Judas: romance lírico em quatro jornadas
Martha
Aereos beijos de amor,
Hão de poisar junto d'elle
Como poisam n'uma flôr,
Indo contar em seguida
Aos espinhos do balseiro
Quanta fragancia divina
Exhala aquelle canteiro.
... Ao passo que eu viverei
Na grande dôr do meu pranto,
Como a aranha silenciosa
Que fez a teia n'um canto.
—No ceu da minha existencia
Pairavam tranquillamente
Dois flócos de nuvem, que era
Como o fumo transparente...
Andavam pairando assim
Despreoccupados os dois,
Para ao sopro d'uma aragem
Se desfazerem depois...
Fumo illusorio que sobe
Mansamente pelo ar
E que se esvae n'um instante
P'ra nunca mais se juntar...
MARTHA
Ó minha irmã!...
E abraçadas, com as frontes reclinadas no hombro uma da outra, soluçam
longamente.
Vem então da cidade outra mulher, que pelo trajar romano logo se
reconhece ser Claudia.
CLAUDIA chegando junto de Maria e Martha, cujos rostos se conservam occultos,
pára; e depois, poisando a mão no hombro de Maria, diz com voz muito meiga:
Porque choras?
MARIA que se voltou, reconhecendo-a e baixinho á irmã:
Ella?!
MARTHA receiosa:
Claudia!...
CLAUDIA
Que motivo
Gerou no teu seio a Dôr,