Morto ou Vivo

Tom Clancy · Capítulo 72 de 92

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Morto ou Vivo

Capítulo 72

 

— Mensagem de texto da nossa garota russa — disse Tariq, entrando na sala de estar. O Emir estava de pé na janela, olhando o deserto. Voltou-se.

— Boas notícias, acredito.

— Saberei em sessenta segundos.

Tariq ligou o laptop, abriu o navegador, e foi até um site chamado storespot.com, um dentre as dúzias de sites de armazenamento de arquivos na internet. Para abrir uma conta eram necessários apenas um nome de usuário, uma senha e um endereço de e-mail, e para isso existiam sites que ofereciam endereços de e-mail descartáveis e “autodestrutivos”.

Tariq fez o login na conta, clicou em três links, e se viu na área de upload e download do site. Havia um documento esperando, um simples arquivo de texto. Segundo a anotação, o arquivo tinha subido 12 minutos atrás. Tariq o abriu, copiou o conteúdo em sua área de transferência e logo apagou o arquivo da conta. Então abriu o arquivo de texto original do laptop e colou o conteúdo em novo arquivo. Levou dois minutos examinando o que continha.

— Está tudo aqui. Tudo que precisamos.

— Qual entrada?

— A do sul.

O Emir sorriu. Alá estava com eles. Das duas, a entrada sul da instalação tinha menos atividade que a do norte, a entrada principal. Isso significava menos pessoal de segurança.

— Exatamente por onde?

— O terceiro nível de deslocamento, 500 metros adentro e 300 metros abaixo da superfície. Segundo Jenkins, essa é a área que mais preocupa o departamento de engenharia. Na próxima semana terão uma reunião com o Departamento de Energia e com a Comissão de Regulamentação Nuclear para discutir sobre aterrar e selar todo esse nível antes de começar a receber carregamentos.

Havia, entretanto, um empecilho para usar a entrada sul, sabia o Emir. Minutos depois de o caminhão ingressar na estrada de serviço vindo da rodovia 95, sensores e câmeras provavelmente registrariam a passagem e alertariam o centro de monitoramento na entrada principal. Como a equipe reagiria quando percebesse que o caminhão se dirigia para a entrada sul? Era improvável que um alarme fosse imediatamente disparado; afinal, era apenas um carregamento de ensaio, e o primeiro do tipo. O mais provável era que a equipe assumisse que o motorista tivesse errado o caminho. Telefonemas seriam dados, talvez enviassem um veículo para a entrada sul para redirecionar o caminhão desviado. Musa e seus homens cuidariam disso.

Entre todos os estudos de viabilidade que o CRO fizera nos estágios iniciais do Lótus, a questão mais perturbadora e nebulosa envolvia a segurança local da instalação, um ponto sobre o qual nem o DOE nem a Comissão de Regulamentação Nuclear tinham abordado publicamente, seja devido a preocupações de segurança, seja por decisões internas. Enquanto o planejamento para o Lótus progredia, ficava cada vez mais claro para o Emir que teriam de presumir a pior das possibilidades, o que, no caso de instalações nucleares, envolvia a presença de forças de proteção da NNSA — Administração Nacional de Segurança Nuclear —, uma força paramilitar bem-treinada e bem-equipada sob controle do DOE.

Tal como acontecera com muitas facetas do governo e da sociedade americana, o 11 de Setembro colocou em foco a necessidade de controles de materiais mais robustos e, para seu crédito, o DOE não poupou gastos para alcançar esse objetivo. As forças de proteção da NNSA eram treinadas com táticas de pequenas unidades antiterroristas e equipadas com veículos blindados e armas de grosso calibre, incluindo lança-granadas, munição de perfuração de blindagem e, em lugares selecionados, sistemas de fuzis e canhões automáticos Gatling M134D.

Nada nas informações de inteligência do CRO sugeria que a NNSA trabalharia na instalação com tanta antecedência, mas o Emir fora bem claro com Musa: Presuma que vai encontrar resistência pesada. Presuma que possui apenas alguns minutos para cumprir sua missão.

— E como estamos com os demais elementos? — perguntou o Emir a Tariq. — O caminhão?

— Deixou a usina esta tarde. O tempo de trânsito é de quatro dias. Ibrahim e sua equipe estão no terreno. A menos que mandemos o sinal de abortar, já devem estar se movimentando em — Tariq verificou seu relógio — três horas. O navio ainda está a dois dias de distância. Na situação atual, a embarcação provavelmente deverá ancorar uma noite ao largo antes de poder atracar.

— Bom. E os homens do Sr. Nayoan?

— No local e prontos. Não se movimentarão até o senhor dar a ordem. Precisam de 24 horas de antecedência. — O Emir assentiu, e Tariq perguntou: — O que quer fazer com a garota?

— Deixe-a ir. Ela não sabe nada sobre nós, e Beketov está morto. A ligação entre nós e o pessoal dela não existe mais. Mesmo se for pega, as únicas pistas que poderá dar não levarão a nada ou levarão aonde queremos. Ela mereceu o dinheiro.

— Ela sabe sobre a instalação.

— E daí? Foi contratada por um grupo ambientalista marginal para levantar informações que prejudicassem a instalação. Isso é tudo. É uma mercenária, Tariq. Vai pegar o dinheiro e se mandar.

Tariq considerou o assunto e assentiu.

— Muito bem.

— Um último detalhe: eu me unirei a Musa em sua missão.

— Desculpe?

— Vou gravar uma mensagem antes de ir. Quando tivermos sucesso, você fará com que chegue às mãos certas. — Tariq abriu a boca para falar, mas o Emir o impediu. — Velho amigo, você sabe que isso é necessário. Minha morte, e o que faremos lá, alimentará nossa guerra pelas próximas gerações.

— Quando decidiu isso?

— Planejei desde o começo. Por que outra razão viríamos para cá, para este lugar perdido no mundo?

— Deixe que eu me una a vocês.

O Emir balançou a cabeça.

— Ainda não é o seu momento. Precisa confiar em mim sobre isso. Prometa que fará o que peço.

Tariq assentiu.