Fundamentos de Física, Volume 2: Gravitação, Ondas e Termodinâmica
Intensidade e Nível Sonoro
em que –12 2 I (= 10 W/m) é um nível sonoro de referência. Se a intensidade é multiplicada por 10, o 0
nível sonoro aumenta de 10 dB.
Intensidade e Nível Sonoro
Se você já tentou dormir enquanto alguém ouvia música a todo volume, sabe muito bem que existe algo no som além da frequência, comprimento de onda e velocidade: a intensidade. A intensidade I de uma onda sonora em uma superfície é a taxa média por unidade de área com a qual a energia contida na onda atravessa a superfície ou é absorvida pela superfície. Matematicamente, temos:
em que P é a taxa de variação com o tempo da transferência de energia (ou seja, a potência) da onda sonora e A é a área da superfície que intercepta o som. Como vamos mostrar daqui a pouco, a intensidade I está relacionada à amplitude do deslocamento s da onda sonora pela equação m
A intensidade sonora é uma grandeza objetiva, que pode ser medida com um detector. O volume sonoro é uma grandeza subjetiva, que se refere ao modo como o som é percebido por uma pessoa. As duas grandezas podem ser diferentes porque a percepção depende de fatores como a sensibilidade do sistema de audição a sons de diferentes frequências.
Figura 17-9 Uma fonte pontual S emite ondas sonoras com a mesma intensidade em todas as direções. As ondas atravessam uma esfera imaginária de raio r e centro em S.
Variação da Intensidade com a Distância
Em geral, a intensidade sonora varia com a distância de uma fonte real de uma forma bastante complexa. Algumas fontes reais, como os alto-falantes, podem emitir o som apenas em certas direções, e o ambiente normalmente produz ecos (ondas sonoras refletidas) que se superpõem às ondas sonoras originais. Em algumas situações, porém, podemos ignorar os ecos e supor que a fonte sonora é uma fonte pontual e isotrópica, ou seja, que emite o som com a mesma intensidade em todas as direções. As frentes de onda que existem em torno de uma fonte pontual isotrópica S em um dado instante
são mostradas na Fig. 17-9.
Vamos supor que a energia mecânica das ondas sonoras é conservada
quando as ondas se espalham a partir de uma fonte pontual isotrópica e construir uma esfera imaginária de raio ρ e centro na fonte, como mostra a
Fig. 17-9. Como toda a energia emitida pela fonte passa pela superfície da esfera, a taxa com a qual a energia das ondas sonoras atravessa a superfície é igual à taxa com a qual a energia é emitida pela fonte (ou seja, a potência P da fonte). De acordo com a Eq. 17-26, a intensidade I da onda sonora na s
superfície da esfera é dada por
em que 4πr2 é a área da esfera. A Eq. 17-28 nos diz que a intensidade do som emitido por uma fonte pontual isotrópica diminui com o quadrado da distância ρ da fonte.
Teste 2
A figura mostra três pequenas regiões, 1, 2 e 3, na superfície de duas
esferas imaginárias, cujo centro está em uma fonte sonora pontual
isotrópica S. As taxas com a quais a energia das ondas sonoras
atravessa as três regiões são iguais. Ordene as regiões de acordo (a)
com a intensidade do som na região e (b) com a área da região, em
ordem decrescente.
©Ben Rose O som pode fazer um copo de vidro oscilar. Se o som produz uma onda estacionáriae a intensidade do som é elevada, o vidro pode quebrar.
A Escala de Decibéis
A amplitude do deslocamento no interior do ouvido humano varia de cerca de 10–5 m, para o som mais alto tolerável, a cerca de 10–11 m para o som mais fraco detectável, uma razão de 106. Como, de acordo com a Eq. 17-27, a intensidade de um som varia com o quadrado da amplitude, a razão entre as intensidades nesses dois limites do sistema auditivo humano é 1012. Isso significa que os seres humanos podem ouvir sons com uma enorme faixa de intensidades.
Para lidar com um intervalo tão grande de valores, recorremos aos
logaritmos. Considere a relação
y = log x,
em que x e y são variáveis. Uma propriedade dessa equação é que, se x é multiplicado por 10, y aumenta de 1 unidade. Para verificar se isso é verdade, basta escrever
y′ = log(10x) = log 10 + log x = 1 + y.
Da mesma forma, quando multiplicamos x por 1012, y aumenta apenas de 12 unidades.
Assim, em vez de falarmos da intensidade I de uma onda sonora, é muito
mais conveniente falarmos do nível sonoro β, definido pela expressão
em que dB é a abreviação de decibel, a unidade de nível sonoro, um nome
escolhido em homenagem a Alexander Graham Bell.1 I na Eq. 17-29 é uma 0 intensidade de referência (= 10–12 W/m2), cujo valor foi escolhido porque está próximo do limite inferior da faixa de audição humana. Para I = I , a 0 Eq. 17-29 nos dá β = 10 log 1 = 0, de modo que a intensidade de referência corresponde a zero decibel. O valor de β aumenta em 10 dB toda vez que a intensidade sonora aumenta de uma ordem de grandeza (um fator de 10). Assim, β = 40 corresponde a uma intensidade 104 vezes maior que a
intensidade de referência. A Tabela 17-2 mostra os níveis sonoros em alguns ambientes.
