Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 67 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

PONCIO que os ouviu taciturno, balbucia, como falando a si proprio:

Que hão de fugir ao tumulto...

PONCIO que os ouviu taciturno, balbucia, como falando a si proprio:

«Um cadaver de mais, um cadaver de menos

É coisa que não traz aos meus dias serenos

Nenhuma inquietação, nenhum remorso...»—Hanan,

Dás-me a tua palavra...?

HANAN

O Proféta, ámanhã

Por esta hora, se Deus não se mostrar contrário,

Ha de estar preso.

PONCIO

Bem! Pois n'esse caso...

Dirige-se ao terraço e batendo as palmas, chamando:

Ostiario!

HANAN radiante de alegria, ao ouvido de Judas:

Ganhámos, afinal! Serás recompensado

Pelo teu grande zelo, ó Judas.

UDAS soturno:

Obrigado...

HANAN

Um prémio te darei. Trinta moedas; queres?

De prata!

UDAS indifferente:

Sim, Hanan... Acceito o que me deres.

O OSTIARIO que appareceu no terraço:

Chamaste-me?

PONCIO

É de crêr que no Pretorio esteja

Algum centurião. É Poncio quem deseja

Que se dê cumprimento a tudo que estes dois

Homens disserem.

O OSTIARIO

Bem.

PONCIO

Fique entendido pois.

Ao Pretorio tu mesmo agora os encaminha.