Morto ou Vivo

Tom Clancy · Capítulo 69 de 92

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Morto ou Vivo

Capítulo 69

 

A casa de Almasi ficava em uma colina coberta de mato baixo, cuja pendente levava diretamente à pedreira. Dominic e Brian não tiveram pressa, mantendo-se nos canais cobertos de pedregulhos que subiam em meandros pela colina. Trinta minutos depois alcançaram o topo. Deitaram de bruços e rastejaram para a frente.

Pendente abaixo, talvez a uns 20 metros, estava a parede de trás do celeiro; à direita da construção, o conjunto de chalés de adobe. Não viram luzes nas janelas. À sua direita e em frente estava a varanda dos fundos da casa de fazenda. Uma única luz aparecia em uma janela do andar de cima.

— Já são quase três — sussurrou Brian. — Vamos nos agachar. Se Almasi tiver patrulhas, nós as veremos.

Dez minutos se passaram, depois vinte. Não viram nenhuma movimentação.

— Balançamos a árvore? — sugeriu Dominic. — Primeiro o celeiro.

— Por que não?

Brian recuou do cume, agarrou um punhado de pedras e voltou. Jogou a primeira pedra em um arco alto. Esta bateu no teto do celeiro, quicou pelo telhado e caiu no chão.

Nada se moveu. Nenhum ruído.

Brian jogou mais uma pedra, dessa vez com uma trajetória direta. A pedra se chocou contra a parede do celeiro. Passaram-se cinco minutos.

— Já temos meia hora.

— Então vamos. Primeiro o celeiro, depois as choças? — perguntou Dominic.

— Sim. Se houver reforços, é lá que devem estar.

Os dois saíram do topo e rastejaram pela direita até se posicionarem bem atrás do celeiro, voltaram para o cume e escolheram o caminho da ladeira até a parede dos fundos. As tábuas eram velhas, quebradiças e com bastante abertura entre elas. Brian e Dominic olharam lá dentro, mas não viram nada se mover. Brian gesticulou: Para os chalés. Vou na dianteira.

Agachados, saíram de trás do celeiro e foram rodeando a base da colina, mantendo a cabeça abaixo do mato. Depois de uns 15 metros, alcançaram uma trilha estreita de terra. Bem em frente estavam os chalés de adobe. Por cerca de 20 metros sem cobertura. A uns 30 metros à esquerda deles estava a casa de fazenda. Em cima da porta traseira, a lâmpada ainda estava acesa.

Brian gesticulou: Você vai; eu cubro.

Dominic assentiu, deu mais uma olhada ao redor, e correu na ponta dos pés cruzando o caminho até a parede do chalé mais próximo. Verificou os dois cantos, e depois assinalou a Brian para que cruzasse. Dez segundos mais tarde estava ali. Dominic bateu na orelha, e depois na parede. Cerca de meio metro acima de suas cabeças havia a abertura de uma janela horizontal. Através dela escutaram ruído de roncos.

Vou olhar as duas mais ao norte, gesticulou Dominic.

Eles se encontraram dois minutos depois. Brian encostou a mão no ouvido de Dominic e sussurrou:

— Dois homens, um em cada chalé. Cada um com um AK-47.

Dominic assentiu, levantou dois dedos, depois quatro. Quatro no total. Passou o polegar pelo pescoço, sacudiu os ombros. Liquidamos com eles?

Brian sacudiu a cabeça e apontou para a casa. Dominic assentiu. Com Brian na ponta, seguiram o contorno das paredes do chalé até o lado leste, o ponto de aproximação mais próximo da porta dos fundos da casa. Mais terreno descoberto, porém dessa vez apenas 7 metros.

Com a Browning pronta e apontando à direita e à esquerda, para cima e para baixo, Brian cruzou a distância e caiu de cócoras diante da porta. Após dois minutos, fez um gesto para Dominic atravessar. Brian apontou os degraus de madeira e passou o polegar pela garganta. Velhos e barulhentos demais. Dominic assentiu. Ele foi de cócoras até a extremidade da varanda e experimentou o corrimão. Voltou-se para Brian com o polegar para cima. Três minutos depois, passaram por cima do corrimão, sobre a varanda. Moveram-se até a porta, cada um de um lado do batente. Brian experimentou a maçaneta. Estava destrancada. Ele abriu 5 centímetros, e parou. Esperou. Empurrou o restante, olhou pelo canto, e recuou. Sacudiu a cabeça.

