Fundamentos de Física, Volume 2: Gravitação, Ondas e Termodinâmica
A Lei da Força para o Movimento Harmônico Simples
No MHS, a aceleração a é proporcional ao deslocamento x, tem o
sentido contrário e as duas grandezas estão relacionadas pelo quadrado
da frequência angular ω.
Teste 2
Qual das seguintes relações entre a aceleração a de uma partícula e sua
posição x indica um movimento harmônico simples: (a) a = 3x2, (b) a =
5x, (c) a = –4x, (d) a = –2/x2? Qual é a frequência angular
correspondente? (Suponha que o valor obtido esteja em rad/s.)
Figura 15-7 Um oscilador harmônico linear simples. Não há atrito com a superfície. Como a
partícula da Fig. 15-2, o bloco executa um movimento harmônico simples quando é puxado ou empurrado a partir da posição x = 0 e depois liberado. O deslocamento é dado pela Eq. 15-3.
A Lei da Força para o Movimento Harmônico
Simples
Uma vez conhecida a relação entre a aceleração e o deslocamento no MHS (Eq. 15-8), podemos usar a segunda lei de Newton para determinar qual é a força que deve agir sobre a partícula para que ela adquira essa aceleração:
O sinal negativo indica que a força deve ter o sentido oposto ao do deslocamento da partícula. Isso significa que, no MHS, a força é uma força restauradora, no sentido de que se opõe ao deslocamento, tentando fazer com que a partícula volte à posição central x = 0. Já vimos a força geral da Eq. 15-9 no Capítulo 8, quando discutimos um sistema bloco-mola como o
da Fig. 15-7 e usamos a lei de Hooke,
para descrever a força que age sobre o bloco. Comparando as Eqs. 15-9 e 15-10, podemos relacionar a constante elástica k (uma medida da rigidez da mola) à massa do bloco e à frequência do MHS resultante:
A Eq. 15-10 é outra forma de escrever a equação característica do MHS.
Movimento harmônico simples é o movimento executado por uma
partícula sujeita a uma força de módulo proporcional ao deslocamento
da partícula e orientada no sentido oposto.
O sistema bloco-mola da Fig. 15-7 constitui um oscilador harmônico linear simples (ou, simplesmente, oscilador linear); o termo linear indica que F é proporcional a x e não a outra potência de x.
Se você deparar com uma situação em que um objeto está oscilando sob a
ação de uma força que é proporcional ao deslocamento e tem o sentido oposto, pode ter certeza de que se trata de um movimento harmônico simples e que a constante de proporcionalidade entre a força e o deslocamento é análoga à constante elástica k da lei de Hooke. Se a massa do objeto é conhecida, é possível calcular a frequência angular do movimento explicitando ω na Eq. 15-11:
(Em geral, o valor de ω é mais importante que o valor de k.) Além disso, é possível determinar o período do movimento combinando as Eqs. 15-5 e 15-12:
Vamos interpretar fisicamente as Eqs. 15-12 e 15-13. Não é fácil observar
que uma mola “dura” (com um valor elevado de k) tende a produzir oscilações com um valor elevado de ω (oscilações rápidas) e um valor pequeno do período T (ciclos curtos)? Também não é fácil observar que um objeto “pesado” (com um valor elevado de m) tende a produzir um valor pequeno de ω (oscilações lentas) e um valor elevado do período T (ciclos longos)?
Todo sistema oscilatório, seja ele um trampolim ou uma corda de violino,
possui uma “elasticidade” e uma “inércia” e, portanto, se parece com um
oscilador linear. No oscilador linear da Fig. 15-7, esses elementos estão concentrados em partes diferentes do sistema: A elasticidade está inteiramente na mola, cuja massa desprezamos, e a inércia está inteiramente no bloco, cuja elasticidade é ignorada. Em uma corda de um instrumento musical, por outro lado, os dois elementos estão presentes na corda, como
vamos ver no Capítulo 16.
Teste 3
Qual das seguintes relações entre a força F, que age sobre uma
partícula, e a posição x da partícula resulta em um movimento
harmônico simples: (a) F = –5x, (b) F = –400x2, (c) F = 10x ou (d) F =
3x2?
Exemplo 15.01 MHS de um sistema bloco-
mola: amplitude, aceleração, constante de fase
Um bloco cuja massa m é 680 g está preso a uma mola cuja constante
elástica k é 65 N/m. O bloco é puxado em uma superfície sem atrito
por uma distância x = 11 cm a partir da posição de equilíbrio em x = 0
e liberado sem velocidade inicial no instante t = 0.
