disse Bell, usando o velho jargão da CIA para vigilância de viagens. — Chicago é um aeroporto de conexões; de lá ele pode ir para qualquer lugar, dentro do país ou sair para o exterior novamente.
— Quanto tempo temos? — perguntou Granger.
— Quatro horas — respondeu Jack.
Granger perguntou:
— Rick, quanto de certeza temos sobre esse sujeito?
— Setenta e cinco por cento. Está numa lista conhecida de distribuição do CRO, se movimenta muito por aqui, pela Europa e pela América do Sul. Melhor possibilidade: ou é um mensageiro tempo integral ou freelancer fazendo logística para eles. Nos dois casos, vale a pena o esforço. Estamos com ele dentro de um avião, com destino e hora de chegada conhecidos. Nada muito além disso.
Granger ficou em silêncio por um instante, e depois:
— Muito bem, chamem o Kingfisher para a sala de conferências. Estou descendo.
— Então, o que está acontecendo? — perguntou Dominic Caruso ao entrar na sala de conferências. Exceto por Clark e Chavez, todos os demais já estavam reunidos. Brian, Rick Bell, Jerry Rounds.
Jack explicou brevemente.
— Puta merda — falou Dominic.
— Exatamente as minhas palavras.
— Quando o avião aterrissa?
— O horário é às três e vinte — respondeu Jack.
Sam Granger entrou e sentou à cabeceira da mesa de conferências.
— Muito bem, são oito e quarenta aqui, calcule uns setenta, 75 minutos até Toronto. Não temos tempo para fazer muita coisa. Pelo menos não sem apoio oficial. A que horas Clark e Chavez chegam?
Rick Bell conferiu no relógio.
— Em uns quarenta minutos.
— Vamos ver se conseguimos enfiar os dois também nisso. Jack, você tem o pedigree de Hadi?
— Sim.
Distribuiu os documentos e se seguiram sessenta segundos de silêncio até que todos folheassem as páginas.
— Temos alguma foto do cara? — perguntou Brian.
— Nada — respondeu Jack. — Nenhuma descrição.
— De Roma para Toronto, e de lá para Chicago e depois... Nenhuma informação, certo?
— Correto — confirmou Jack com um aceno.
— Se essa fosse uma operação do Bureau — disse Dominic —, entraríamos em contato com a Polícia Montada do Canadá e inundaríamos o aeroporto com policiais à paisana para tentar identificar o sujeito e segui-lo para onde fosse. Mas não podemos fazer isso, não é?
— Voamos até Toronto — disse Jack. — Usamos o padrão de reconhecimento visual e rezamos para ter sorte. Vamos supor que conseguimos identificar o nosso alvo. Então, o que podemos fazer?
— Vigilância encoberta — disse Dominic. — Tentar segui-lo até qualquer buraco aonde vá. E não vai ser fácil. Mesmo que consigamos, não podemos prendê-lo, não podemos interrogá-lo, não podemos fazer muita coisa, a menos que alguém autorize que ele seja liquidado.
— De modo algum — declarou Granger. — É a única pista que conseguimos de um perdigueiro do CRO. Nós o seguimos, o marcamos ou o capturamos, nessa ordem.
— Vamos conseguir informação — disse-lhes Bell. — Qualquer coisa que conseguirmos é mais do que temos agora. Pequenos passos, rapazes.
— Vamos ver o chefe — disse Granger.
*
— Temos um pássaro no ar — informou Jack a Hendley poucos minutos depois. — O nome do alvo é Hadi, a caminho de Toronto. Seu avião chega depois das três da tarde, hora local.
— Querem tentar localizar o sujeito? — perguntou Hendley.
— É uma possível bola com efeito que caiu no nosso colo — disse Rounds. — Mas a informação sobre ele é um tanto escassa — precisou admitir.
— Então, o que temos exatamente? — perguntou Hendley. Jack lhe entregou o impresso e Hendley sentou para ler. — Boa pescaria — disse, após examinar brevemente o papel. — Muito bem, vamos mandar todo mundo...
— Clark e Chavez estão quase aterrissando. Vamos ver se conseguimos interceptá-los.
— Ótimo. Jack, Dom, Brian, peguem cartões de crédito e celulares do segundo andar.
Todos foram juntos para o Aeroporto Internacional de Baltimore-Washington no Mercedes Classe C de Brian. Havia um 747 com horário marcado para sair rumo ao Canadá dentro de 75 minutos, informou Rounds pelo telefone. Havia passagens esperando para todos eles. Uma vez no terminal, recolheram as passagens, localizaram o voo de Chavez e Clark no painel e foram para lá.
— Como são os policiais canadenses? — perguntou Brian a Dominic.