Passaram pela soleira com as Browning prontas e procurando sinal de movimento. Estavam em um saguão azulejado. Adiante e à esquerda, escadas que levavam a um balcão com várias portas. À esquerda e à direita, salas de estar. As paredes com reboco de estuque estavam pintadas de branco e pareciam brilhar na escuridão. Dominic apontou para si mesmo. Comigo. Brian assentiu e saiu para o lado, e juntos os dois entraram na sala de estar e na sala de jantar à frente, ao lado da qual havia uma cozinha. Abriram a porta oposta e se viram novamente na sala de estar à esquerda do saguão.

Brian assinalou as escadas e recebeu um assentimento de volta. Dominic se posicionou em um canto do saguão para vigiar enquanto Brian subia as escadas; uma vez no alto, ficou vigiando enquanto Dominic subia para se juntar a ele.

Havia quatro portas no corredor e uma na parede mais distante. Começaram pela primeira porta. Quarto. Vazio, cama feita. O ar cheirava a bolor, como se o cômodo não fosse ocupado havia muito tempo. Foram para a segunda e a terceira portas e acharam mais dois quartos vazios. Atrás da quarta porta havia o que parecia ser o escritório da casa, completo com escrivaninha de carvalho, telefone multilinha, um equipamento de fax, scanner e copiadora, e um monitor de tela plana. Brian entrou e olhou em volta. Embutido em um aparador do lado oposto à escrivaninha havia um cofre de parede.

Foram até a última porta. Dominic apertou o ouvido na madeira, recuou e formulou sem som: Roncando. Gesticulou: Vou pegar Almasi e você controla o quarto.

Brian assentiu.

Dominic girou a maçaneta, empurrou a porta 2 centímetros e olhou pela fresta. Voltou-se, fez um sinal para Brian, e abriu a porta de uma vez. Em três passadas estava diante da cama com dossel de Almasi. Almasi estava deitado de costas, as mãos do lado. Brian inspecionou o quarto, verificando os cantos e todo o quarto principal. Assentiu para Dominic, que agarrou o braço do outro lado de Almasi, puxou virando-o sobre o estômago, e apertou sua cara no travesseiro. Almasi despertou instantaneamente, agitando os braços. Dominic enfiou o silenciador da Browning na base do pescoço do sujeito.

— Um ruído e você está morto. Balance a cabeça uma vez se compreendeu.

Almasi obedeceu.

— Estamos saindo, e você vem conosco. Dificulte nossa vida e pode ter certeza de que faço você morrer de um modo bem desagradável. Você tem um computador e um cofre no escritório. Vai nos dar a senha e a combinação, certo?

Almasi assentiu novamente.

Brian entregou um rolo de fita adesiva a Dominic; ele amarrou as mãos de Almasi e jogou o rolo de volta. Recuou da cama e gesticulou para Almasi levantar. Ele obedeceu. Com Brian na frente, voltaram para o corredor e entraram no escritório.

Dominic ligou o computador de Almasi, um Dell de última geração. O logotipo do Windows Vista logo apareceu, seguido por uma tela de login. Ele pegou um bloco e uma caneta na escrivaninha e empurrou até Almasi.

— Nome de usuário e senha.

Almasi não se moveu.

Brian puxou uma cadeira até perto da escrivaninha e empurrou Almasi sobre ela. Apertou a Browning sobre o joelho direito do homem.

— Começo por aqui. Joelhos, depois tornozelos e então cotovelos. — Pegou o bloco e a caneta da mesa e os colocou no colo de Almasi. — Nome de usuário e senha.

Dessa vez não houve hesitação. Quando terminou, Brian entregou o bloco a Dominic, que fez o login e começou a examinar os diretórios do computador.

— Ponha ele logo para resolver a combinação do cofre — disse Dominic. — Vou começar a fazer download, e depois revisto o quarto.

Inseriu o pen drive na entrada USB do gabinete e começou a transferir os arquivos.

Brian pôs Almasi de pé e o empurrou até o cofre.

— Abra.

— Minhas mãos.

— Você consegue.

Almasi ajoelhou e começou a girar o dial.

— Volto já — disse Dominic, e saiu da sala.

Almasi olhou para Brian.

— Pronto.

— Abra e recue.

Almasi obedeceu, deslizando para trás de joelhos. Brian se ajoelhou diante do cofre. Estava vazio, salvo por um único CD-ROM em um envelope. Ele estendeu a mão para pegar. Pelo canto dos olhos, percebeu as mãos amarradas de Almasi se movendo para a prateleira a seu lado. Virou-se, viu a pistola nas mãos dele, rolou e pegou a Browning enquanto tentava desviar. Ouviu um ruído seco. A sala ficou alaranjada. Da cintura, Brian disparou um tiro, atingindo Almasi no centro do esterno. O homem caiu de lado.

