Fundamentos de Física, Volume 2: Gravitação, Ondas e Termodinâmica
Alguns Exemplos de Equilíbrio Estático
Teste 2
A figura mostra uma vista de cima de uma barra homogênea em
equilíbrio estático. (a) É possível determinar o módulo das forças
desconhecidas e equilibrando as forças? (b) Se você está 1 2
interessado em determinar o módulo da força usando uma equação de 2
equilíbrio de torques, onde você deve colocar o eixo de rotação para
eliminar da equação? (c) Se o módulo de é 65 N, qual é o módulo 2 2
de ? 1
Exemplo 12.01 Equilíbrio de uma viga
horizontal
Na Fig. 12-5a, uma viga homogênea, de comprimento L e massa m =
1,8 kg, está apoiada em duas balanças. Um bloco homogêneo, de massa
M = 2,7 kg, está apoiado na viga, com o centro a uma distância L/4 da
extremidade esquerda da viga. Quais são as leituras das balanças?
IDEIAS-CHAVE
A melhor tática para resolver qualquer problema de equilíbrio estático
consiste em, antes de mais nada, definir claramente o sistema a ser
analisado e a desenhar um diagrama de corpo livre no qual apareçam
todas as forças externas que agem sobre o sistema. Neste caso, vamos
escolher o sistema como a viga e o bloco tomados em conjunto. As
forças que agem sobre o sistema são mostradas no diagrama de corpo
livre da Fig. 12-5b. (Escolher o sistema exige experiência, e
frequentemente existe mais de uma escolha adequada.) Como o sistema
está em equilíbrio estático, podemos usar as equações de equilíbrio de
forças (Eqs. 12-7 e 12-8) e a equação de equilíbrio de torques (Eq. 12-
9).
Cálculos: As forças normais exercidas pelas balanças sobre a viga
são do lado esquerdo e do lado direito. As leituras das balanças que
desejamos determinar são iguais aos módulos dessas forças. A força
gravitacional a que a viga está submetida está aplicada ao centro de
massa e é igual a . Analogamente, a força gravitacional a que o
bloco está submetido está aplicada ao centro de massa e é igual a .
Para simplificar a Fig. 12-5b, o bloco foi representado por um ponto da
viga e foi desenhada com a origem na viga. (Esse deslocamento do
vetor ao longo da linha de ação não altera o torque produzido por
em relação a qualquer eixo perpendicular à figura.)
Como as forças não possuem componentes x, a Eq. 12-7 (F = 0) res,x
não fornece nenhuma informação. No caso das componentes y, a Eq. 12-
8 (F = 0) pode ser escrita na forma res,y
Como a Eq. (12-18) contém duas incógnitas, as forças F e F , e d
precisamos usar também a Eq. 12-9, a equação de equilíbrio dos
torques. Podemos aplicá-la a qualquer eixo de rotação perpendicular ao
plano da Fig. 12-5. Vamos escolher um eixo de rotação passando pela
extremidade esquerda da viga. Usaremos também nossa regra geral para
atribuir sinais aos torques: Se um torque tende a fazer um corpo
inicialmente em repouso girar no sentido horário, o torque é negativo; se
o torque tende a fazer o corpo girar no sentido anti-horário, o torque é
positivo. Finalmente, vamos escrever os torques na forma r F, em que o ⊥
braço de alavanca r é 0 para , L/4 para M , L/2 para m e L para . ⊥
Podemos agora escrever a equação do equilíbrio (τ = 0) como res,z
(0)(F ) – (L/4)(Mg) – (L/2)(mg) + (L)(F ) = 0, e d
o que nos dá
Explicitando F na Eq. 12-18 e substituindo os valores conhecidos, e
obtemos
Figura 12-5 (a) Uma viga de massa m sustenta um bloco de massa M. (b)
Diagrama de corpo livre, mostrando as forças que agem sobre o sistema
viga + bloco.
Observe a estratégia usada na solução: Quando escrevemos uma
equação para o equilíbrio das componentes das forças, esbarramos em
duas incógnitas. Se tivéssemos escrito uma equação para o equilíbrio de
torques em torno de um eixo qualquer, teríamos esbarrado nas mesmas
duas incógnitas. Entretanto, como escolhemos um eixo que passava pelo
ponto de aplicação de uma das forças desconhecidas, , a dificuldade
foi contornada. Nossa escolha eliminou da equação do torque,
permitindo que obtivéssemos o módulo da outra força, F . Em seguida, d
voltamos à equação do equilíbrio de forças para calcular o módulo da
outra força.
Exemplo 12.02 Equilíbrio de uma lança de
guindaste
A Fig. 12-6a mostra um cofre, de massa M = 430 kg, pendurado por
uma corda presa a uma lança de guindaste de dimensões a = 1,9 m e b =
2,5 m. A lança é composta por uma viga articulada e um cabo
horizontal. A viga, feita de material homogêneo, tem massa m de 85 kg;
as massas do cabo e da corda são desprezíveis. (a) Qual é a tração Tcabo
do cabo? Em outras palavras, qual é o módulo da força exercida
pelo cabo sobre a viga?
