Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 10 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

Eleazar

Deixa-o! Que pense,

Uma vez que isso lhe agrada!

ELEAZAR

Mas como sois curiosos

Do que se passa por fóra

De vossas almas!

MARTHA

Agora

Vem discursos lamentosos,

Recriminações, aposto!

Grande mau!

ELEAZAR sorrindo contrafeito:

Grande creança!

MARTHA picada no seu amor proprio:

Não te inspiro confiança?

ELEAZAR condescendente:

Inspiras, sim.

MARTHA

Pois não gosto

De segredos—Que tristeza!...

Não percebo! Porque, em summa,

Não vejo razão nenhuma

Para tal! Não ha riqueza?

A nossa vida, porem,

É feliz; a privação

Nunca nos veio affligir,

Nem ameaça o porvir,

Não é verdade? Simão,

Este bom velho leal,

Que tanto e tanto nos ama,

Dá-nos meza, casa, cama,

E conselho paternal;

Tu retribues a amizade,

Auxiliando-o na vida.Achámos uma guarida Nas trevas da orfandade:

Temos familia! Por isso

Para nós a vida é clara

Assim como a luz. A seara

É verdadeiro macisso

De pão; agua na fonte;