— Brian! — Dominic entrou pela porta, em duas passadas chutou a arma da mão de Almasi. Ajoelhou-se e verificou o pulso dele. — Esse já era.

— Ele apareceu com a pistola — arquejou Brian. — Tirei o olho de cima dele por um segundo. Porra.

— Epa, senta, Brian, senta.

— O quê?

— Você está sangrando.

— Hein?

Dominic o segurou até uma cadeira, agarrou sua mão direita e apertou acima da barriga. Brian sentiu o molhado, tirou a mão e olhou seus dedos.

— Porra, merda.

— Mantenha a pressão.

— Vamos ter companhia. Melhor verificar.

Dominic foi até a janela e afastou a cortina. Abaixo, luzes se acendiam nos chalés de adobe.

— Estão vindo. — Voltou-se para Brian, que tinha aberto a camisa. Havia um buraco da espessura de um dedo mindinho uns 15 centímetros abaixo do seu mamilo direito. Ele apertou a ponta dos dedos ao redor do ferimento e fez uma careta. O sangue espirrava dali.

— Costela quebrada? — perguntou Dominic da janela.

— Sim, acho que sim. Diminuiu o impacto. Ah, Jesus, dói para caramba. Merda, merda, merda! Pegue o CD que deixei cair, está bem? Estava no cofre.

Dominic pegou a mochila do chão, procurou lá dentro e tirou meia dúzia de absorventes. Entregou-os a Brian e voltou para a janela.

— Devíamos ter trazido curativos de verdade.

— Essas coisas são melhores, cara, realmente absorvem o sangue! — Abriu uma embalagem e a apertou contra o peito de Brian.

— Está vendo alguma coisa?

— As luzes estão acesas. Vão vir. Você consegue se mover?

— Sim.

— Vamos ver se faço eles se atrasarem um pouco.

Dominic pegou a pistola de Almasi — uma Beretta .32 Tomcat semiautomática — do chão.

— Que tipo de munição?

Dominic ejetou o pente e verificou.

— Ponta côncava.

— Hã. Ok. Mexa-se.

Dominic disparou pela porta, desceu as escadas e saiu. Acocorou-se ao lado das escadas, mirou no chalé mais perto e disparou três vezes pela janela. Gritos saíram lá de dentro. As luzes apagaram. Dominic correu de volta para a casa, trancou a porta. Virou à direita e foi até a janela do canto. Abriu e disparou quatro tiros no outro chalé, depois meteu mais cinco balas pela porta da frente. O pente da pistola soltou e abriu. Ele o jogou fora e correu de volta para cima. Brian estava de pé se apoiando na escrivaninha.

— Estou bem. O sangramento diminuiu. Você tem um plano?

— Sim. — Dominic pegou o CD-ROM do chão, enfiou na mochila, depois se inclinou sobre a mesa e arrancou o pen drive da entrada USB do computador. — O alpendre está bem abaixo de nós. Quando eles se movimentarem, você sai pela janela. Deita no telhado. Ao escutar a movimentação aqui dentro, desça para o chão e vá até o celeiro. Se achar que dá, siga até o carro. Eu encontro você no caminho. Passa sua arma.

— Dom...

— Cala a boca e passa sua arma. Consegue carregar a mochila? — Brian assentiu e Dominic a entregou a ele. — Você parece verde, cara. Tem certeza de que pode se movimentar?

— Temos escolha?

— Não.

— Observe a janela e vá narrando tudo para mim.

— Saquei.

Dominic colocou as duas Browning sobre a mesa e olhou em volta da sala. Agarrou a cadeira da mesa de Almasi e a empurrou para a porta, depois fez o mesmo com uma mesinha ao lado. Empurrou tudo pela porta, pelo corredor e até as escadas. Aquilo tudo rolou pelos degraus e se amontoou no fundo.

— Como está a situação?

— Nada ainda... Espera. Tem um saindo, dando a volta pelo oeste. Está com um AK.

Dominic foi até o primeiro quarto de hóspedes e agarrou uma mesa de cabeceira, um abajur e uma cadeira, e jogou tudo pelas escadas.

— O que você está fazendo, Dom?

— Improvisando uma barricada.

Repetiu o processo no quarto de hóspedes seguinte, e depois voltou para o escritório. Agarrou sua mochila e a colocou nas costas, depois pegou as Browning e tirou os silenciadores, que enfiou no cinto.