— Tradição britânica, mas com aspectos locais. A RCMP, os Montados, existem há muito tempo, e são muito bons na investigação, mas nunca interagi com eles.
— Usam casacos vermelho vivos — disse Brian. — Mas isso pode os tornar um alvo fácil, especialmente quando estão em cima de um cavalo.
— Também são bons sujeitos — lembrou Dominic ao irmão.
Brian soltou uma risadinha.
— Só uma observação casual.
Clark e Chavez saíram do avião, viram Jack e os demais e foram na direção deles.
— Serviço porta a porta? — perguntou Clark.
— Temos algo no forno. Vocês estão prontos para seguir?
— Desde que primeiro você me arranje uma Starbucks — disse Chavez.
Jack explicou a situação quando saíram do posto de segurança e foram até o balcão buscar os cartões de embarque para Clark e Chavez.
— Então, como fazemos isso? — perguntou Jack a Clark, depois de passarem pela segurança.
— Procurem por um sujeito que pareça não fazer parte do ambiente. Ele deve ter algum treinamento de espionagem, e presumivelmente sabe como se fazer invisível. Procurem isso. Não vai ficar olhando por aí como a maioria dos turistas, não fará nada que possa chamar atenção para ele, mas provavelmente não demonstrará ampla familiaridade com a localização. Então, um tipo de negociante que parece não conhecer o local. Quando ele olhar ao redor, vai fazer isso cuidadosamente. Provavelmente vai ser cuidadoso, procurando ver se está sendo vigiado. Vocês já aprenderam como fazer isso. Procurem por alguém que esteja fazendo o mesmo que ensinaram a vocês. É mais uma arte do que uma ciência.
— Então o que diabos vamos fazer? — exigiu Brian.
— Pareçam turistas americanos. Desliguem tudo, todo o treinamento. Sejam simplesmente idiotas normais. Ninguém presta atenção neles. A menos que você esteja na Terra Vermelha, na velha União Soviética, por exemplo. Lá você, sobretudo, nunca sorri. Os russos quase nunca sorriem, é uma coisa estranha da cultura deles. Não é fácil, eu sei. Mas faço isso há quase trinta anos. É um pouco mais fácil lembrar quando é seu rabo que está na reta — concluiu com um sorriso.
— Quantas vezes?
— Rússia? Mais de uma vez, e em todas fiquei apavorado. Você entra lá nu, sem arma, sem lugar para onde fugir, apenas com um “rótulo”, e alguma cobertura na retaguarda se você tiver sorte.
— Cobertura na retaguarda?
— Referências que podem aguentar uma investigação leve. O hotel onde você ficou na última cidade, o telefone do empregador... Coisas assim.
— Faz tempo que quero perguntar — disse Dominic. — Que tal são esses sujeitos, nossos inimigos atuais?
Clark pensou no assunto. Então, respondeu:
— Parte de mim diz que são a mesma coisa: motivação diferente, perspectiva diferente, tudo isso, mas fazendo a mesma merda. Mas outra parte não tem tanta certeza. Esse bando pelo menos acredita em Deus, mas depois violam as leis de sua própria religião. Personalidades sociopatas? Droga, não sei. Eles têm as versões deles do mundo, e nós a nossa, e as duas não batem.
O voo foi chamado e todos entraram juntos. Fileira de cinco assentos, separadas pelo corredor, classe econômica. Chavez, que tinha pernas curtas, não se importava, mas Clark sim. Quanto mais velho, mais enrijecido ficava. A rotina comum de segurança. Clark já estava com o cinto amarrado e apertado. No decorrer dos anos, aprendeu a não desprezar as regras de segurança em nenhuma de suas manifestações. O 737-400 taxiou e decolou tão rotineiramente como se o piloto estivesse dirigindo um carro. Clark pegou a revista de bordo e começou a folhear a seção de catálogo. Parou, olhando um anúncio de caixa de ferramentas.
— Então, como exatamente vamos fazer isso? — perguntou Jack a Clark.
— Indo pelo ouvido — respondeu Clark, e voltou ao catálogo.
O pouso foi quase tão suave quanto a decolagem, seguido pela frenagem, taxiamento até o terminal e desembarque no finger. O terminal possuía a mesma aparência difícil de descrever de todos os demais ao redor do mundo. Dobraram à esquerda e entraram no saguão amplo e anônimo. A sinalização os dirigiu até a área de chegadas internacionais, e foi uma caminhada suficiente para fazer o sangue circular novamente em suas pernas. A informação nos monitores lhes informou que o voo da Alitalia ainda levaria noventa minutos para chegar. Uma verificação rápida da área mostrou que era facilmente vigiável. Melhor ainda, havia uma lanchonete bem na linha de visão, com as cadeiras de plástico usuais ao redor das mesas de plástico.
