Judas: romance lírico em quatro jornadas
Simão Pedra
Como?!
SIMÃO PEDRA
Dize!
MATHEUS
É de grande valor
O que disséres.
OÃO
Sim! deves dizer-nos tudo!
E acercam-se d'elle ainda mais:
GAMALIEL pausada e custosamente:
Hanan possue no genro o seu melhor escudo.
Se transformou Kaíapha em Grande Sacerdote,
Foi para ter alguem que cegamente vote
Na sua opinião. Mais do que o genro, alcança
Dos homens do Conselho estima e confiança.
E custando-lhe a despegar dos labios as palavras:
Eis por que hontem á noite, e em sessão secreta,
Por elles foi votada a morte do Profeta!
SIMÃO PEDRA, erguendo as mãos aos ceus:
O meu presentimento!
MATHEUS, convulsamente:
Infamia!
OÃO, n'um grito:
Cobardia!
ELEAZAR agarrando Gamaliel por um pulso:
É tempo de calcar aos pés a tirannía!
Todos, excepto Gamaliel, estão nervosos, irrequietos, consultam-se,
animam-se, invectivam Jerusalem. João foi á janella, e com os dentes cerrados, o braço erguido, ameaça-a de esterminio.
GAMALIEL
Tende serenidade!
OÃO
Oh! não, Gamaliel!
ELEAZAR
Liberte-se de vez o reino d'Israel!