Fundamentos de Física, Volume 2: Gravitação, Ondas e Termodinâmica
Gravitação e o Princípio da Superposição
Gravitação e o Princípio da Superposição Dado um grupo de partículas, podemos determinar a força gravitacional, a que uma das partículas está submetida devido à presença das outras, usando o princípio da superposição. Trata-se de um princípio segundo o qual, em muitas circunstâncias, um efeito total pode ser calculado somando efeitos parciais. No caso da gravitação, esse princípio pode ser aplicado, o que significa que podemos calcular a força total a que uma partícula está submetida somando vetorialmente as forças que todas as outras partículas exercem sobre ela.
Vamos chamar a atenção para dois pontos importantes da última
sentença, que talvez tenham passado despercebidos. (1) Uma vez que as forças são vetores e podem estar sendo aplicadas em diferentes direções, elas devem ser somadas vetorialmente. (Se duas pessoas puxam você em direções opostas, a força total que elas exercem é obviamente diferente da força a que você seria submetido se elas estivessem puxando você na mesma direção.) (2) As forças exercidas pelas diferentes partículas podem ser somadas. Imagine como seria difícil calcular a força resultante se ela dependesse de um fator multiplicativo que variasse de força para força, ou se a presença de uma força afetasse de alguma forma a intensidade das outras forças. Felizmente, o cálculo da força resultante envolve apenas uma soma vetorial das forças envolvidas.
No caso de n partículas, a aplicação do princípio da superposição às
forças gravitacionais que agem sobre a partícula 1 permite escrever
Aqui, é a força resultante a que está submetida a partícula 1 e, por 1,res
exemplo, é a força exercida pela partícula 3 sobre a partícula 1. 13
Podemos expressar a Eq. 13-4 de forma mais compacta por meio de um somatório:
Objetos Reais. O que dizer da força gravitacional que um objeto real (de
dimensões finitas) exerce sobre uma partícula? Essa força pode ser calculada dividindo o objeto em partes suficientemente pequenas para serem tratadas como partículas e usando a Eq. 13-5 para calcular a soma vetorial das forças exercidas pelas partes sobre a partícula. No caso-limite, podemos dividir o objeto de dimensões finitas em partes infinitesimais de massa dm; cada uma delas exerce uma força infinitesimal d : sobre a partícula. Nesse limite, o somatório da Eq. 13-5 se torna uma integral e temos
em que a integração é realizada para todo o objeto e omitimos o índice “res”. Se o objeto é uma casca esférica homogênea, podemos evitar a integração da Eq. 13-6 supondo que toda a massa está no centro do objeto e usando a Eq. 13-1.
Teste 2
A figura mostra quatro arranjos de partículas de mesma massa. (a)
Ordene os arranjos de acordo com o módulo da força gravitacional a
que está submetida a partícula m, começando pelo maior. (b) No
arranjo 2, a direção da força resultante está mais próxima da reta de
comprimento d ou da reta de comprimento D?
Exemplo 13.01 Força gravitacional
resultante para três partículas no mesmo plano
A Fig. 13-4a mostra um arranjo de três partículas: a partícula 1, de
massa m = 6,0 kg, e as partículas 2 e 3, de massa m = m = 4,0 kg; a = 1 2 3
2,0 cm. Qual é a força gravitacional resultante que as outras 1,res
partículas exercem sobre a partícula 1?
IDEIAS-CHAVE
(1) O módulo da força gravitacional que cada uma das outras
partículas exerce sobre a partícula 1 é dado pela Eq. 13-1 (F =
Gm m /r2). (2) A direção da força gravitacional é a da reta que liga 1 2
cada partícula à partícula 1. (3) Como as forças não são colineares, não
podemos simplesmente somar ou subtrair o módulo das forças para
obter a força total, mas devemos usar uma soma vetorial.
Cálculos: De acordo com a Eq. 13-1, o módulo da força que a 12
partícula 2 exerce sobre a partícula 1 é dado por
Analogamente, o módulo da força que a partícula 3 exerce sobre a 13
partícula 1 é dado por
A força aponta no sentido positivo do eixo y (Fig. 13-4b) e possui 12
apenas a componente y, F ; a força aponta no sentido negativo do 12 13
eixo x e possui apenas a componente x, –F (Fig. 13-4c). (Note algo 13
importante: Desenhamos os diagramas de corpo livre com a origem
dos vetores na partícula que está sendo representada. Desenhar os
vetores em outras posições pode ser um convite para cometer erros,
especialmente em provas finais.)
Para determinar a força resultante a que está submetida a 1,res
partícula 1, devemos calcular a soma vetorial das duas forças (Figs.
13-4d e 13-4e). Isso poderia ser feito usando uma calculadora.
Acontece, porém, que –F e F podem ser vistas como as 13 12
componentes x e y de ; portanto, podemos usar a Eq. 3-6 para 1,res
determinar o módulo e a orientação de . O módulo é 1,res
A Eq. 3-6 nos dá a orientação de em relação ao semieixo positivo 1,res
como
Esse resultado (Fig. 13-4f) é razoável? Não, já que a orientação de 1,res
deve estar entre as orientações de e . Como vimos no Capítulo 3, 12 13
as calculadoras mostram apenas um dos dois valores possíveis da
função tan–1. Para obter o outro valor, somamos 180o:
que é (Fig. 13-4g) uma orientação razoável de . 1,res