— Muito bem, rapazes, temos aí umas duas horas, contando o tempo de nosso personagem passar pela imigração — pensou Clark em voz alta.
— Só isso? — perguntou Jack.
— Talvez eles tenham um cão passeando pelas maletas, cheirando atrás de drogas, mas nada muito mais que isso. Os canadenses não estão sendo muito cuidadosos. Os bandidos transitam pelo Canadá. Não ficam aqui para seus malfeitos. Boa sorte para eles, acho. Permite que economizem dinheiro nos gastos de segurança.
— Se os bandidos dão sopa por aqui, podiam bem empacotar alguns deles e colocar em um barco para Buffalo.
— E aí — continuou o raciocínio Dominic —, fariam inimigos que não precisam. São negócios.
— Boa observação — disse Chavez. — Negócios são negócios, e você deixa o cachorro dormindo sozinho até levar uma mordida. Eu me pergunto quando isso vai acontecer com eles.
— Depende dos bandidos, mas fazer inimigos gratuitos não é bom para os negócios. Lembre que o terrorista é um negociante cujo ramo é matar pessoas. Talvez sejam motivados ideologicamente, mas negócios ainda são negócios.
— Quantos você já liquidou? — perguntou Dominic a Clark.
— Alguns. Todos na Europa. Não são bem-treinados. Alertas, e podem ser matreiros como uma raposa, mas isso não é a mesma coisa que treinamento. Assim, só é preciso ter cuidado e abatê-los. Melhor se atirar pelas costas. É difícil eles responderem a fogo dessa maneira.
Dominic franziu a testa.
— Hã?
— Não se supõe que você seja leal. Isso não é uma olimpíada.
— Acho que tem razão.
— Mas isso vai contra sua sensibilidade, não é?
Dominic pensou um pouco, depois encolheu os ombros.
— Não sei nada de sensibilidade. É só outra maneira de pensar.
Clark sorriu sombrio.
— Bem-vindo ao outro lado do espelho. — Verificou o relógio. O voo devia estar pousando.
Hadi teve consciência de que o solo sob o avião sempre parecia o mesmo, mas diferente. Distante, mas chamativo quando você pousava. Como nos Estados Unidos, todas as estradas e carros entrando na visão. Ele avaliava a altitude pela possibilidade de distinguir ou não carros e caminhões individualmente. O “Air Show” que aparecia na miniTV informava que a altitude era de 1.500 metros e baixando, e a velocidade sobre o solo era de 400 quilômetros por hora, muito abaixo da altitude e da velocidade de cruzeiro sobre o oceano. Logo pousariam. Dez minutos, segundo o computador. Hora para despertar completamente. A comissária retirou sua xícara de café. O café italiano era bem parecido com o de sua distante juventude quanto à acidez e, verdade seja dita, ele gostava muito da comida italiana, apesar de eles servirem carne de porco demais, e, apesar de beber vinho, traçava um limite quanto à carne suína. Ele desembarcaria, passaria sem dificuldades pela alfândega e pela imigração, localizaria seu recepcionista, receberia dele a passagem para Chicago, que também o levaria até sua conexão no voo da United Airlines 1108, e fumaria um cigarro, mas nada de conversa.
Tinha que ficar alerta ao passar pela alfândega e pela imigração. Não tinha nada a declarar, é claro, nem mesmo uma garrafa de vinho italiano. Viajante de negócios, para quem esse tipo de voo era rotina. Negociante de joias, essa era sua cobertura. Conhecia o tema o bastante para conversar brevemente sobre o assunto. Não o suficiente para impressionar ou iludir um verdadeiro mercador de joias judeu, claro, mas ele sabia como evitar conversas, até mesmo fingir sotaques. Bem, era mesmo uma espécie de viajante a negócios, e esse tipo de viagem era rotina, apesar de ser sua primeira visita ao Canadá. Mais um país infiel, com regras simples e gentis para pessoas em trânsito, e ficariam felizes ao vê-lo seguir caminho, sem prestar atenção nele, desde que não portasse armas ou cometesse algum crime.
O pouso foi um pouco duro. Talvez a tripulação também estivesse cansada. Que vida horrível levavam, pensou Hadi. Sentados o dia inteiro, sem caminhar, constantemente trocando os relógios corporais em função dos lugares e das horas diferentes. Mas todos os homens tinham seus lugares no mundo, e o deles era bem-pago, apenas desagradável, mesmo para infiéis. Seu trabalho e sua cobertura o obrigavam a ser gentil com todos que encontrava. Isso incluía infiéis que rotineiramente comiam carne de porco. Era difícil, mas exigido por seu lugar na vida. O avião parou, e juntamente com os demais 153 passageiros a bordo, ele levantou, pegou sua bagagem de mão e saiu tropeçando para a porta.
