Judas: romance lírico em quatro jornadas
Martha
Na cidade
Havemos de formar com os nossos companheiros
Possante legião d'impávidos guerreiros!
E vão-se todos tumultuariamente, levando comsigo de roldão o velho
Gamaliel.
Decorridos alguns momentos em que a moradia de Simão ficou
abandonada, Maria e Martha veem de fóra. Martha sempre alegre; a irmã sempre absorta em grande melancolía. Ao entrar em casa, Maria vae logo postar-se á janella, seguindo com o olhar cheio d'angustia os que vão a caminho de Jerusalem.
MARTHA
E uma vez que partiram
Para a cidade, afinal,
Entreguemo-nos agora
Ao que julgo essencial:
Tratemos da nossa casa.
MARIA, indolente:
Espera. Não tenhas pressa...
MARTHA
É que está tudo em desordem,
E o nosso irmão começa
Dentro em breve a murmurar
Que ninguem aqui trabalha!...
MARIA
Martha, vae tu repoisar,
Que eu tratarei do preciso.
MARTHA
Não teimes, que me aproveito
Do teu conselho.
MARIA
Careces
De alguns momentos no leito;
Deves estar fatigada.
MARTHA
E não te enganas. Ergui-me
Ao romper da madrugada...
MARIA