Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 79 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

Martha

Aereos beijos de amor,

Hão de poisar junto d'elle

Como poisam n'uma flôr,

Indo contar em seguida

Aos espinhos do balseiro

Quanta fragancia divina

Exhala aquelle canteiro.

... Ao passo que eu viverei

Na grande dôr do meu pranto,

Como a aranha silenciosa

Que fez a teia n'um canto.

—No ceu da minha existencia

Pairavam tranquillamente

Dois flócos de nuvem, que era

Como o fumo transparente...

Andavam pairando assim

Despreoccupados os dois,

Para ao sopro d'uma aragem

Se desfazerem depois...

Fumo illusorio que sobe

Mansamente pelo ar

E que se esvae n'um instante

P'ra nunca mais se juntar...

MARTHA

Ó minha irmã!...

E abraçadas, com as frontes reclinadas no hombro uma da outra, soluçam

longamente.

Vem então da cidade outra mulher, que pelo trajar romano logo se

reconhece ser Claudia.

CLAUDIA chegando junto de Maria e Martha, cujos rostos se conservam occultos,

pára; e depois, poisando a mão no hombro de Maria, diz com voz muito meiga:

Porque choras?

MARIA que se voltou, reconhecendo-a e baixinho á irmã:

Ella?!

MARTHA receiosa:

Claudia!...

CLAUDIA

Que motivo

Gerou no teu seio a Dôr,