Fundamentos de Física, Volume 2: Gravitação, Ondas e Termodinâmica
Satélites: Órbitas e Energias
A energia mecânica E = K + U é, portanto,
No caso de uma órbita elíptica de semieixo maior a,
Satélites: Órbitas e Energias
Quando um satélite gira em torno da Terra em uma órbita elíptica, tanto a velocidade, que determina a energia cinética K, como a distância ao centro da Terra, que determina a energia potencial gravitacional U, variam com o tempo. Entretanto, a energia mecânica E do satélite permanece constante. (Como a massa do satélite é muito menor que a massa da Terra, atribuímos U e E do sistema satélite-Terra apenas ao satélite.)
Figura 13-15 Quatro órbitas com diferentes excentricidades e em torno de um corpo de massa M. As quatro órbitas têm o mesmo semieixo maior a e, portanto, têm a mesma energia mecânica total E.
A energia potencial do sistema é dada pela Eq. 13-21:
(com U = 0 para uma distância infinita). A variável r é o raio da órbita do satélite, que supomos por enquanto que é circular, e M e m são as massas da Terra e do satélite, respectivamente.
Para determinar a energia cinética de um satélite em órbita circular,
usamos a segunda lei de Newton (F = ma) para escrever
em que v2/r é a aceleração centrípeta do satélite. De acordo com a Eq. 13-37, a energia cinética é
que mostra que, para um satélite em uma órbita circular,
A energia mecânica total do satélite é
ou
OceanofPDF.com
Esse resultado mostra que, para um satélite em uma órbita circular, a energia total E é o negativo da energia cinética K:
Para um satélite em uma órbita elíptica com semieixo maior a, podemos substituir r por a na Eq. 13-40 para obter a energia mecânica:
De acordo com a Eq. 13-42, a energia total de um satélite em órbita não
depende da excentricidade e. Assim, por exemplo, no caso das quatro
órbitas com o mesmo semieixo maior mostradas na Fig. 13-15, um satélite
teria a mesma energia mecânica total E nas quatro órbitas. A Fig. 13-16 mostra a variação de K, U e E com r para um satélite em órbita circular em torno de um corpo central de grande massa. Note que, quanto maior o valor de r, menor a energia cinética (e, portanto, menor a velocidade tangencial) do satélite.
Figura 13-16 Variação da energia cinética K, da energia potencial U e da energia total E com o raio r para um satélite em órbita circular. Para qualquer valor de r, os valores de U e E são negativos, o valor de K é positivo e E = –K. Para r → ∞, as três curvas tendem a zero.
Teste 5
Na figura, um ônibus espacial está inicialmente em uma órbita circular
de raio r em torno da Terra. No ponto P, o piloto aciona por alguns
instantes um retrofoguete para reduzir a energia cinética K e a energia
mecânica E do ônibus espacial. (a) Qual das órbitas elípticas tracejadas
mostradas na figura o ônibus espacial passa a seguir? (b) O novo
período orbital T do ônibus espacial (o tempo para retornar ao ponto P)
é maior, menor ou igual ao da órbita circular?
Exemplo 13.05 Energia mecânica de uma
bola de boliche em órbita
Um astronauta brincalhão lança uma bola de boliche, de massa m =
7,20 kg, em uma órbita circular em torno da Terra a uma altitude h de
350 km.
(a) Qual é a energia mecânica E da bola?
IDEIA-CHAVE
Podemos calcular E usando a Eq. 13-40 (E = –GMm/2r) se
conhecermos o raio r da órbita. (Note que o raio da órbita não é igual à
altitude h, já que a altitude é medida em relação à superfície da Terra e
o raio da órbita é medido em relação ao centro da Terra.)
Cálculos: O raio da órbita é dado por
r = R + h = 6.370 km + 350 km = 6,72 × 106 m.
em que R é o raio da Terra. Assim, de acordo com a Eq. 13-40, a
energia mecânica é
(b) Qual é a energia mecânica E da bola na plataforma de lançamento 0
de Cabo Canaveral? Qual é a variação ΔE da energia mecânica da bola
quando ela é transportada da plataforma até a órbita?
IDEIA-CHAVE
Na plataforma de lançamento, a bola não está em órbita; logo, a Eq.
13-40 não se aplica. Em vez disso, deve-se calcular o valor de E = K 00
+ U , em que K é a energia cinética da bola, e U é a energia potencial 0 0 0
gravitacional do sistema bola-Terra.
Cálculos: Para obter U , usamos a Eq. 13-21: 0
A energia cinética K da bola se deve ao movimento da bola com a 0
rotação da Terra. É fácil mostrar que K é menor que 1 MJ, um valor 0
desprezível em comparação com U . Assim, a energia mecânica da 0
bola na plataforma de lançamento é
O aumento da energia mecânica da bola da plataforma de
lançamento até a órbita é
Isso equivale a alguns reais de eletricidade. Obviamente, o alto custo
para colocar objetos em órbita não se deve à energia mecânica
necessária.
Exemplo 13.06 Transformação de uma
órbita circular em uma órbita elíptica
Uma espaçonave de massa m = 4,50 × 103 kg está em uma órbita
circular de período T = 118,6 min = 7,119 × 103 s quando um 0
retrofoguete é disparado e reduz a velocidade tangencial da
espaçonave para 96% do valor original. Qual é o período T da órbita
elíptica resultante? As duas órbitas são mostradas na Fig. 13-17.
IDEIAS-CHAVE
(1) O período de uma órbita elíptica está relacionado com o semieixo
maior a pela Eq. 13-34 (T2 = 4π2a3/GM). (2) O semieixo maior a está
relacionado à energia mecânica total E da espaçonave pela Eq. 13-42
(E = –GMm/2a), em que M é a massa da Terra, 5,98 × 1024 kg. (3) A
energia potencial da espaçonave a uma distância do centro da Terra é
dada pela Eq. 13-21 (U = –GMm/r). (4) O raio r de uma órbita circular
está relacionado com o período T da órbita pela Eq. 13-34 com a 0
substituído por r, o que nos dá .
Cálculos: De acordo com as ideias-chave, precisamos calcular a
energia total E para obter o semieixo maior a e determinar o período
da órbita elíptica. Vamos começar pela energia cinética logo após o
retrofoguete ser disparado. A velocidade v nesse momento é 96% da
velocidade inicial v , que era igual à razão entre a circunferência e o 0
período da órbita circular inicial. Assim, logo após o disparo do
retrofoguete,
Figura 13-17 Um retrofoguete é disparado quando a espaçonave está passando pelo ponto P,
o que muda a órbita de circular para elíptica.
Logo após o disparo do retrofoguete, a espaçonave ainda está a uma
distância do centro da Terra igual ao raio da órbita circular, que é dado
por r = (GMT2 /4π2)1/3 = [(6,67 × 10–11 N · m2/kg2)(5,98 × 1024 kg) 0
(7,119 × 103 s)2/4π2]1/3 = 8,00 × 106 m. Assim, a energia potencial
gravitacional da espaçonave é
Agora podemos obter o valor do semieixo maior usando a Eq. 13-42: