Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 76 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

AMPÍO, tocando com o pé no corpo de um dos que dormem:

Erguei-vos, camaradas, pois não deve

O negro deus do somno tal imperio

Exercer sobre vós, quando do Olympo

Cáem com furia as cóleras de Jove.

AUSO accordando:

Novamente começa a tempestade?

ÁBIO, erguendo-se logo; voz de homem dado ao alcool e praguento:

Foi aquelle patife do Vulcano,

Que lhe enviou fornecimento novo.

AUSO erguendo-se:

Pois ainda troveja?

AMPÍO

Muito ao longe.

ÁBIO

O peior é que Phébo, com certeza,

Não vem tão cedo.

AMPÍO

Os galos já cantaram

Das bandas do Levante, amigo Fábio.

AUSO

Olha! alguem se dirige para aqui.

ÁBIO rindo:

Talvez seja Noctifer, deus das trevas.

E os trez esperam, encostados ás lanças. São seis miseros mercadores

avergados ao peso de seus fardos. Quando chegaram em frente dos soldados.

UM MERCADOR em tom submisso:

É permittida a entrada aos mercadores?

AMPÍO

A dúvida, meu velho, está sómente

Em pagarem tributo ao publicano.

O MERCADOR

Decerto que pagamos, como é de uso;

Mas quando vi trez guardas junto á porta.

Fiquei suppondo alguma novidade...