Logo distinguiu os funcionários canadenses com seus quepes azul-marinho, rostos inexpressivos, e olhares observadores. Recepcionistas que não se importavam nada com quem recebiam em seu país infiel. Provavelmente havia mesquitas em um raio de poucos quilômetros dali, mas ele jamais chegaria perto de uma delas. O governo local podia permitir que os muçulmanos venerassem Alá em um local próprio, mas certamente eram todos vigiados, e os que entravam eram fotografados. O trabalho de Hadi era ser invisível.
— Pousou — disse Clark, olhando o monitor de TV pendurado a 7 metros de distância.
— E tudo o que sabemos é que ele mija de pé — lembrou Dominic.
Onde é o banheiro mais próximo?, pensou Clark. Muitas pessoas iam direto ao banheiro logo após o desembarque, nervosas demais para usar um no avião. Não seria má ideia acampar alguém por lá por conta dessa possibilidade. Espiões não eram robôs. Cada um tinha suas próprias peculiaridades, e essas, uma vez identificadas, os deixavam vulneráveis. Ele se deu conta de que nunca havia sido contraespião. Identificar espiões era algo em que ele sempre tinha trabalhado para prevenir... mas talvez isso lhe desse os recursos necessários para o trabalho. Logo veria. Estavam atrás de um árabe, provavelmente entre o final dos 30 e meados dos 40 anos, homem. Altura, peso, cor dos cabelos e cor dos olhos eram desconhecidos. Era um operador treinado. E provavelmente agiria como um operador treinado.
Bem, ele seria recebido. Isso eles sabiam. Alguém devia lhe entregar um bilhete para o voo de conexão. Provavelmente não tão bem-treinado. Provavelmente um freelancer. Talvez alguém que esperasse conseguir uma promoção seja lá a que organização pertencesse. Talvez tão esperto, mas não tão experiente ou treinado. Alguém que conhecesse de vista o personagem que chegava? Talvez sim, talvez não. Provavelmente um motorista. Estaria procurando para fazer a entrega. Esquadrinhando os rostos em busca de reconhecimento. Segurando um cartaz? É. Talvez O EMIR ME MANDOU , pensou Clark com um resmungo. Ele já vira alguns idiotas ao longo do tempo, mas não tão idiotas assim. Talvez fosse mais proveitoso enfiar uma arma na boca e disparar diante das câmaras de TV. Esses sujeitos podiam não ser profissionais tal como ele definia o termo, mas também não eram estúpidos. Alguém os tinha treinado ou instruído sua organização sobre como agir no campo. Não era tão difícil assim. As nuances vinham com a experiência, mas o básico era algo que até um semi-idiota poderia sacar por conta própria. Eles quatro estavam parados em uma fila. Isso não era esperto. Ele se moveu até Dominic.
— Fiquem em duplas, em lados opostos do corredor. Dominic, você e Brian. Jack, você fica comigo e com Ding.
Dominic e Brian pegaram a escada rolante e desceram, logo dando a volta até um lugar do lado oposto a Clark e Chavez. John deu uma batidinha no nariz e os gêmeos repetiram o sinal.
— O que você está achando, Domingo?
— Quem, eles? Bons instintos, um pouco irregulares nas bordas, mas isso é normal. Se houver problemas, acho que lidarão bem com isso.
— Para um ninja, é um bom elogio — respondeu Clark.
— Nós somos donos da noite, cara. — Isso fora há algum tempo, mas era parte central da identidade de Domingo. Ele dificilmente era localizado. Baixo como era, as pessoas muitas vezes não prestavam atenção nele. Seus olhos podiam denunciá-lo, mas só se alguém tomasse um tempo para examinar seu rosto, e ele realmente não era grande demais para que um cara durão se preocupasse, até que esse alguém se visse no chão, se perguntando como diabos chegara ali. As coisas haviam mudado desde sua época nos SEAL. O terceiro grupo do SOG já tivera alguns tipos John Wayne, mas os novos pareciam mais corredores de maratona, baixos e magros. Tendiam a viver mais, pois eram mais dificilmente atingidos. Porém seus olhos eram diferentes, e ali é que morava o perigo. Se você fosse esperto o suficiente para perceber.
— Um pouco nervoso — admitiu Jack.
— Simples e relaxado — respondeu Clark. — Nem tente muito. E jamais fixe diretamente o olhar no suspeito, salvo talvez para verificar a direção para onde ele olha, mas apenas breve e cuidadosamente.
Quem é você, Hadi?, pensou Clark. Qual a razão de estar aqui? Para onde vai? Quem você quer encontrar? Altamente improvável que fizesse essas perguntas ou tivesse respostas. Mas a mente agia por conta própria o tempo todo, mais ainda se fosse uma mente realmente ativa e inteligente.