Judas: romance lírico em quatro jornadas
HANAN que se curvára muito á passagem de Poncio, murmúra:
E passando pela frente de Judas e de Hanan, sem para elles olhar, retira-
se para os seus aposentos.
HANAN que se curvára muito á passagem de Poncio, murmúra:
Moysés ha de vencer!...
UDAS tambem n'um murmurio, quasi inaudivel:
Maria ha de ser minha!...
Vão-se com o Ostiario pela outra porta.
Apparece então a escrava Geda, que se encaminha para o terraço.
GEDA affasta o coxim, trazendo-o para o interior da quadra e faz correr parte do
reposteiro que pende do arco.
Vae repoisar a minha ama...
Como a noite é calma e linda!
Mas ninguem ha que prescinda
Das indolencias da cama!
Muito ingrata a Humanidade,
Que acha as trévas de Morpheu
Preferiveis a este ceu
De risonha castidade!
Talvez seja por vingança
Que a mostrar-nos a outra face
A Lua não se abalança!
Seja lá pelo que fôr, Que sem protesto não passe,
Diana, o teu desamor!
Acaba de fazer correr brandamente o reposteiro. Depois vae buscar o
candalabro e dispõe-se a leval-o comsigo.
Mas o reposteiro agita-se, é corrido pela parte exterior por mão nervosa e
resoluta, e uma mulher d'Israel apparece offegante, com o rosto occulto por
espesso veu de lã negra.
A MULHER adiantando-se como procurando alguem:
Claudia?
GEDA admirada e insolente:
Quem te deu a livre entrada?
Que vens fazer aqui, judía?
A MULHER
Venho
Para falar a Claudia, unicamente
É este o meu empenho.