Judas: romance lírico em quatro jornadas
ELEAZAR ás irmãs:
Adeus!
E beijando Martha, que o evita d'arremeço:
Tu foges de mim?
Não vens beijar-me, teimosa!
É então uma vingança?
MARTHA, deixando explodir o seu despeito:
São arrufos... de creança!
ELEAZAR beijando-a á viva força:
São os espinhos da rosa!
Vão-se Eleazar e Simão. Succede grande silencio.
MARTHA foi á beira da estrada e segue-os com o olhar. Depois, appreensiva, com
vago receio:
Nunca o vi assim como hoje...
MARIA em longa abstracção, como se ninguem a ouvisse:
«Espairecer»... Puro engano!
O pensamento não sae...
É como a sombra que vae
Correndo atraz de quem foge...
MARTHA que lançou para longe a tristeza, despertada pelo cantar mais proximo
d'uma cotovia.
Como o tempo está formoso
E se prepara, amoroso,
Para a Paschoa d'este anno!
N'uma corrida, eil-a junto da irmã que ficára sentada á beira da fonte. Um
beijo resôa na face de Maria e logo aos pés d'esta se senta Martha. Achamos isto um encanto!
Como elles acham, porem,
Que tudo é feio.
MARIA
Elles, quem?
MARTHA com o cotovello apoiado no joelho de Maria, o olhar limpido erguido para o
olhar da irmã:
Os Dose, que gostam tanto
De dizer mal de Judá.
A Galiléa! Não ha