Demonstração da Eq. 17-27
Considere, na Fig. 17-4a, uma fatia fina de ar de espessura dx, área A e massa dm, oscilando para a frente e para trás enquanto a onda sonora da Eq. 17-12 passa por ela. A energia cinética dK da fatia de ar é
em que v não é a velocidade da onda, mas a velocidade de oscilação do s
elemento de ar, obtida a partir da Eq. 17-12:
Usando essa relação e fazendo dm = ρA dx, podemos escrever a Eq. 17-30 na forma
Dividindo a Eq. 17-31 por dt, obtemos a taxa com a qual a energia cinética
se desloca com a onda. Como vimos no Capítulo 16 para ondas transversais, dx/dt é a velocidade v da onda, de modo que
Tabela 17-2 Alguns Níveis Sonoros (em dB)
Limiar da audição 0
Farfalhar de folhas 10
Conversação 60
Show de rock 110
Limiar da dor 120
Turbina a jato 130
A taxa média com a qual a energia cinética é transportada é
Para obter essa equação, usamos o fato de que o valor médio do quadrado de uma função seno (ou cosseno) para uma oscilação completa é 1/2.
Supomos que a energia potencial é transportada pela onda à mesma taxa
média. A intensidade I da onda, que é a taxa média por unidade de área com a qual a energia nas duas formas é transmitida pela onda, é, portanto, de acordo com a Eq. 17-33,
que é a Eq. 17-27, a equação que queríamos demonstrar.
Exemplo 17.03 Variação da intensidade de
uma onda sonora cilíndrica com a distância
Uma centelha elétrica tem a forma de um segmento de reta de
comprimento L = 10 m e emite um pulso sonoro que se propaga
radialmente. (Dizemos que a centelha é uma fonte linear de som.) A
potência da emissão é P = 1,6 × 104 W. s
(a) Qual é a intensidade I do som a uma distância ρ = 12 m da
centelha?
IDEIAS-CHAVE
(1) Vamos construir um cilindro imaginário de raio ρ = 12 m e
comprimento L = 10 m (aberto nas extremidades) em torno da
centelha, como mostra a Fig. 17-10. A intensidade I na superfície do
cilíndrico é dada pela razão P/A, em que P é a taxa com a qual a
energia sonora atravessa a superfície e A é a área da superfície. (2)
Supomos que o princípio da conservação da energia se aplica à energia
sonora. Isso significa que a taxa P com a qual a energia passa pela
superfície do cilindro é igual à taxa P com a qual a energia é emitida s
pela fonte.
Figura 17-10 Uma centelha na forma de um segmento de reta de
comprimento L emite ondas sonoras radiais. As ondas atravessam um
cilindro imaginário de raio r e comprimento L cujo eixo coincide com
a centelha.
Cálculos: Juntando essas ideias e notando que a área da superfície
cilíndrica é A = 2πrL, temos
Isso nos diz que a intensidade do som produzido por uma fonte sonora
linear diminui com a distância ρ (e não com o quadrado da distância ρ,
como no caso de uma fonte pontual). Substituindo os valores
conhecidos, obtemos
(b) A que taxa P a energia sonora é interceptada por um detector d
acústico, de área A = 2,0 cm2, apontado para a centelha e situado a d
uma distância ρ = 12 m da centelha?
Cálculos: Sabemos que a intensidade do som no detector é a razão
entre a taxa de transferência de energia P nesse local e a área A do d d
detector:
Podemos imaginar que o detector está na superfície cilíndrica do item
(a). Nesse caso, a intensidade sonora no detector é igual à intensidade I
(= 21,2 W/m2) na superfície cilíndrica. Explicitando P na Eq. 17-35, d
obtemos
Exemplo 17.04 Intensidade sonora em
decibéis
Muitos músicos veteranos de rock sofrem de perda aguda da audição
por causa dos altos níveis sonoros a que foram submetidos durante
anos. Atualmente, muitos músicos de rock usam proteções especiais
nos ouvidos durante as apresentações (Fig. 17-11). Se um protetor de
ouvido diminui o nível sonoro em 20 dB, qual é a razão entre a
intensidade final I e a intensidade inicial I ? f i
IDEIA-CHAVE
Tanto para a onda final como para a onda inicial, o nível sonoro β está
relacionado à intensidade pela definição de nível sonoro da Eq. 17-29.
Cálculos: Para a onda final, temos
e para a onda inicial, temos
A diferença entre os níveis sonoros é
Usando a identidade
podemos escrever a Eq. 17-36 na forma
Tim Mosenfelder/Getty Imagens, Inc.
Figura 17-11 Lars Ulrich, da banda Metallica, é um dos que apoiam a
orga? nização HEAR (Hearing Education and Awareness for Rockers),
que alerta para os danos que altos ní? veis sonoros podem causar à
audição.