(a) Determine a frequência angular, a frequência e o período do
movimento.
IDEIA-CHAVE
O sistema bloco-mola é um oscilador harmônico linear simples em que
o bloco executa um MHS.
Cálculos: A frequência angular é dada pela Eq. 15-12:
De acordo com a Eq. 15-5, a frequência é
De acordo com a Eq. 15-2, o período é
(b) Determine a amplitude das oscilações.
IDEIA-CHAVE
Na ausência de atrito, a energia mecânica do sistema bloco-mola é
conservada.
Raciocínio: O bloco é liberado a 11 cm de distância da posição de
equilíbrio, com energia cinética nula e o máximo de energia potencial
elástica. Isso significa que o bloco terá energia cinética nula sempre
que estiver novamente a 11 cm de distância da posição de equilíbrio,
ou seja, jamais se afastará mais que 11 cm da posição de equilíbrio.
Assim, a amplitude das oscilações é 11 cm:
(c) Determine a velocidade máxima v do bloco e o local em que se m
encontra o bloco quando tem essa velocidade.
IDEIA-CHAVE
A velocidade máxima v é a amplitude da velocidade ωx na Eq. 15-6. m m
Cálculo: Temos
A velocidade é máxima quando o bloco está passando pela origem;
observe as Figs. 15-6a e 15-6b, onde se pode constatar que a
velocidade é máxima em x = 0.
(d) Determine o módulo a da aceleração máxima do bloco. m
IDEIA-CHAVE
O módulo a da aceleração máxima é a amplitude da aceleração ω2x mm
na Eq. 15-7.
Cálculo: Temos
A aceleração é máxima quando o bloco está nos pontos extremos do
percurso. Nesses pontos, a força que age sobre o bloco possui o
módulo máximo; observe as Figs. 15-6a e 15-6c, onde se pode
constatar que o módulo do deslocamento e o módulo da aceleração
passam pelo máximo nos mesmos instantes, nos quais a velocidade é
zero, como se pode ver na Fig. 15-6b.
(e) Determine a constante de fase ϕ do movimento.
Cálculo: A Eq. 15-3 fornece o deslocamento do bloco em função
do tempo. Sabemos que o bloco está em x = x no instante t = 0. m
Substituindo essas condições iniciais, como são chamadas, na Eq. 15-3
e cancelando x , obtemos m
Tomando o inverso da função cosseno, obtemos
(Qualquer ângulo que seja múltiplo inteiro de 2π rad também satisfaz a
Eq. 15-14; escolhemos o menor ângulo.)
(f) Determine a função deslocamento x(t) do sistema bloco-mola.
Cálculo: A forma geral da função x(t) é dada pela Eq. 15-3.
Substituindo as grandezas conhecidas, obtemos
em que x está em metros e t em segundos.
Exemplo 15.02 Cálculo da constante de fase
do MHS a partir do deslocamento e da
velocidade
Em t = 0, o deslocamento x(0) do bloco de um oscilador linear como o
da Fig. 15-7 é –8,50 cm. [Leia x(0) como “x no instante zero”.] A
velocidade v(0) do bloco nesse instante é –0,920 m/s e a aceleração
a(0) é +47,0 m/s2.
(a) Determine a frequência angular ω do sistema.
IDEIA-CHAVE
Se o bloco está executando um MHS, as Eqs. 15-3, 15-6 e 15-7
fornecem o deslocamento, a velocidade e a aceleração,
respectivamente, e todas contêm a frequência angular ω.
Cálculos: Vamos fazer t = 0 nas três equações para ver se uma
delas nos fornece o valor de ω. Temos:
e
A Eq. 15-15 não contém ω. Nas Eqs. 15-16 e 15-17, conhecemos o
valor do lado esquerdo, mas não conhecemos x e ω. Entretanto, m
dividindo a Eq. 15-17 pela Eq. 15-15, eliminamos x e ϕ e podemos m
calcular o valor de ω:
(b) Determine a constante de fase ϕ e a amplitude x das oscilações. m
Cálculos: Conhecemos ω e queremos determinar ϕ e x . Dividindo m
a Eq. 15-16 pela Eq. 15-15, eliminamos uma das incógnitas e obtemos
uma equação para a outra que envolve uma única função
trigonométrica:
Explicitando tan ϕ, obtemos
Essa equação possui duas soluções:
ϕ = –25° e ϕ = 180° + (–25°) = 155°.