Na janela, Brian disse:

— Vá em frente, caubói. Os outros três acabaram de sair... Dois na direção do alpendre, outro pela porta da frente. O primeiro vem pelo lado leste agora. Ei, achei uma surpresa no armário. — Apontou para um canto, onde estava encostada uma carabina. — Mossberg 835, calibre 12. Seis cartuchos carregados.

Dominic foi até Brian e abriu suavemente a janela. Ajudou-o a sair e o segurou até ele ficar deitado sobre o telhado.

Dominic disse:

— Vou esperar até todos estarem na casa. Vou gritar pedindo mais munição. Quando ouvir isso, vá embora. De quanto tempo vai precisar?

— Dois minutos.

— Vou ficar logo atrás de você. Não podemos deixar que nos sigam.

Dominic fechou a janela. Deu a volta, agarrou a carabina e foi para o corredor. Da sala de estar do lado oeste veio o barulho de vidro quebrado. No saguão, alguém batia na porta. De novo e pela terceira vez. A lingueta estalou e abriu para dentro. Dominic armou a carabina, deitou de bruços e enfiou o cano 2 centímetros pelo balaústre. Escutou o som da perna de uma cadeira se arrastar na madeira vindo da sala de estar. Uma cabeça apareceu no canto, recuou, e depois voltou. Dominic ficou imóvel. Segurou a respiração. Não tem nada para ver aqui, babaca. As batidas na porta se tornaram mais insistentes e mais altas. O sujeito na sala de estar olhou pela última vez pelo canto, depois foi entrando, seu AK apontado e revistando o balcão. Deu a volta por uma das mesinhas de cabeceira e foi até a porta. Tirou a mão esquerda do rifle, procurando a maçaneta.

Dominic ajustou a carabina, apontou a mira para o peito do sujeito e disparou. O homem tropeçou para trás, bateu na porta e escorregou para o chão. Passos soaram pelo alpendre e sumiram. Momentos depois veio o ruído de vidro quebrado. Um abatido, sobram três. Um pensamento lhe veio à mente. Levantou, correu até o escritório e abriu a janela. Entregou uma das Browning a Brian.

— Caso eles decidam escalar. — Fechou a janela e voltou para o corredor.

No térreo, nada se movia. Um minuto completo transcorreu, e depois Dominic ouviu um sussurro à sua direita. A mão de alguém apareceu à esquerda e jogou alguma coisa para cima das escadas. Granada, pensou Dominic enquanto ela quicava no balcão. A forma lhe disse que não era de fragmentação, e sim de luz e barulho. Não queriam arriscar matar Almasi. Tarde demais, rapazes. Dominic tomou impulso e rolou para dentro do escritório, colocando as mãos sobre as orelhas e comprimindo os olhos. O estrondo ressoou. A luz branca disparou por suas pálpebras. Sentiu o assoalho tremer embaixo de si. Rolou para ficar de bruços e rastejou até a porta. À sua esquerda, uma pessoa subia as escadas rapidamente, disparando. Balas se alojavam na parede. O homem chegou ao alto da escada e parou, acocorando-se atrás da coluna do canto. Dominic sacou a Browning do cinto, mirou e disparou. A bala atravessou o joelho exposto do sujeito. Ele gritou e caiu pela escada. Dominic pegou novamente a carabina, levantou e se movimentou rapidamente pelo corredor. Disparou na direção de uma cabeça que apareceu na porta da sala de estar. Errei. Armou outro cartucho na câmara, girou à direita e atirou da cintura, atingindo bem no meio do corpo do sujeito que tropeçara. Ele aterrissou no saguão e permaneceu imóvel. Dominic girou à esquerda, se enfiou no primeiro quarto de hóspedes e caiu de barriga no chão.

— Estou quase sem munição! — gritou. — Me passe alguma!

Dominic verificou o relógio. Dois minutos. Fez um inventário. Quase dois pentes cheios para a Browning e três cartuchos ainda na carabina. Rolou para a esquerda, ficou de pé e olhou pelo canto. No saguão, nada se mexia. Deu um passo para fora, mantendo-se atrás da coluna do canto. Verificou mais uma vez, depois girou e disparou pelo corredor. Balas atingiram a parede atrás dele. Ele se agachou, cobriu os últimos 3 metros e se enfiou no quarto principal de Almasi.

— Cara, onde está a porra da munição! — gritou Dominic.

Contou até dez, saiu, disparou duas vezes para o saguão, depois fechou a porta do escritório antes de entrar de volta no quarto. Bateu a porta com força para que ouvissem. Quando eles subissem pelas escadas, teriam que investigar primeiro os quartos de hóspedes, depois o escritório, deixando o quarto de Almasi para o final. A questão era quanto tempo levariam para isso. Quanto tempo um deles voltaria para o fundo para bloquear a saída pelas janelas?

