Judas: romance lírico em quatro jornadas
PONCIO que os ouviu taciturno, balbucia, como falando a si proprio:
Que hão de fugir ao tumulto...
PONCIO que os ouviu taciturno, balbucia, como falando a si proprio:
«Um cadaver de mais, um cadaver de menos
É coisa que não traz aos meus dias serenos
Nenhuma inquietação, nenhum remorso...»—Hanan,
Dás-me a tua palavra...?
HANAN
O Proféta, ámanhã
Por esta hora, se Deus não se mostrar contrário,
Ha de estar preso.
PONCIO
Bem! Pois n'esse caso...
Dirige-se ao terraço e batendo as palmas, chamando:
Ostiario!
HANAN radiante de alegria, ao ouvido de Judas:
Ganhámos, afinal! Serás recompensado
Pelo teu grande zelo, ó Judas.
UDAS soturno:
Obrigado...
HANAN
Um prémio te darei. Trinta moedas; queres?
De prata!
UDAS indifferente:
Sim, Hanan... Acceito o que me deres.
O OSTIARIO que appareceu no terraço:
Chamaste-me?
PONCIO
É de crêr que no Pretorio esteja
Algum centurião. É Poncio quem deseja
Que se dê cumprimento a tudo que estes dois
Homens disserem.
O OSTIARIO
Bem.
PONCIO
Fique entendido pois.
Ao Pretorio tu mesmo agora os encaminha.