IDEIAS-CHAVE
O sistema neste caso é apenas a viga; forças a que a viga está submetida
são mostradas no diagrama de corpo livre da Fig. 12-6b. A força
exercida pelo cabo é . A força gravitacional que age sobre a viga
está aplicada ao centro de massa (situado no centro da viga) e foi
representada pela força equivalente m . A componente vertical da força
que a dobradiça exerce sobre a viga é e a componente horizontal é .
A força exercida pela corda que sustenta o cofre é . Como a viga, a
corda e o cofre estão em repouso, o módulo de é igual ao peso do
cofre: T = Mg. Posicionamos a origem O de um sistema de corda
coordenadas xy na dobradiça. Como o sistema está em equilíbrio
estático, as equações de equilíbrio podem ser usadas.
Cálculos: Vamos começar pela Eq. 12-9 (τ = 0). Note que o res,z
enunciado pede o módulo da força , mas não os módulos das forças
e que agem sobre a dobradiça no ponto O. Para eliminar e do
cálculo do torque, basta determinar os torques em relação a um eixo
perpendicular ao papel passando pelo ponto O. Nesse caso, e têm
braços de alavanca nulos. As linhas de ação de , e m estão
indicadas por retas tracejadas na Fig. 12-6b. Os braços de alavanca
correspondentes são a, b e b/2.
Escrevendo os torques na forma r F e usando nossa regra para os ⊥
sinais dos torques, a equação de equilíbrio τ = 0 se torna res,z
Substituindo T por Mg e explicitando T , obtemos corda cabo
(b) Determine o módulo F da força exercida pela dobradiça sobre a viga.
IDEIA-CHAVE
Agora precisamos conhecer F e F para combiná-las e calcular F. Como h v
já conhecemos T , vamos aplicar à viga as equações de equilíbrio de cabo
forças.
Cálculos: No caso do equilíbrio na horizontal, escrevemos F = 0 res,x
como
e, portanto, F = T = 6093 N. h cabo
Figura 12-6 (a) Um cofre está pendurado em uma lança de guindaste composta por uma viga
homogênea e um cabo de aço horizontal. (b) Diagrama de corpo livre da viga.
No caso do equilíbrio na vertical, escrevemos F = 0 como res,y
F – mg – T = 0. v corda
Substituindo T por Mg e explicitando F , obtemos corda v
F = (m + M)g = (85 kg + 430 kg)(9,8 m/s2) v
= 5047 N.
De acordo com o teorema de Pitágoras, temos:
Note que F é bem maior que a soma dos pesos do cofre e da viga, 5000
N, e que a tração do cabo horizontal, 6100 N.
Exemplo 12.03 Equilíbrio de uma escada
Na Fig. 12-7a, uma escada de comprimento L = 12 m e massa m = 45 kg
está encostada em um muro liso (sem atrito). A extremidade superior da
escada está a uma altura h = 9,3 m acima do piso no qual a escada está
apoiada (existe atrito entre a escada e o piso). O centro de massa da
escada está a uma distância L/3 da extremidade inferior. Um bombeiro,
de massa M = 72 kg, sobe na escada até que seu centro de massa esteja a
uma distância L/2 da extremidade inferior. Quais são, nesse instante, os
módulos das forças exercidas pelo muro e pelo piso sobre a escada?
IDEIAS-CHAVE
Para começar, escolhemos nosso sistema como o conjunto bombeiro-
escada e desenhamos o diagrama de corpo livre da Fig. 12-7b. Como o
sistema está em equilíbrio estático, as equações de equilíbrio de forças e
de torques (Eqs. 12-7 a 12-9) podem ser usadas.
Cálculos: Na Fig. 12-7b, o bombeiro está representado por um
ponto no meio da escada. O peso do bombeiro é representado pelo vetor
equivalente M que foi deslocado ao longo da linha de ação para que a
origem coincidisse com o ponto que representa o bombeiro. (Como o
deslocamento não altera o torque produzido por M em relação a eixos
perpendiculares à figura, não afeta a equação de equilíbrio dos torques
que será usada a seguir.)
Como não há atrito entre a escada e o muro, a única força exercida
pelo muro sobre a escada é a força horizontal . A força exercida
pelo piso sobre a escada tem uma componente horizontal , que é uma
força de atrito estática, e uma componente vertical , que é uma força
normal.
Para aplicarmos as equações de equilíbrio, vamos começar com a Eq.
12-9 (τ = 0). Para escolher o eixo em relação ao qual vamos calcular res,z
os torques, note que temos forças desconhecidas ( e ) nas duas
extremidades da escada. Para eliminar, digamos, dos cálculos,
colocamos o eixo no ponto O, perpendicular ao papel (Fig. 12-7b).
Colocamos também a origem de um sistema de coordenadas xy em O.