Ele fechou a porta e apertou o ouvido contra a madeira. Passou um minuto, depois dois. Ouviu móveis se arrastando nos ladrilhos do saguão. Então o ranger de degraus da escada; Dominic se arrastou até a janela, abriu-a e saiu para o telhado. Deixou-a aberta. Olhou em volta e não viu ninguém. Caminhou agachado pela borda. Era uma queda de 3 metros. Enfiou a carabina entre a mochila e o ombro, rolou de barriga e deixou as pernas e o torso ficarem pendurados. Soltou-se. Logo que os pés atingiram o chão, dobrou os joelhos e rolou. Levantou e correu para dar a volta na casa pelo lado leste, em seguida subiu no alpendre e achou a janela quebrada. Deslizou para dentro e se arrastou pela sala de estar até o saguão. No balcão, apenas uma figura era visível. Estava de pé, de costas para Dominic, no batente do segundo quarto de hóspedes. Dominic levantou, abriu caminho pelo amontoado de móveis até o centro do saguão. Sacou a Browning, apontou e acertou o homem atrás da cabeça. Enquanto ele caía, Dominic já abria espaço e se abrigava embaixo da escada. Guardou a Browning e preparou a carabina.

Passadas soaram no balcão, e depois pararam. Elas voltaram, dessa vez se movendo com cuidado. Um barulho de madeira quebrando indicou uma porta se abrindo. Escritório, pensou Dominic. Trinta segundos transcorreram. Os passos saíram do escritório, então pausaram. A porta do quarto principal foi aberta com um chute.

Veja a janela, babacão...

Mais trinta segundos se passaram.

— Yebnen kelp! — gritou uma voz.

O árabe de Dominic era medíocre, mas o tom lhe informou que a frase era um palavrão, algo parecido com merda ou filho da puta.

As passadas soaram pelo corredor, depois descendo as escadas, até o saguão ladrilhado. Ele ouviu o barulho de uma fechadura sendo aberta. Dominic deu dois passos agachado, levantou a carabina e disparou no sujeito, alcançando as pernas por trás. O impacto o jogou contra a porta. Seu AK quicou nos ladrilhos enquanto ele caía de lado. Dominic se levantou e se livrou da carabina. Sacou a Browning e caminhou até o sujeito, que se contorcia e gemia no chão. O homem viu Dominic e levantou as mãos, clamando:

— Por favor...

— Tarde demais para isso.

E disparou na testa dele.

 

Encontrou Brian sentado no chão atrás do celeiro, as costas apoiadas na ladeira. Ele viu Dominic e ergueu a mão em um cumprimento.

— Acabou com eles?

— Até o último. Como você está?

Brian sacudiu hesitante a cabeça. Seu rosto estava cinzento e brilhando de suor.

— Tenho que fazer uma confissão.

— O quê?

— A bala não pegou as costelas, passou direto por elas. Está no meu fígado, Dom.

— Jesus, tem certeza? — Aproximou-se para abrir a camisa de Brian, mas o irmão o afastou.

— O sangue está bem escuro, quase preto. A bala de ponta côncava provavelmente destroçou meu fígado. Mal consigo sentir minhas pernas, também.

— Vou levar você para o hospital.

— Não. Perguntas demais.

— Foda-se. Zuwarah está a 15 quilômetros daqui.

Dominic ajoelhou, agarrou o braço de Brian do outro lado e o colocou sobre o ombro. Firmou o pé e levantou.

— Tudo bem?

— Sim — resmungou Brian.

A difícil caminhada subindo a colina levou dez minutos, depois mais dez para Dominic descobrir o caminho na pendente oposta. Quando alcançou a pedreira, começou a correr em direção ao Opel.

— Você ainda está comigo? — perguntou Dominic.

— Ã-hã.

Alcançou o Opel, ajoelhou e abaixou Brian até o chão.

— O que aconteceu? — perguntou Bari do assento de trás.

— Levou um tiro. Existe um hospital em Zuwarah?

— Sim.

Dominic abriu a porta traseira e usou o canivete para cortar a fita e libertar Bari. Juntos, os dois colocaram Brian no banco de trás.

— Você sabe onde é? — perguntou Dominic a Bari, que assentiu. — Então vá dirigindo. Entre pelo caminho errado e disparo em você, compreendeu?

— Sim.

Bari foi para o assento do motorista e ligou o motor. Dominic deu a volta no carro e entrou no banco de trás com Brian.

— Vamos, vamos!