Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 68 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

HANAN que se curvára muito á passagem de Poncio, murmúra:

E passando pela frente de Judas e de Hanan, sem para elles olhar, retira-

se para os seus aposentos.

HANAN que se curvára muito á passagem de Poncio, murmúra:

Moysés ha de vencer!...

UDAS tambem n'um murmurio, quasi inaudivel:

Maria ha de ser minha!...

Vão-se com o Ostiario pela outra porta.

 

Apparece então a escrava Geda, que se encaminha para o terraço.

GEDA affasta o coxim, trazendo-o para o interior da quadra e faz correr parte do

reposteiro que pende do arco.

Vae repoisar a minha ama...

Como a noite é calma e linda!

Mas ninguem ha que prescinda

Das indolencias da cama!

Muito ingrata a Humanidade,

Que acha as trévas de Morpheu

Preferiveis a este ceu

De risonha castidade!

Talvez seja por vingança

Que a mostrar-nos a outra face

A Lua não se abalança!

Seja lá pelo que fôr, Que sem protesto não passe,

Diana, o teu desamor!

Acaba de fazer correr brandamente o reposteiro. Depois vae buscar o

candalabro e dispõe-se a leval-o comsigo.

Mas o reposteiro agita-se, é corrido pela parte exterior por mão nervosa e

resoluta, e uma mulher d'Israel apparece offegante, com o rosto occulto por

espesso veu de lã negra.

A MULHER adiantando-se como procurando alguem:

Claudia?

GEDA admirada e insolente:

Quem te deu a livre entrada?

Que vens fazer aqui, judía?

A MULHER

Venho

Para falar a Claudia, unicamente

É este o meu empenho.