Uma escolha criteriosa da origem do sistema de coordenadas pode
facilitar consideravelmente o cálculo dos torques. Podemos calcular os
torques em relação a O usando qualquer uma das Eqs. 10-39 a 10-41,
mas a Eq. 10-41 (τ = r F) é a mais fácil de usar neste caso. ⊥
Para determinar o braço de alavanca r de , desenhamos a linha de ⊥
ação do vetor (reta horizontal tracejada da Fig. 12-7c); r é a distância ⊥
perpendicular entre O e a linha de ação. Na Fig. 12-7c, r está no eixo y ⊥
e é igual à altura h. Também desenhamos linhas de ação para M e m e
constatamos que os braços de alavanca das duas forças estão no eixo x.
Para a distância a mostrada na Fig. 12-7a, os braços de alavanca são a/2
(o bombeiro está no ponto médio da escada) e a/3 (o CM da escada está
a um terço do comprimento a partir da extremidade inferior),
respectivamente. Os braços de alavanca de e são nulos porque a
origem está situada no ponto de aplicação das duas forças.
Com os torques escritos na forma r F, a equação de equilíbrio τ = ⊥ res,z
0 assume a forma
(Lembre-se da nossa regra: um torque positivo corresponde a uma
rotação no sentido anti-horário, e um torque negativo corresponde a uma
rotação no sentido horário.)
Aplicando o teorema de Pitágoras ao triângulo retângulo formado
pela escada, o muro e o piso na Fig. 11-7a, obtemos:
Assim, a Eq. 12-21 nos dá
Figura 12-7 (a) Um bombeiro sobe metade de uma escada que está
encostada em uma parede sem atrito. O piso no qual a escada está
apoiada tem atrito. (b) Diagrama de corpo livre, mostrando as forças que
agem sobre o sistema bombeiro + escada. A origem O de um sistema de
coordenadas é colocada no ponto de aplicação da força desconhecida
(cujas componentes e aparecem na figura). (c) Cálculo dos
torques. (d) Equilíbrio das forças.
Para determinar a força exercida pelo piso, usamos as equações de
equilíbrio de forças. A equação F = 0 nos dá res,x
F – F = 0, m px
e, portanto, F = F = 410 N. px m
(Resposta)
A equação F = 0 nos dá res,y
F – Mg – mg = 0, py
e, portanto, F = (M + m)g = (72 kg + 45 kg)(9,8 m/s2) py
= 1146,6 N ≥ 1100 N. (Resposta)
Exemplo 12.04 Equilíbrio da Torre de Pisa
Suponha que a Torre de Pisa seja modelada por um cilindro oco,
homogêneo, de raio R = 9,8 m e altura h = 60 m. O centro de massa está
situado no eixo central do cilindro, a uma distância h/2 das
extremidades. Na Fig. 12-8a, o cilindro está na vertical. Na Fig. 12-8b, o
cilindro está inclinado para a direita (na direção da parede sul da torre),
fazendo um ângulo θ = 5,5o com a vertical, o que desloca o centro de
massa de uma distância horizontal d. Vamos supor que o solo exerce
apenas duas forças sobre a torre. Uma força normal age sobre a
parede da esquerda (norte) e uma força normal age sobre a parede
da direita (sul). Qual é o aumento percentual de F por causa da ND
inclinação da torre?
IDEIA-CHAVE
Como a torre ainda está de pé, ela continua em equilíbrio estático e,
portanto, a soma dos torques em relação a qualquer ponto é zero.
Cálculos: Como estamos interessados em calcular F , a força ND
normal do solo do lado direito, e não conhecemos (nem estamos
interessados em conhecer) F , a força normal do solo do lado esquerdo, NE
usamos o ponto de apoio da torre do lado esquerdo como referência para
calcular os torques. As forças que agiam sobre a torre quando ela estava
na posição vertical estão representadas na Fig. 12-8c. A força
gravitacional m :, que podemos supor que esteja aplicada ao centro de
massa, tem uma linha de ação vertical e um braço de alavanca R (a
distância perpendicular entre o ponto de referência e a linha de ação).
Como o torque associado a essa força tende a produzir uma rotação em
torno do ponto de referência no sentido horário, o sinal do torque é
negativo. A linha de ação da força normal também é vertical, e o
braço de alavanca em relação ao ponto de referência é 2R. Uma vez que
o torque associado a essa força tende a produzir uma rotação em torno
do ponto de referência no sentido anti-horário, o sinal do torque é
positivo. Assim, a equação de equilíbrio dos torques (τ = 0) é res,z
–(R)(mg) + (2R)(F ) = 0, NR
o que nos dá
Esse resultado era previsível. Com o centro de massa no eixo central
(reta de simetria do cilindro), o lado direito sustenta metade do peso do
cilindro.
Na Fig. 12-8b, o centro de massa foi deslocado de uma distância
A únicas mudanças na equação de equilíbrio dos torques são que, agora,
o braço de alavanca da força gravitacional é R + d e a força normal do
lado direito tem um novo valor, F′ (Fig. 12-8d). Assim, temos: ND
–(R + d)(mg) + (2R)(F′ ) = 0, ND
o que nos dá
Dividindo o valor da força normal com a torre inclinada pelo valor da
força normal com a torre na vertical e substituindo d por seu valor em
termos de h e θ, temos: