Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 78 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

MARIA com o braço pela cintura de Martha, e a voz muito suave e muito resignada:

Compadecído:

Meus olhos, vêde a luz que o firmamento inunda,

Que a luz tambem se fez para os olhos da serpente!

Rasteja para longe, ó animal mesquinho,

Deixando atraz de ti a escuridão profunda...Rasteja para

longe... e ségue o teu caminho

Silenciosamente...

A passos lentos, vae-se, costeando a muralha até dobrar o angulo que ella

fórma.

 

Duas mulheres, com os rostos occultos por densos véos, sáem da cidade.

Alguns passos dados, páram como avergadas pelo cansaço ou pela dôr. São Maria de Bethania e sua irmã Martha.

MARIA com o braço pela cintura de Martha, e a voz muito suave e muito resignada:

Fica perto da cidade

O sepulcro: é no jardim

Do José d'Arimathéa.

Ao aroma do jasmim

Casa-me o aroma da rosa...

É tudo meigo e silente

N'aquelle triste remanso

Onde elle dorme. A corrente,

Que vae regar os pomares,

Tem uns murmurios tão doces

E tão cheios de misterio...

MARTHA

Maria, irmã, se tu fosses

Contaminar o teu corpo?

É prohibido na Lei

Ir a um sepulcro...

MARIA

Decerto...

MARTHA

É um crime.

MARIA

Sim; bem sei.

Mas devo eu conjecturar

Que os negros vermes da terra

Contaminem moradia

Que tanto perfume encerra? As borboletas sómente,