Judas: romance lírico em quatro jornadas
Eleazar
Deixa-o! Que pense,
Uma vez que isso lhe agrada!
ELEAZAR
Mas como sois curiosos
Do que se passa por fóra
De vossas almas!
MARTHA
Agora
Vem discursos lamentosos,
Recriminações, aposto!
Grande mau!
ELEAZAR sorrindo contrafeito:
Grande creança!
MARTHA picada no seu amor proprio:
Não te inspiro confiança?
ELEAZAR condescendente:
Inspiras, sim.
MARTHA
Pois não gosto
De segredos—Que tristeza!...
Não percebo! Porque, em summa,
Não vejo razão nenhuma
Para tal! Não ha riqueza?
A nossa vida, porem,
É feliz; a privação
Nunca nos veio affligir,
Nem ameaça o porvir,
Não é verdade? Simão,
Este bom velho leal,
Que tanto e tanto nos ama,
Dá-nos meza, casa, cama,
E conselho paternal;
Tu retribues a amizade,
Auxiliando-o na vida.Achámos uma guarida Nas trevas da orfandade:
Temos familia! Por isso
Para nós a vida é clara
Assim como a luz. A seara
É verdadeiro macisso
De pão; agua na fonte;