Judas: romance lírico em quatro jornadas

Augusto de Lacerda · Capítulo 12 de 93

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Judas: romance lírico em quatro jornadas

ELEAZAR ás irmãs:

Adeus!

E beijando Martha, que o evita d'arremeço:

Tu foges de mim?

Não vens beijar-me, teimosa!

É então uma vingança?

MARTHA, deixando explodir o seu despeito:

São arrufos... de creança!

ELEAZAR beijando-a á viva força:

São os espinhos da rosa!

Vão-se Eleazar e Simão. Succede grande silencio.

 

MARTHA foi á beira da estrada e segue-os com o olhar. Depois, appreensiva, com

vago receio:

Nunca o vi assim como hoje...

MARIA em longa abstracção, como se ninguem a ouvisse:

«Espairecer»... Puro engano!

O pensamento não sae...

É como a sombra que vae

Correndo atraz de quem foge...

MARTHA que lançou para longe a tristeza, despertada pelo cantar mais proximo

d'uma cotovia.

Como o tempo está formoso

E se prepara, amoroso,

Para a Paschoa d'este anno!

N'uma corrida, eil-a junto da irmã que ficára sentada á beira da fonte. Um

beijo resôa na face de Maria e logo aos pés d'esta se senta Martha. Achamos isto um encanto!

Como elles acham, porem,

Que tudo é feio.

MARIA

Elles, quem?

MARTHA com o cotovello apoiado no joelho de Maria, o olhar limpido erguido para o

olhar da irmã:

Os Dose, que gostam tanto

De dizer mal de Judá.

A Galiléa! Não ha