Judas: romance lírico em quatro jornadas
AMPÍO, tocando com o pé no corpo de um dos que dormem:
Erguei-vos, camaradas, pois não deve
O negro deus do somno tal imperio
Exercer sobre vós, quando do Olympo
Cáem com furia as cóleras de Jove.
AUSO accordando:
Novamente começa a tempestade?
ÁBIO, erguendo-se logo; voz de homem dado ao alcool e praguento:
Foi aquelle patife do Vulcano,
Que lhe enviou fornecimento novo.
AUSO erguendo-se:
Pois ainda troveja?
AMPÍO
Muito ao longe.
ÁBIO
O peior é que Phébo, com certeza,
Não vem tão cedo.
AMPÍO
Os galos já cantaram
Das bandas do Levante, amigo Fábio.
AUSO
Olha! alguem se dirige para aqui.
ÁBIO rindo:
Talvez seja Noctifer, deus das trevas.
E os trez esperam, encostados ás lanças. São seis miseros mercadores
avergados ao peso de seus fardos. Quando chegaram em frente dos soldados.
UM MERCADOR em tom submisso:
É permittida a entrada aos mercadores?
AMPÍO
A dúvida, meu velho, está sómente
Em pagarem tributo ao publicano.
O MERCADOR
Decerto que pagamos, como é de uso;
Mas quando vi trez guardas junto á porta.
Fiquei suppondo alguma novidade...